"A Fenprof tem anunciado, sistematicamente, coisas deste género", disse à SIC, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos a propósito do anúncio feito, em directo na RTP, de que seis sentenças em tribunal obrigam o Ministério da Educação a pagar as aulas de substituição como serviço extraordinário dos professores. Na mesma ocasião, o dirigente da Fenprof - que participava no programa "Prós e Contras" - também revelou que o processo de avaliação dos docentes estava suspenso por decisão judicial. Mas, a ministra, também preferiu esperar para ver. "Não conheço os pormenores do processo, mas já ouvi muitas vezes o professor Mário Nogueira anunciar catástrofes destas na televisão que depois nunca se concretizaram. Assim o melhor é aguardar para ver", disse.
Ao longo de várias horas de discussão, Maria de Lurdes Rodrigues enfrentou representantes dos vários movimentos recém-criados de professores, assim como os dirigentes das principais organizações sindicais de docentes, a Fenprof e a FNE. Defendendo as suas reformas, a ministra contrariou os "equívocos" que existem sobre o processo de avaliação dos docentes e o novo modelo de gestão das escolas, recusando, por diversas vezes, a acusação de que está a governar "contra os professores". "Tenciono levar avante as reformas desta forma", disse a ministra, admitindo que "não há modelos de avaliação perfeitos", mas salientando a importância de implementar a medida para melhorar o sistema educativo.
O debate teve alguns momentos de tensão, nomeadamente com a intervenção de um representante do recém-criado "movimento dos professores revoltados", que acusou a ministra de "mentir" e de promover "o facilitismo". O docente denunciou mesmo o caso de um inspector educativo que, na sua escola, terá exigido aos professores de matemática que dessem aos seus alunos "uma nota mínima de três". Lurdes Rodrigues pediu provas.
A intervenção de Mário Nogueira, que apresentou três novas sentenças de tribunal que davam razão aos docentes que reclamaram o pagamento das aulas de substituição como horas extraordinárias, também foi outro dos momentos altos do programa. O sindicalista diz que as sentenças fazem jurisprudência e convidou os professores a requererem os pagamentos devidos nas secretarias das suas escolas. Mário Nogueira declarou, ainda, que o processo de avaliação dos docentes "está suspenso", depois de seis sentenças em tribunal terem sido deferidas, dando razão às queixas dos sindicatos.