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Mário Soares, Charles Darwin e Expresso

João Pereira Coutinho
8:00 Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009

Inferno


Mário Soares


Gosto de ler o dr. Mário Soares: quando tenho alguma dúvida sobre a opinião média da esquerda antiliberal, o dr. Soares é o termómetro perfeito para medir a temperatura da tribo. Agora, na sua prosa semanal para o "DN", o dr. Soares informa-nos que o Presidente Barack Obama "continua a não perder tempo" na construção do mundo fraterno e glorioso que prometeu no seu discurso inaugural. E, a título de exemplo, o dr. Soares cita as nobres intenções do Presidente em controlar os gastos da sua equipa e a forma contumaz como verberou as roubalheiras da alta finança.

Curiosamente, e talvez por esquecimento, o dr. Soares não parece ter reparado nas duas medidas mais importantes da nova administração Obama até ao momento.

A primeira foi a intenção de encerrar Guantánamo (aplausos), mas não a de abolir a tortura por completo (o quê?). Verdade que, na sua deliciosa retórica, Obama deseja limpar a imagem moral da América, proibindo a tortura tout court. Mas, na prática, "técnicas de excepção" no interrogatório a terroristas perigosos (uma forma simpática de tortura a la carte) continuarão a ser autorizadas pelo Presidente. O dr. Soares, pelos vistos, não deu por nada.

Como também não deu pela intenção da nova administração em continuar o rapto secreto e a transferência de prisioneiros para países aliados dos Estados Unidos - as célebres "rendições" que tanto indignaram o dr. Soares no passado.

Percebe-se. Uma coisa era ter Bush a torturar e a raptar por aí. Outra, bem diferente, é ser Obama a fazê-lo com a pinta cool que manifestamente faz as delícias do nosso Mário.

Purgartório


Charles Darwin


Passaram 200 anos sobre o nascimento de Charles Darwin e a imprensa nativa, fazendo eco das festividades internacionais, dedicou algumas páginas ao senhor. Nada mais justo: Darwin alterou radicalmente a nossa visão sobre o Homem. Sobre as suas origens, comportamentos e capacidades. Pena que, no meio das celebrações, algumas perguntas tenham ficado por fazer.

São precisamente essas perguntas em falta que podemos encontrar num dos melhores livros sobre o evolucionismo e os seus limites; um livro que, infelizmente, não vi citado na revisão da bibliografia especializada. Intitula-se "Beyong Evolution" (Oxford University Press), foi escrito por um antigo professor meu (Anthony O'Hear) e pretende defender que alguns aspectos da nossa humanidade não encontram resposta nas teorias evolucionistas, centradas em questões de sobrevivência e reprodução. A nossa busca desinteressada de conhecimento; o nosso amor pela verdade; e até a abertura do humano para o belo e o sublime são comportamentos que parecem desmentir Darwin e, em certos casos, remam directamente contra ele.

Um dos exemplos mais caros a O'Hear é Sócrates (o filósofo), condenado à morte na Antiguidade helénica. O'Hear pergunta: porque motivo Sócrates aceitou as leis da cidade, recusando-se a fugir de Atenas? O'Hear responde: porque a fuga seria desonrosa para o próprio. E são precisamente conceitos tão antidarwinistas como este - conceitos de "honra", "sacrifício", "nobreza de espírito" - que, 200 anos depois, continuam a intrigar os símios.

Paraíso


Expresso


Hoje é dia dos namorados e eu, rapaz romântico, termino aqui uma relação de cinco anos por decisão estritamente pessoal. Falo da minha relação com o Expresso, claro, e não posso deixar de partir com alguma frustração à mistura. Entendam: eu faço parte de uma geração que cresceu com o semanário "O Independente". E fazer parte dessa geração implicava olhar para o Expresso como o "saco de papel" institucional e cinzento, onde a liberdade criativa não abundava. O Expresso era o inimigo: na filosofia e nas vendas. Abominar o Expresso era o dever de qualquer colunista "conservador" que se prezasse.

Pois bem, estes cinco anos de colaboração com o Expresso foram a prova semanal de que estava errado. Com José António Saraiva, primeiro; e com Henrique Monteiro, depois, o Expresso foi, ironia das ironias, um prolongamento natural da doce liberdade, e da doce inconsciência, que eu bebi no "Independente". Sim, era bom bater com a porta, armar barraca, acusar o Expresso de maldades várias. Mas o Expresso é um desmancha-prazeres: nesta casa, escrevi sempre o que quis, como quis, onde quis. E, pior, directores e editores foram permitindo e apoiando, sem pressões, sugestões ou hesitações de qualquer espécie, os meus recorrentes números jornalísticos. Se falhei, falhei por mim. Se acertei, foi por minha conta e risco. É pouco?

