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Mentiras

Daniel Oliveira
8:00 Segunda feira, 23 de fevereiro de 2009

O muito justo postulado de que todos são inocentes até prova em contrário começa a ser usado, com demasiada frequência, como uma espécie de ordem de suspensão temporária da inteligência colectiva. A ver se nos entendemos: os tribunais tratam dos ilícitos e dos crimes. Tratam da lei. Não são os reguladores gerais da verdade e da mentira. Por isso, as provas irrefutáveis que nos foram até agora apresentadas chegam para dizer que o conselheiro de Estado Manuel Dias Loureiro mentiu. Não faltou à verdade, não foi pouco rigoroso, não deu razões fundadas para suspeitas. Mentiu. E mentiu numa comissão parlamentar de inquérito que, para quem não saiba, tem estatuto comparável a um investigador judicial.

Depois do que foi divulgado na "Visão", Expresso e "Público", sabemos que, perante a comissão, mentiu na data em que deixou de ter cargos formais na Sociedade Lusa de Negócios. Mentiu no seu papel na operação de financiamento da aquisição das empresas de Porto Rico. Mentiu no seu envolvimento na compra do Excellence Assets Fund (EAF), fundo proprietário da empresa de Porto Rico. Mentiu em relação ao seu desconhecimento sobre pagamentos à Biometrics Imagineering. Mentiu quando disse que não sabia que Coutinho Rebelo trabalhava para a EAF. Mentiu para se justificar perante negócios que causaram prejuízos de dezenas de milhões de euros que estão a ser pagos pelos contribuintes. Terá agora de nos explicar que foi vítima de um súbito e implacável ataque de amnésia, que nem os documentos escritos e assinados poupou, para ficarmos seguros que o fez sem intenção.

Bem sei que neste país nada tem muita importância e a dignidade das instituições do Estado democrático tem ainda menos importância do que tudo o resto. Mas, desculpem ser maçador, alguém que mente várias vezes a uma comissão parlamentar de inquérito não se pode sentar no Conselho de Estado. Esperámos tempo suficiente para que Dias Loureiro mostrasse algum decoro. Não tem. Agora, cabe ao Presidente da República, sabendo que o Estado não está vinculado às suas amizades pessoais ou cumplicidades políticas, mostrar a Dias Loureiro a porta da rua. Pode fazê-lo de forma mais educada ou mais rude, mas tem de o fazer. Esta novela já ultrapassou há demasiado tempo todos os limites do suportável.

Aproveitar a crise

Para quem tenha poucos escrúpulos, a crise é sempre um momento de grandes oportunidades. Todos conhecemos relatos de abusos de quem julga que por ser dono de uma empresa é dono do presente e do futuro das pessoas que nela trabalham: falências fraudulentas, despedimentos ilegais, recibos verdes que o não são, lay-off para sacar algum dinheiro ao Estado, chantagem sobre funcionários, perseguição a quem ouse recordar que ainda tem direitos. Portugal, já se sabe, tem muitos patrões e poucos empresários. Este é um dos nossos atrasos. E é neste momento, em que as pessoas estão mais fragilizadas, que o Estado tem de ser mais firme. Para isso era bom que tivesse meios. Se conseguiu investir tantas energias, tanto dinheiro e tantos recursos mediáticos no combate às colheres de pau, talvez pudesse dar sinais do mesmo vigor na fiscalização do que se está a passar, de forma bastante visível, em tantas empresas. Isto, claro, partindo do princípio de que para o Governo as pessoas ainda valem mais do que uma caçarola.

