O ex-director geral da TVI não poupou nem tempo nem palavras para explicar como houve pressões políticas para alterar a linha de informação da estação de Queluz.
Na mais longa das audições da comissão parlamentar de ética sobre o estado da liberdade de expressão -mais de três horas - José Eduardo Moniz fez questão de referir que não tem "medo de nada daquilo que digo" e que não está disposto a ser "rainha de Inglaterra em qualquer projecto em que entre".
Por isso, enunciou uma série de casos que justificam as pressões políticas sobre a linha editorial da TVI, as tentativas sucessivas de afastamento de Manuela Moura Guedes dos ecrãs e até a tentativa de entrada da PT na Media Capital.
Para que não restassem dúvidas aos deputados, Moniz foi claro em afirmar que "foi delineado claramente um plano para condicionar a actuação de alguns meios de Comunicação Social, alguns empresários e alguns jornalistas".
A informação da TVI era um dos alvos, referiu Moniz e as "pressões constantes" para uma alteração da linha editorial surgiam da parte da administração espanhola. Só não foram avante por recusa do então director geral. Quando "rebentou o Freeport, tudo se complicou", disse Moniz para quem não restam "dúvidas da capacidade de influência do Governo sobre a Media Capital", leia-se, os seus accionistas principais, os espanhóis da Prisa.
As pressões políticas para alterar os alinhamentos informativos da TVI foram largamente exemplificadas por Moniz que trouxe casos que envolveram o ministro da Saúde, do Ambiente e da Administração Interna (na altura, António Costa) e as suas queixas junto dos administradores da TVI.
Já quanto ao negócio da PT, conhecido no ano passado com a tentativa de entrada na Media Capital, José Eduardo Moniz explicou como foi convidado por Zeinal Bava - no dia 23 de Junho - para consultor da PT na área da televisão.
"Pareceu-me que a concretização do negócio (com a TVI) estaria por horas mas nunca me mencionou se o Governo tinha conhecimento dele, ou não", disse. Mas, perante a insistência dos deputados, José Eduardo Moniz não hesitou: "é óbvio que o primeiro-ministro não podia deixar de saber do negócio".