"Não é uma boa notícia", disse o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, num primeiro comentário aos dados do INE referentes ao quarto trimestre de 2009, que apontam para uma queda do PIB de 0,2%, de 2,7 relativamente a período homólogo, e um aumento de mais 120 mil desempregados.
Numa leitura dos dados do INE, Teixeira dos Santos diz tratar-se de uma indicador de que a "economia portuguesa não contraíu como as restantes economias europeias" e continua a defender para 2010 uma "leve recuperação da economia".
Apesar da quebra do PIB, o ministro mantém as previsões de "crescimento de 0,7% previsto no Orçamento de Estado", que entrou hoje em debate final e global no Parlamento.
Ainda assim, refere o ministro das Finanças, "ninguém fica satisfeito com estas notícias". E Teixeira dos Santos considera "prematura" qualquer leitura que aponte para a possibilidade do regresso à recessão técnica".
O titular da pasta das Finanças defende como solução "manter o apoio à economia" mas dar já "sinais de contenção das contas públicas".
Oposição faz leitura diferente
Diferente é o entendimento da oposição. Miguel Frasquilho (PSD) considera que estes números "provam que a pressa é mal conselheira". O deputado social-democarata considera prematuro "o anúncio do Governo do fim da crise" e sustenta que "tal como o PSD afirmou, Portugal foi o primeiro a entrar na crise e será o último a sair".
Miguel Frasquilho considera que "tendo em conta que quanto menor for o PIB maior é o défice", nesta altura o Orçamento do Estado para 2010, agora votado no Parlamento, "sofreu um abanão na sua credibilidade".
Cecília Honório, deputada do BE, diz por seu turno serem "dramáticos" os dados do INE relativamente ao quarto trimestre de 2009, agora conhecidos. E defende não haver saída para a crise "sem um forte aposta no investimento público".