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Mudar o clima

João Duque (www.expresso.pt)
0:01 Sábado, 19 de dezembro de 2009

Quero mudar de clima, de mood. Estou cansado de falar em obra pública e na capacidade que muitos destes projectos têm em destruir valor às futuras gerações de portugueses.

Quero mudar de clima e acreditar que a educação e a inovação vão salvar Portugal. Não tendo matérias-primas, mas com uma excelente localização para podermos ser porto de entrada e saída de produtos por via marítima, ou aérea, vou acreditar que temos ainda uma hipótese de podermos liderar o desenvolvimento de produtos inovadores que possam dar ânimo e alento aos jovens portugueses que como eu querem mudar de clima.

Quero mudar de clima. Tentar ser mais rigoroso e optimista na esperança de que os decisores do meu país vão decidir sobre os bens públicos com a mesma consciência e zelo que teriam ao decidir sobre os seus próprios bens.

Quero mudar de clima e acreditar que ainda é possível dar a volta a Portugal sem sermos postos para fora do euro, sem passarmos por um colapso económico, com descida acentuada do preço da mão-de-obra a competir com chineses sem qualificação nem direitos, nem fuga massiva da população e miséria a rodos.

Quero mudar de clima, ajudado por um governo que aposta no desenvolvimento de Portugal e que o não sufoca com impostos, burocracia, corrupção, compadrio, amizades escandalosas, justiça entediante ou endividamento letal para ocupar uma população que constrói colossos.

Os egípcios também construíram pirâmides. Consumiram-se nelas que lhes foram servindo de túmulos e não passam hoje de atracção turística...

Diz a teoria que onde estiverem as ideias e os meios humanos e tecnológicos estará o capital, porque ele apoiará essas iniciativas porque é delas que ele vive. E isso não é mau.

O capital é aliás, um dos melhores juízes sobre a capacidade de empreender e concretizar. Gosta de arriscar mas não o faz desprovido de sentido.

Quero mudar de clima para poder voltar a viver o sentimento de Primavera, em que os pássaros que querem batem as asas e voam.
Sonham ir mais alto e mais além e conseguem-no porque não são tolhidos por redes assassinas, por leis estúpidas entorpecedoras.

Já imaginaram como era bom se Portugal sorrisse com a alegria e a esperança do Brasil, com a riqueza e a certeza de Angola e com a bondade e a generosidade de Moçambique?

É tempo de arrumarmos a casa muito bem arrumada, e com tudo no lugar e de jeito organizado, voltarmos um pouco ao triângulo dourado como lhe chama Murteira Nabo para daí colhermos a ajuda e a força que podemos.

Voltemos ao mar e aos nossos velhos e conhecidos portos. Procuremos, onde nos entendem, o que já não encontramos aqui, nesta terra velha e cansada e sejamos verdadeiramente uma porta de entrada para os que falam a nossa língua, afinal a nossa Pátria amada.

Quero mudar de clima e viver num país onde a liberdade aceita a diferença, discute as ideias mas diz sempre a verdade. Que pode ser dura, mas que é a verdade. E por isso se aceita.

Quero mudar de clima. Alguém me ajuda?

João Duque , Professor Catedrático do ISEG

Texto publicado na edição do Expresso de 12 de Dezembro de 2009

 

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Uma vez mais.........
Mamaevovo (seguir utilizador), 4 pontos (Bem Escrito), 11:16 | Sábado, 19 de dezembro de 2009
Uma vez mais estou inteiramente de acordo.
Deixei de frequentar o Expresso com a assiduidade que costumava, porque também eu tive necessidade de mudar de clima.
Estou cansada deste clima de "quem não está connosco está contra nós" ou pior ainda "quem não pensa à minha maneira é burro, inconsequente e inculto".
O clima gerado neste país por um primeiro-ministro manipulador, crispado e mal-educado está a levar-nos para o descalabro total.
Aliena-se toda uma população, que deveria estar preocupada com o rumo imprimido ao nosso desenvolvimento, para "causas estruturantes" como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, eutanásia e falsas modernidades. A todas estas "problemáticas", como também já foi feito para o aborto, costumo chamar "foguetes de lágrimas" (nome vulgarmente atribuído ao fogo de artificio).
Lançam-se os foguetes e enquanto as pessoas se entretêm a discutir a "bondade" ou a "maldade" das propostas o país vai trilhando o seu caminho inexorável a caminho do abismo.
Não é necessário discutir se estamos a um passo de ser expulsos da UE, não interessa saber qual a herança que estamos a preparar para os nossos filhos, netos e bisnetos, o que realmente é importante é saber se os gays deixam de o ser ou se iremos matar com injecção ou com cadeira eléctrica todos aqueles que estão incapacitados.
No “happy end” teremos deixado às gerações futuras um país muito moderno, sem valores éticos e com uma dívida impagável!
Ou mudamos de clima ou o clima muda-nos o país!
 
