Quando o Governo anuncia o congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos como medida inevitável de redução da despesa pública, deve estar consciente dos efeitos desta decisão nos serviços prestados pelo Estado às populações. Um exemplo grave é o Serviço Nacional de Saúde.
Quais os médicos, enfermeiros e pessoal especializado dispostos a manterem-se num serviço com perspectiva de deterioração do nível de vida? O sector privado de saúde não terá de se esforçar muito para captar os mais experientes e capazes, e nem é preciso imaginação para visionar a desqualificação dos hospitais públicos que serão procurados apenas pelos mais desfavorecidos.
É um caso que ilustra a irresponsabilidade que representou o aumento deliberado do défice público para níveis incomportáveis com o necessário ajustamento a médio prazo.
Haverá outras opções?
Talvez suspender grandes investimentos de duvidosa utilidade, cujos encargos, num futuro longo, contribuirão indirectamente para a desqualificação dos serviços públicos.
Ou talvez o Governo esteja com razão e os investimentos em transportes sejam mesmo úteis, especialmente no Natal e nas férias, quando uma parte importante dos portugueses quiser visitar a família em Portugal.
Texto publicado na edição do Expresso de 20 de Fevereiro de 2010