O avanço do fundo de retorno absoluto dos clientes do Banco Privado Português (BPP) aniquilará todas as possibilidades de recuperar a instituição financeira, disse o presidente da Privado Holding, Diogo Vaz Guedes, em declarações à agência Lusa.
"É cada vez mais difícil salvar o banco", admitiu, sublinhando que o avanço do fundo de retorno absoluto será "a sentença de morte" do BPP.
O presidente da Privado Holding, que detém 100 por cento do BPP, disse que trabalhou mais de um ano no plano para a recuperação do banco, mas que o saneamento da instituição "esbarrou sempre na vontade política".
Em fevereiro, a Privado Holding e a Orey Finantial apresentaram ao Banco de Portugal um plano de recuperação do BPP, que inclui a emissão de 450 milhões de euros em obrigações e a injeção de 85 milhões de euros em dinheiro. O plano depende da manutenção da garantia estatal de 450 milhões de euros, que o Governo já disse que não ia aceitar.
Incoerência na intervenção do banco
Por isso, Vaz Guedes denunciou "a incoerência do Ministério das Finanças e do Banco de Portugal", uma vez que quando decidiram intervir no banco, foi com o pressuposto da sua recuperação.
Os clientes de retorno absoluto do BPP poderão aderir ao Fundo Especial de Investimento (FEI) até ao dia 19 de março.
O megafundo de retorno absoluto, solução patrocinada pelas autoridades para resolver o problema dos clientes do BPP, só avança caso seja constituído por, pelo menos, dois terços dos clientes, ou que representem, no mínimo, 50 por cento do valor dos ativos subjacentes aos veículos de investimento.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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