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    Re: Uma vez mais.........    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:06 | Sábado, 19 de dezembro de 2009
    Re: Uma vez mais.........    Ver comentário
APNS (seguir utilizador), 1 ponto , 18:37 | Segunda feira, 21 de dezembro de 2009
Eu ajudo-o. A mudar de País...
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 11:36 | Sábado, 19 de dezembro de 2009
É um título cínico, mas infelizmente, verdadeiro. E sei que você sabe que é verdade. Este seu texto, está inserido no estilo realismo-fantástico Nacional.

Qualquer pessoa que o leia, pensa: Vou apoia-lo. E... adormece. Porque se trata da história ideal para se ler à noite.

Eu sei que você sabe, que uma parte do País é colaboracionista e "come" do que há. A outra parte "come" do que lhe dão. Que é pouco, mas receia que lho deixem de dar. E um resquício da população, é realmente independente:

- São os estudantes que estudam e não aceitam facilitismos.

- São os empresários que, contra-corrente, buscam e encontram soluções.

- São os trabalhadores conscientes da situação e que discutem soluções para a salvaguarda das empresas.

- São os Banqueiros que recusam as aventuras do lucro especulativo.

- São os funcionários públicos, a todos os níveis, que não aceitam "servir-se".
 
- São os políticos, que não aceitam pactuar, com decisões obscuras.

Portanto, uma ínfima parte da população e em vias de extinção.

E estamos a chegar ao ponto "0", em que já não se discutem causas:

O melhor português vivo

O melhor primeiro-Ministro de Portugal

O melhor Ministro das Finanças de Portugal

Deixaram de ser pessoas com virtudes e defeitos. São Divindades. E as Divindades não se discutem.

Estamos a chegar ao nível dos adoradores de serpentes.

De qualquer forma, Dr. João Duque, obrigado pelo seu texto. Um texto de esperança...
 
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É dificil mas ainda é possível
APNS (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:51 | Segunda feira, 21 de dezembro de 2009
Talvez não o seja daqui a algum tempo (poucos anos) mas hoje ainda é possível inverter este processo de endividamento e de empobrecimento sistemático.
Nessa tarefa imensa a participação das universidades é fundamental pois é lá o centro do saber e da investigação.
Porque é que elas não apresentam propostas, devidamente tratadas e quantificadas como se fossem business cases, para os mais variados sectores do país?
Esses trabalhos discutidos com as ordens seriam excelentes contributos da sociedade civil.
Teriam a grande vantagem de pressionar os políticos, que andam mais preocupados com as suas questões internas do que com os problemas do país, a verem o que realmente é importante.
   
 
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Mais do mesmo
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 11:42 | Sábado, 19 de dezembro de 2009
Ora falamos em viramo-nos para a Europa, ora falamos em olhar para os países de expressão portuguesa (Brasil, Angola e um ou outro qualquer de ocasião neste caso Moçambique)!
Isto faz-me lembrar o “mãos sujas” de Satre .
João Duque não sugere uma mudança de atitude e de comportamento (para já não falar da famosa mentalidade). João Duque sugere uma nova “Geração TuTuTu” que tão bem explicou crónicas atrás, onde a procura do lado do pão do qual está a manteiga volta a derivar para as ex-colónias como na altura derivou de lá para a união europeia e para os seus subsídios!
Portugal não muda de clima!
E Portugal não muda de clima porque Portugal é incapaz de olhar para além da espuma dos dias, da Chico-esperteza e do umbigo de cada um dos seus cidadãos quer ou não se tratem por Tu, Dr., Pá, Meu, Bró ou uma outra qualquer coisa.
 
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O Chico-espertismo
Kurrusivo (seguir utilizador), 1 ponto , 10:06 | Segunda feira, 21 de dezembro de 2009
Concordo em quase tudo do que aqui foi dito, no entanto, julgo que falta um ponto: O chico-espertismo que a nossa sociedade premeia e como tal também estimula.
É aquele que estaciona o carro no passeio ou em segunda fila, é o vizinho que foge aos impostos, é "alguém" num hospital que não cumpre os procedimentos e causa cegueira em diversas pessoas, são as Estradas de Portugal que adjudicam obras sem que todos os requisitos estejam cumpridos, etc, etc, etc.
Tudo isto acontece na maior impunidade, que quase é considerado normal, de tão comum ser. Mais, o infrator quando confrontado com a infracção ainda se considera injustiçado. No final, quase sempre, o prevaricador consegue beneficiar do "crime". A mensagem que temos transmitido ás novas gerações é: PREVARICAR COMPENSA!!!.
O que está a fazer muita falta no nosso País é seriedade e rigor. Primeiro as regras existem por uma razão (que tem de ser explicada), segundo as regras são para se cumprir (e não para torcer aos nossos interesses do momento), terceiro se as regras não permitem um funcionamento eficaz, que seja alteradas, ignora-las não é solução.
Só assim será possível que as novas gerações sejam educadas com um conjunto de valores que permita quebrar o ciclo vicioso de bandalheira em que vivemos.
Para começar, acabar com a situação ridícula das altas magistraturas a discutir se tem ou não competencia para determinada decisão. Não haverá ninguém neste País que seja competente e saiba o que anda a fazer ?

Kurrusivo
 
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