A Fenprof atribuiu hoje ao trabalho dos professores a redução do insucesso escolar anunciada pelo Governo e considerou que é preciso saber se à quebra nas taxas de abandono e retenção corresponde um aumento da qualidade do ensino.
"A alegada melhoria deve-se de facto ao trabalho dos professores", considerou Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores (Fenprof).
"O Ministério da Educação (ME) vem dizer que reconhece agora isto e temo que essas palavras sejam tardias e até soem a falso a um ano das eleições e vindas de um ministério que está a sofrer contestação e andou a passar a ideia de que os professores tinham era de se mexer e de deixar de estar sentados à lareira", acrescentou, considerando que "o Ministério não tem recuperação e perdeu em definitivo os professores".
O sindicalista realçou ainda ser preciso saber se ao aumento da taxa de sucesso escolar corresponde também um aumento da qualidade do ensino.
"Às vezes as estatísticas escondem realidades muito complicadas e acabam por fazer com que os problemas se percebam menos", afirmou Mário Nogueira, salientando que "é preciso saber se com o aumento das taxas de sucesso aumentou também a qualificação dos alunos, porque os resultados consistentes em educação não são obtidos de um ano para o outro".
O dirigente afirmou ainda que o segundo ano de escolaridade continua a ser o primeiro em que se verificam casos de reprovação, uma situação que atribui "à falta de apoio e a cada vez menos condições que existem para que a escola seja inclusiva".
"O Ministério tem vindo a retirar condições para crianças com necessidades educativas especiais", disse, salientando que estas "crianças com dificuldades estão em turmas com 25 colegas", que em muitos casos juntam ainda vários anos de escolaridade, e não em turmas de dimensão reduzida, como deveriam.





