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Mentir e faltar à verdade

Fernando Madrinha
8:00 Terça feira, 24 de novembro de 2009

A palavra do ministro das Finanças é metade da credibilidade de um Governo. E se falha uma vez nunca mais se recupera. Para deixar a sua palavra em xeque, o ministro das Finanças não precisa de mentir. Basta que dê respostas viciadas como as que os ministros 'políticos' dão no Parlamento, ou em conversas com jornalistas.

Teixeira dos Santos ganhou a confiança do país, não só pelos resultados obtidos no combate ao défice, mas por parecer um ministro diferente.

Sempre falou claro e, aparentemente, com a intenção de esclarecer, sem truques nem malabarismos para iludir o povo ignaro que não domina o 'economês'. Sempre se apresentou com a atitude simples de um técnico seguro, antivedeta e anti-herói por natureza, cujos principais méritos políticos eram a humildade e o bom senso, valores que os políticos politiqueiros desprezam. O país olhava-o como uma pessoa de confiança e bem intencionada. Foi por isso que, apesar do desastroso balanço do seu mandato, culpou a crise e desculpou o ministro, encarando com naturalidade e agrado a sua permanência no segundo Governo de José Sócrates.

Teixeira dos Santos pode dizer que nunca mentiu a propósito do orçamento rectificativo. O que afirmou repetidas vezes foi apenas que a despesa estava controlada, pelo que não via necessidade de um orçamento suplementar - mesmo quando muitos economistas já falavam de um défice de oito por cento ou mais. Só que esta sua resposta, não sendo uma mentira declarada, era, como agora se percebeu, um manto diáfano para esconder a verdade. E é assim que, de um dia para o outro e pela boca do mesmo ministro das Finanças, o orçamento rectificativo passa de perfeitamente desnecessário a absolutamente indispensável.

O que fez Teixeira dos Santos, ou o que se prestou a fazer, foi omitir e adiar as más notícias sobre a situação real das finanças públicas com deliberada intenção e propósito eleitoralista. Não mentiu, mas também não disse a verdade. E, só por isso, o Governo, com menos de um mês de exercício, acaba de perder o ministro das Finanças, isto é, metade da sua credibilidade.

Quarenta anos bastam

O Governo e os economistas dizem que teremos mais um ano de desemprego galopante, se tudo correr pelo melhor. E correrá? Ninguém o pode garantir. A prometida reforma do capitalismo foi mero desabafo num momento de aflição e o sistema continua a funcionar praticamente nos moldes em que funcionava antes, com o capital financeiro livre para os mesmos vícios e desmandos que quase levaram o mundo à ruína.

Acresce, no caso português, um Estado pedinte e apertado pelo défice, além de empresas que foram muito rápidas no despedimento ao primeiro sinal de crise, mas que só voltarão a contratar quando a retoma estiver segura. Assim, dezenas de milhares de jovens à procura do primeiro emprego continuarão sem o encontrar em 2010. Isto enquanto trabalhadores mais velhos ainda activos sentem o posto de trabalho como uma canga, após 40 ou mais anos de labuta, e de bom grado dariam lugar aos jovens.

O aumento da esperança média de vida, conjugado com a diminuição da natalidade e a consequente redução das contribuições para a Segurança Social, força os Estados a retardarem cada vez mais a idade da reforma. Parece não haver alternativa. Mas quem trabalha desde os 15/16 anos e desconta para a reforma há mais de 40 não devia ser obrigado a esperar pelos 65 para ter direito à pensão por inteiro. Enfrenta uma situação de injustiça relativa perante os restantes cidadãos, visto que precisa de trabalhar mais anos para obter o mesmo direito. E ocupa, em muitos casos com duvidosa produtividade, postos de trabalho que estariam mais bem entregues a jovens que por eles anseiam.

Este tema do direito à reforma por inteiro após 40 anos de descontos anda na agenda política desde que o Bloco de Esquerda o introduziu, na anterior legislatura. O PCP retoma-o agora com outra iniciativa legislativa. Representa com certeza algum custo para o Estado, mas deve merecer uma atenção especial do Governo e dos partidos. Já porque abre espaço ao emprego para jovens e outros desempregados, já porque não é justo roubar-se o direito à velhice a quem, há muitos anos, a pobreza roubou o direito à juventude.

Corrupção e Justiça

Desde 1998, ano em que a Transparency International elaborou o seu primeiro índice sobre "percepções de corrupção", Portugal tem ocupado uma posição relativamente estável - entre 6.3 e 6.6 numa escala de zero a dez, sendo dez o melhor resultado possível. Só nos últimos dois anos caiu de forma significativa, ficando este ano abaixo dos seis pontos (5.8).

Para termos algumas referências, a Nova Zelândia está no topo com 9.4 e a Somália no fundo com 1.1, a Grécia fica-se pelos 3.8, a Itália pelos 4.3 e a Espanha está nos 6.1 - um pouco melhor do que Portugal, embora tenha caído mais do ano passado para este ano. Só que ali houve inúmeros condenados a penas de prisão e outras, decorrendo neste momento 730 investigações a políticos e agentes públicos por corrupção.

Quer dizer, a Espanha desce no índice, mas a própria Justiça espanhola confirma, pelos seus actos, a percepção dos analistas. Num país onde os processos são poucos e as condenações nenhumas, como é o caso de Portugal, o índice da Transparency é também um atestado de incompetência para a justiça portuguesa.

Fernando Madrinha

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Desemprego
Politik in ku recto (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 9:20 | Terça feira, 24 de novembro de 2009
"Se há pessoas desempregadas é porque o número de pessoas que procura emprego é superior ao número de empregos disponiveis" - La palice. Para solucionar o probelema ou se aumenta o número de empregos ou se diminui o nº de quem os procura - idem. Como os futuros velhos têm medo de não haver quem lhes mude as fraldas querem que haja cada vez mais jovens, que no futuro serão velhos, que... como se chamava aquele senhor...Malthus?
 