Daniel Oliveira

Palavras-chave  opinião, BPN, dias loureiro, sln
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Caro Daniel, obrigado
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 9:24 | Segunda feira, 23 de fevereiro de 2009
como cidadao Portugues tenho que lhe agradecer por esta cronica, nao na va esperanca de uma "posicao" por parte de quem devia toma-la(Cavaco Silva nunca sairA do seu trono da certeza inabalavel).
No entanto fico orgulhoso de ter um compatriota com a coragem e dignidade de escrever o que pensa Portugal
 
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    Mentiu e    Ver comentário
El_luli (seguir utilizador), 1 ponto , 18:21 | Segunda feira, 23 de fevereiro de 2009
Grande equívoco!
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 11:12 | Segunda feira, 23 de fevereiro de 2009
Concordo, que é grave mentir, que é grave que Dias Loureiro tenha mentido à Comissão, é grave Dias Loureiro não reconhecer que se deve sair pela porta em vez de se ficar à espera de ser atirado pela janela.
Não concordo quando diz que as faltas imputáveis a Dias Loureiro têm como consequência serem pagas pelos contribuintes.
Se o são, não é culpa de Dias Loureiro, mas sim de um desgoverno que foi muito rápido a nacionalizar, isto é, usar o dinheiro que lhe foi entregue pelos contribuintes para pagar todos os desmandos feitos pelo BPN.
A pergunta a fazer é: quem é que ficou a ganhar com a nacionalização? Havia o famigerado "risco sistémico" ou houve interesses não declarados?
Se a administração do BPN fez negócios ruinosos ou negociatas ilegais, deve ser a administração a responder perante a Lei; se o governo obrigou os contribuintes a sofrer as consequências, deve ser o governo que deve responder perante os contribuintes que não foram "tidos nem achados" na solução!
 
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Eficiência na Justiça Parlamentar
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 11:41 | Segunda feira, 23 de fevereiro de 2009
DL de Dias Loureiro e não de Decreto Lei, foi ao Parlamento e respondeu a perguntas de uma Comissão de Inquérito. Não disse a verdade. Em vários países do mundo, que não em Portugal, quem não diz a verdade é chamado de mentiroso. Nada acontece. Torna-se assim legitimo não dizer a verdade às Comissões de Inquérito Parlamentares.

É uma inovação absoluta. Finalmente as elites do rotativismo (ora PS ora PSD) dão um contributo para o funcionamento da Democracia tal como é entendida nos países a Sul do Saara

Permitir e legalizar que os inquiridos possam faltar à verdade. Acabar com aqueles juramentos ridículos e ultrapassados que se vêm nos filmes americanos do século passado do tipo “Juro dizer a Verdade, apenas a Verdade e nada mais que a Verdade”. As elites do país tem agora uma alternativa que já demostrou as suas virtudes. Permitir que os inquiridos possam mesmo mentir descaradamente. Assim torna-se mais fácil em casos de corrupção chegar a um veredicto de inocência mais depressa.

Neste como em tantos outros casos as elites do rotativismo (ora PS ora PSD) nem a si mesmas se respeitam.
 
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    Re: Eficiência na Justiça Parlamentar    Ver comentário
Isabel Coutinho (seguir utilizador), 1 ponto , 16:28 | Segunda feira, 23 de fevereiro de 2009
    Tem razão    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 12:25 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
    Re: Tem razão    Ver comentário
Isabel Coutinho (seguir utilizador), 1 ponto , 0:13 | Quinta feira, 26 de fevereiro de 2009
    Re: Tem razão    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 0:49 | Quinta feira, 26 de fevereiro de 2009
...
corta bushos (seguir utilizador), 1 ponto , 16:35 | Segunda feira, 23 de fevereiro de 2009
pobres e burros. é o que somos!
 
