13/02/2012 atualizado às 10:51
Página Inicial » Opinião » Pedro Sousa » Mil barris por segundo: a equação

Mil barris por segundo: a equação

16:00 Segunda feira, 31 de dezembro de 2007

Dentro de 3 anos serão consumidos mil barris de petróleo por segundo, o ponto de não retorno foi atingido. O actual "choque Petrolífero" é mais grave do que parece e o preço inflacionado do crude veio para ficar.

Ao contrário do primeiro choque petrolífero que ocorre devido ao embargo dos países Árabes, membros da OPEP, em resultado da guerra Israelo-Árabe do Yom Kirppur em 1973, a actual situação é totalmente distinta.

A leitura do livro "O universo da Indústria Petrolífera - Da Pesquisa à Refinação" de Jorge Salgado Gomes e Fernado Barata Alves, editado pela Fundação Gulbenkian, e eloquentemente apresentado pelo Eng. Mira Amaral no passado dia 18 de Dezembro, é de leitura obrigatória para quem quer entender melhor a nova realidade económica.

Nos anos setenta a origem do choque esteve na redução da oferta, artificialmente diminuída pelos produtores e como tal terminou inevitavelmente... em função da quebra dos acordos e com a entrada de novos produtores.

O então choque teve consequências devastadoras para as economias dos países consumidores, a curto e médio prazo, mas contribuiu para despertar consciências e alertar para a dependência excessiva da nossa economia do "ouro negro".

Infelizmente, não foi suficiente para inverter a espiral de consumo dos países mais industrializados.

Os anos passaram, e o inevitável aconteceu, o Mundo vive actualmente um novo choque Petrolífero, este com impacto extremamente penalizador a longo prazo.

A razão do choque está agora na procura, juntaram-se aos consumidores do costume, (o Japão, os Estados Unidos e a Europa), dois novos "dependentes": a China e a Índia causadores do desequilibro oferta/procura. Com a agravante desta situação ser amplificada pela instabilidade política da maioria dos países produtores e de uma actividade especulativa instalada em toda a cadeia de distribuição.

O actual desequilíbrio não é assim artificial e não pode ser resolvido politicamente.

A redução do consumo não é possível a curto prazo, uma vez que as energias renováveis não são economicamente rentáveis e a sua implantação obriga ao consumo de mais petróleo, uma vez que terão de ser produzidas com recurso à energia "tradicional".

Está assim estabelecido o cenário para os próximos anos. O petróleo passou a ser caro e as empresas não possuem margem de manobra para fazer repercutir os seus custos nos clientes finais, pois competem agora com produtos produzidos na China e na Índia a custos extremamente mais reduzidos.

Os próximos anos serão delicados. Com a redução das margens não existe "latitude" para investimentos. Assim, a criação de novos empregos na Europa é uma miragem.

Sobeja a esperança na criação de produtos de "altíssimo" valor acrescentado, da melhoria da rentabilidade das energias renováveis e a expectativa do avanço das condições sócio-económicas da China e da Índia para corrigir toda esta equação.

Pedro Sousa

Professor Universitário na FCT/UNL e Director de Inovação da Holos

Palavras-chave  opinião
Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
Lóbi do petróleo
IRIO (seguir utilizador), 1 ponto , 0:01 | Terça feira, 2 de fevereiro de 2010
Em 1927, um engenheiro português poderia ter posto o mundo a andar a água.

Mais uma vez os factos foram abafados e poucos sabem o que aconteceu.
Portugal teve em toda a sua história homens de invulgar engenho, mas nunca os soube apoiar.

Professor porque não escreve uma coluna sobre este facto para ajudar a pensar o país e o Mundo?

Estudante FCT/UNL
 
 Regras da comunidade
A história do petróleo dura…dura…dura…
Luis Gaspar (seguir utilizador), 1 ponto , 15:42 | Sexta feira, 4 de janeiro de 2008
Não acredito nem sou adepto da teoria da conspiração, mas que ela existe, existe.

O facto é que em 1940, todo o exercito alemão andava a combustível sintético, aviões incluído.

Após quase 70 anos e 2 choques petrolíferos, é difícil acreditar que não exista nem tecnologia nem alternativa viável á matéria prima fóssil, e muito menos na seriedade do esforço para a descobrir.

Eventualmente, bastaria uma alternativa suficientemente viável para cobrir as necessidades de transporte de mercadorias e passageiro, defesa e agricultura para se obter um cenário radicalmente diferente.

Tecnicamente não é possível, não é viável? Ou é apenas teoria da conspiração?
 
 Regras da comunidade
    Re: A história do petróleo dura…dura…dura…    Ver comentário
I. Aroso (seguir utilizador), 1 ponto , 18:25 | Segunda feira, 21 de janeiro de 2008
Página 1 de 1   
PUB
 
Email
O Expresso no
Arquivo
PUB




Opinião: Estamos (dis)traídos com as eleições no Irão?
17:23 Quinta feira, 11 de junho de 2009, 2
É tão complexo que até entendo!
15:00 Sábado, 27 de dezembro de 2008, 4
Correr sobre a água
11:22 Sexta feira, 5 de dezembro de 2008, 4
O Eixo do Bem?
5:03 Quarta feira, 1 de outubro de 2008,
Nós "ganhámos", mas o "atleta perdeu"
14:51 Sexta feira, 29 de agosto de 2008, 1
De facto não é!
16:14 Quinta feira, 3 de julho de 2008,
Santos da casa fazem milagres?
13:53 Sábado, 31 de maio de 2008,
Hastear bandeiras
17:00 Quinta feira, 17 de abril de 2008,
Feliz e Próspero Ano Novo
0:09 Quinta feira, 20 de março de 2008,
Só existem dois caminhos?
0:56 Sábado, 16 de fevereiro de 2008, 3
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
Grupo ImpresaACAP