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Governar é a arte do possível
PIANINHO (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 12:02 | Terça feira, 24 de novembro de 2009
A crise mundial, instalou-se em todas as economias e concomitantemente nas finanças a partir do 3º. Trim. de 2008. Os agentes económicos/financeiros assumem, sabem-no e reconhecem que depois de 1929, nunca houve uma crise tão gravosa no mundo inteiro nos últimos 80 anos e que actualmente ainda não passou e continuará a ter reflexos tanto maiores quanto mais frágeis sejam as estruturas económicas dos países, como é o nosso caso.
Os custos adicionais que foi indispensável o governo assumir, para atender às situações mais gravosas das empresas e das pessoas, exigidas pela situação que a crise gerou, são muito elevadas para a nossa debilitada estrutura financeira.
Mas era difícil recusar os apoios indispensáveis para manter em funcionamento as empresas bem como as pessoas em sérias dificuldades de sobrevivência.
O governa recusou atender muitas das exigências que as
oposições queriam impor, que isso sim, delapidavam por completo as finanças públicas, pelos excessivos encargos que acarretariam nos cofres públicos. Habitualmente esta irresponsabilidade contida, nunca é comentada pelos analistas comentadores.
A urgência das decisões a tomar acarreta riscos para o bem e para o mal, que à posterior, numa análise fria, é susceptível com os novos dados em presença poder dizer-se que o caminho seguido podia ter sido outro,como diz o outro, prognósticos só no fim do jogo,que é a forma de as pessoas se enganarem menos.
Este Ministro foi um técnico/politico à altura das dificuldades.
 
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Reforma por inteiro ou reforma máxima?
CondestavelXXI (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 10:42 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009
Desconheço se em Portugal há um montante máximo para a reforma de qualquer pessoa. Agradeceria se alguém pudesse esclarecer este assunto.
O que posso informar é que em Espanha ninguém pode ter uma reforma superior a 33.383,14 € anuais, ou seja, 2.384,51 €/mês se dividirmos por 14 mensalidades. Por este processo, aos espanhóis melhor remunerados não lhes interessa trabalhar mais anos que os suficientes para conseguir a reforma máxima.
Pode-se perguntar o que é que um reformado normal faz com mais de 33.000 €/ano além de viver dignamente? Acumular ou desperdiçar! Se tinha rendimentos superiores quando no activo, tem inclusive obrigação de ter pelo menos algumas poupanças, PPRs, seguros, etc.
 
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    Re: Reforma por inteiro ou reforma máxima?    Ver comentário
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 18:50 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009
    Re: Reforma por inteiro ou reforma máxima?    Ver comentário
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 19:29 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009
    Re: Reforma por inteiro ou reforma máxima?    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 19:09 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009
Humildade e bom senso? Não brinque comigo.
np40af3 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:50 | Terça feira, 24 de novembro de 2009
Fernando Madrinha anda distraído, no mínimo.
Há muito tempo que se percebe que este ministro é mais político que técnico. Com decisões técnicas erradas, porque cede à políitica.
Baixar o IVA foi o quê? Para vir dizer agora que as receitas fiscais diminuiram por culpa da crise?
Aumentar os salários públicos em 3% com a inflação em 1%? E agora pagamos todos, não é?
Nacionalizar o BPN num fim de semana sem conhecer o verdadeiro buraco em que se metiam. Com o aval do Governador do Banco de Portugal numa folha A4. Isto é o que? Competência técnica?
Não brinque comigo.

 
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    Re: Humildade e bom senso? Não brinque comigo.    Ver comentário
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 22:45 | Sexta feira, 27 de novembro de 2009
Contagiado pelo populismo!!!
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:42 | Terça feira, 24 de novembro de 2009
Tornou-se claro que o nosso Ministro das Finanças deixou-se contagiar pelo sentido populista e eleitoralista do Chefe de Governo!! Era dos poucos que se encontrava imune a esse vírus diabólico e perverso mas não resistiu!!!!

Infelizmente o nosso Governo é um autêntico "flop" que apresenta como principal objectivo a febre eleitoralista e populista governando para as sondagens deixando de lado as reformas urgentes e necessárias para o país!!!

Relativamente aos dados do desemprego, acredito que se forem contabilizadas as pessoas desempregadas que se encontram em formação a taxa actual deverá estar nos dois dígitos!!! Para resolver esta calamidade é necessário implementar reformas sérias, responsáveis e corajosas que permitam melhorar o investimento em empresas produtoras de bens exportáveis de forma a equilibrar a nossa balança comercial e crescer economicamente!!!

No que concerne à nossa Justiça é um dos sectores a reformar necessitando de celeridade, de eficiência, de seriedade e de responsabilidade de forma a restaurar a confiança das famílias e das empresas neste sector estratégico de um Estado Democrático!!!
 
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A corrupção espanhola
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 11:08 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009
Em Espanha, a especulação imobiliária até ao extremo, proporcionou uma autêntica febre de requalificação de solos pilotada pelos corruptores da construção. Nenhum 'ayuntamiento' terá escapado à doença, tendo chegado a haver assassinatos de 'alcaldes', tal era a ganância instalada.
A justiça está sobrecarregada mas é possível que actualmente a corrupção de base imobiliária tenha diminuido simplesmente devido à saturação do mercado.
     
 
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Mentir e faltar à verdade
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:21 | Segunda feira, 30 de novembro de 2009
É um pregaminho típico socialista troca de bom grado a razão pela sensação, pela paixão e pela imaginação.

 
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