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Pobres de nós
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 18:55 | Segunda feira, 23 de fevereiro de 2009
Vai fazendo escola, com particular incidência nos correligionários do “bloco de esquerda” (essa força política que ainda ninguém percebeu muito bem ao que anda), a personalização dos, por eles julgados, males sociais.
Independentemente das razões e das culpas, colocam sistematicamente os problemas de pernas para o ar. Isto só ajuda à vitimização dos que, transformando-se em bodes expiatórios, acabam por beneficiar das acusações que lhes imputam.
As tropelias dos “grandes senhores “ só acontecem porque a sociedade está estruturada de uma forma que permite que aconteçam. Seria pois mais interessante mostrar onde as regras foram quebradas, onde as normas são inadequadas e depois, sem moralismos subjectivos, apontar a pena para o delito nuns casos e noutros as regras que, na sua perspectiva, seria conveniente criar. Ou seja, os prevaricadores surgiriam como a consequência duma sociedade permissiva que se pretende melhorar e não como os bandidos fora-da-lei com os super-poderes para enganar tudo e todos. Pobres e culpados, esses sim, esses “tudo e todos” que não se souberam defender!
 
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Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 15:49 | Quinta feira, 26 de fevereiro de 2009
    Olho por olho    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 14:45 | Sexta feira, 27 de fevereiro de 2009
    Não sou zarolho    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 16:22 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
    Chacha    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 16:41 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
Tenho de aplaudir!
makiavel (seguir utilizador), 1 ponto , 1:04 | Quinta feira, 26 de fevereiro de 2009
Alguém que chamou as coisas pelo nomes.
Em vez de usar o politicamente correcto : "Será esclarecido", "Alegadamente", "Não é certo que"

Mentiu - este é o termo de que todos falam baixo.

No país onde até o ladrão de carros que ameaça pregar balázios no condutor desprevenido, se leva o troco de um polícia diligente, passa a "jovem barbaramente baleado pela PSP por alegadas ameaça de carjacking ", neste mesmo país do politicamente correcto quando convém, é raro assumir a evidência.

Portanto, caro Sr. Dias Loureiro, que alegadamente sofre de disfunção cognitiva da memória factual, desculpe o mau feitio, mas o Sr. é de facto, mentiroso.

Ainda se fosse um assalto e o Sr. fosse baleado pela polícia...ainda se safava. Mas assim, sem bala, nem perseguição policial, nem tiroteio...assim não pode ser canonizado "jovem perseguido".

Mentiu e pronto!
Temos pena.
 
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AFINAL É Só TRETA
violinonotelhado (seguir utilizador), 1 ponto , 1:24 | Quinta feira, 26 de fevereiro de 2009
Ó DANIEL quando você aparece na comunicação social, TV e jornais, eu estou sempre à espera para ouvir voce dizer que vai, com o Carvalho da Silva e um rapaz da Quercus, abrir uma fábrica para admitir operários que estão no desemprego, pagar acima da média, exportar para o Mundo, pagar os impostos devidos, repartir os LUCROS com o pessoal e viver feliz. Mas afinal você não promete nada disto. Só diz mal dos empresários e em geral de tudo. Ó homem arrisque, tome iniciatica empresarial e deixe de andar sentadinho a botar faladura por tudo que é sitio. De papagaios estamos fartos. Queremos é trabalho e obra. Estou desiludido consigo mais uma vez.
 
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Mentiras
doctorcj (seguir utilizador), 1 ponto , 17:18 | Sábado, 28 de fevereiro de 2009
No nosso país ninguém mente. Um gordo não é gordo é forte: um corrupto não corrompe "solicita o obséquio de...": não rouba mas desvia; não mentiu faltou à verdade, etc, etc, etc.... Estava aqui a tarde toda..... A culpa é sempre do Mordomo ou na falta deste, do "gajo" do lado. O DL mentiu! É um facto. Mandem-no rezar 3 padre- nossos e duas avé-marias e fica absolvido! Pois, não o confessei mas dei-lhe a penitencia.
 
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Queria... o quê?
Ricardina (seguir utilizador), 1 ponto , 17:53 | Segunda feira, 2 de março de 2009
Violinotelhado, e que queria que um bloquista defendesse?

Deus nos livre é de, alguma vez BEs PCPs e quejandos chegarem um dia ao poder...

Como experiência, já chegou a do famigerado PREC, de que ainda há para aí alguns saudosistas!

 
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