O ex-líder do PSD Luís Marques Mendes disse, ontem à noite, em Guimarães, que o caso das escutas do processo Face Oculta que envolvem a TVI "é uma vergonha que ultrapassa todos os limites e todas as marcas".
"É muito grave pelas consequências que tem, pois fica claro, no plano político, que o Governo tinha um plano ao mais alto nível para controlar a informação", afirmou, considerando que o caso "tem consequências para a credibilidade do Governo e do primeiro-ministro, que fica pelas ruas da amargura".
O ex-dirigente do PSD e ex-ministro falava aos jornalistas à margem da intervenção que proferiu na conferência intitulada "Ser Social-Democrata", organizada pela Comissão Política da JSD de Guimarães.
"Governo cada vez mais fraco"
Assinalando que todos os governos "têm os seus pecadilhos" em matéria de interferência na comunicação social, Marques Mendes perguntou: "Como é que se respeita um primeiro-ministro que age desta forma, com o objetivo de controlar a informação?"
Disse que "o caso é tanto mais grave quanto é certo que Portugal vive uma crise económica grave, uma crise financeira gravíssima e uma crise social quase explosiva".
"No meio disto, em vez de um Governo forte, que se dá ao respeito, em vez disso, temos um Governo cada vez mais fraco, que ninguém respeita", lamentou.
Mendes pede responsabilidades
Questionado sobre se o Presidente da República deve ou não intervir no caso, Marques Mendes escusou-se a tecer considerações, dizendo apenas que cada um deve assumir as suas responsabilidades.
"O Governo e o primeiro-ministro devem assumir as suas responsabilidades num caso que degrada e debilita a sua imagem de respeitabilidade", frisou.
No entender de Marques Mendes, o caso não é, porém, motivo para a demissão do Governo. "Já temos tanta irresponsabilidade no país que só faltava agora termos uma crise política", observou.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.