O destino e a aplicação no estrangeiro dos dinheiros resultantes do "golpe" na CGD, não foram investigados pelas autoridades judiciais. "Não houve orientação nesse sentido...", disse-nos, em determinada altura, uma fonte ligada à investigação. "O processo foi salvo in extremis, porque estava condenado a não conseguir levar ninguém a julgamento", disse-nos o procurador do MP na fase de final do processo. Fernando Neves, entretanto falecido há alguns anos, viu em 16 de Fevereiro de 1999, o seu gabinete incendiado. "Fogo posto" não havia dúvida! À reportagem da SIC, o magistrado disse, na ocasião, que não era possível estabelecer conexões, mas que não tinha dúvidas de que se estava perante "um claro acto de intimidação dirigido ao MP e à minha pessoa".
Débora Raposo vai ser julgada a 22 de Outubro, em Vila Franca do Campo. Ricardo Rodrigues foi arguido mas passou a testemunha depois do MP ter decidido pelo arquivamento. O MP não encontrou qualquer indício de envolvimento de Rodrigues na burla à CGD, embora tivesse considerado que subsistiam dúvidas: "...as dúvidas que pairam sobre a nossa visão acerca da actividade de tal arguido...(têm) apenas a ver com a contribuição do mesmo nas actividades subsequentes levadas a cabo pelos principais arguidos...e, nomeadamente, pela Débora Raposo, para concretizar a aplicação e "lavagem" das enormes quantias de que ilicitamente estes se foram apropriando". Na dúvida, os autos foram arquivados com base no princípio: "in dubio pro reu".
Os restantes nove arguidos do caso CGD foram julgados em 2000, Débora era então dada como "estando em parte incerta". Nesse ano, a SIC/Expresso localiza-a e revela a sua presença no Canadá. Pouco tem depois é aberto um processo de extradição, que levou quase sete anos para ser concluído - um êxito do Departamento de Relações Externas da PGR para todos os efeitos, atendendo à especificidade "garantística" da legislação do Canadá e ao facto de não se estar perante um caso de homicídio ou de terrorismo, mas tão só de crime económico. Débora Raposo foi "devolvida" à Justiça portuguesa no início do passado mês de Agosto. Se vier a ser condenada ser-lhe-ão descontados três anos de prisão, já cumpridos no Canadá.