A ministra Isabel Alçada não abre o jogo quanto ao sentido de eventuais mudanças
António Pedro Ferreira
Rever o Estatuto da Carreira Docente (ECD) e a avaliação dos professores é uma das prioridades do Ministério da Educação, mas o que vai sair desse processo negocial é ainda uma incógnita. Esta é uma das poucas conclusões que se podem retirar da primeira reunião entre a nova ministra e os sindicatos.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) foi a primeira organização a ser recebida e, de acordo com o secretário-geral, Mário Nogueira, os docentes ficaram apenas a saber que o calendário das negociações será conhecido na próxima semana.
Para a Fenprof, a definição do calendário negocial é decisiva: "Se os prazos atirarem as negociações para Fevereiro ou Março, então voltamos à carga com a suspensão da avaliação. Se o processo ficar concluído até ao final do primeiro período de aulas (Dezembro), então a avaliação (relativa a 2009-2011) fica suspensa por si mesma", explicou Mário Nogueira.
"Não tem sentido nenhum as escolas continuarem a trabalhar neste modelo de avaliação para daqui a três meses termos outro diferente", insistiu o dirigente sindical.
Ministra não revela intenções
Apesar de ter admitido mais uma vez a necessidade de rever o ECD e de introduzir alterações no modelo de avaliação, a ministra Isabel Alçada não abre o jogo quanto ao sentido dessas mudanças, nomeadamente no que diz respeito à possibilidade de acabar com a divisão da carreira em duas categorias.
Quanto ao processo de avaliação em curso - relativo ao passado ano lectivo e que terá de estar concluído até 31 de Dezembro - Mário Nogueira voltou a reivindicar a suspensão dos efeitos das classificações que forem atribuídas aos professores, pedindo que as notas mais altas (Muito Bom e Excelente) não contem para os próximos concursos.
Os encontros com as restantes organizações sindicais decorrem ao longo de todo o dia de hoje.