Não, leitores. É tudo. A liberdade é a condição básica de que vive qualquer colunista. Hoje, cinco anos depois, saio como entrei: grato e de cabeça limpa.

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Parece-me q se enganou no titulo em vez de Mario
Annia (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:36 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
Soares...queria dizer Barack Obama, mas para se desviar da sua obsessão preferiu satirizar Mario Soares.
Você é a personificação de perda de tempo!
 
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os genes do altruismo
ajotaef (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 1:47 | Quinta feira, 19 de fevereiro de 2009
http://www.tendencias21.n...
Passando de lado a possibilidade de a evolução biológica ababar na espécie que a descobre passando-se para um novo patamar de evolução, que passou a ser cultural, bal, lala...há que pensar na lógica óbvia de que os genes egoistas não se preocupam com o indivíduo mas com a espécie. Ora o altruismo, seja socrático, seja cristão seja meramente ético é inegavelmente uma vantagem potencial para o animal social por ser inegavelmente uma vantagem de sobrevivência desde os grupos de primatas ao homem civilizado! Depois, Darwin era apenas um cientista, não um político nem um doutrinador, embora os seus detracores tivessem preferido combate-lo como um profeta diabólico.
Finalmente, o evolucionismo de Darwin hoje em dia vale o que valem todos os pioneiros da ciência desde Galileu, ou seja, sobretudo por terem aberto os olhos há humanidade contra a vontade de todos os poderes de má fé! Obviamente que homens de boa fé também os houve nos tempos da ética socratica ou cristã mas...não basta bater no peito para se ser pessoa a sério pois há muito trabalho ainda a fazer!
 
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Sócrates e os símios.
kcorreia (seguir utilizador), 1 ponto , 12:33 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
Será que o seu professor escreveu o “ Beyong” Evolution ou o Beyond Evolution????

Não está em causa se Darwin encontrou as respostas certas, o importante é que Darwin COLOCOU sempre as perguntas certas!

Darwin também dizia… não são os mais fortes nem os mais inteligentes que têm mais hipóteses de sobreviver, mas sim os que melhor se adaptam ao meio…Está assim explicado o desaparecimento do Sócrates.
 
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É pena
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 13:02 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
1- É curioso que os mais brilhantes cérebros da direita sejam perfeitos terroristas, apologistas da terra queimada! Vide Paulo Portas ou aqui o JPC. Evocam muito a liberdade e pouco a responsabilidade das sua acções / escritos. São capazes de arrasar, sem escrúpulos, seja o que for, ou quem for, just for the fun...
2- É pena que os mais brilhantes cérebros da direita sejam inconsequentes e nada emprestem ao país a não ser o ar (legitimamente) divertido, com que fazem as coisas. Há algo de dandy e muito de diletante, nesta gente.
3- Espanta-me sempre a burrice nas pessoas manifestamente instruídas. Coisa muito comum, aliás. Exemplo é pessoas com dois dedos de testa e muita erudição serem crentes em deuses! Não deve ser fácil viver essa contradição e a ânsia de arranjar argumentos chega a tornar-se patética...
 
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    ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ    Ver comentário
Zékkinha (seguir utilizador), 1 ponto , 14:29 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
    Re: É pena    Ver comentário
J Saints (seguir utilizador), 1 ponto , 9:17 | Sexta feira, 27 de fevereiro de 2009
Ó JPC, não se meta por caminhos de areia movediça.
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 15:46 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009

Há muitos exemplos na natureza de animais que se sacrificam em prol do grupo, que são orgulhosos e com sentido de honra (veja, por exemplo, um programa qualquer sobre gorilas ou búfalos africanos). Esse tipo de argumentação pretende justificar a crença num dogma que não é passível de prova, ie, a existência de Deus.

Darwin foi muito à frente mas é óbvio que a complexidade da natureza justifica mais do que uma vida para a compreender e explicar na totalidade, no entanto, e apesar disso, Darwin quase que desvendou o que havia por desvendar.

Olhe, só lhe posso dar um conselho: ADAPTE-SE ou corre o risco de ficar para trás.

 
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    Re: Ó JPC, não se meta por caminhos de areia moved    Ver comentário
Nanquim (seguir utilizador), 1 ponto , 5:02 | Terça feira, 17 de fevereiro de 2009
Parabéns ao Expresso
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 16:22 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
João Pereira Coutinho é contraditório /demagógico. Ele reclama-se neo-liberal, mas simultaneamente defende que qualquer pessoa em qualquer parte deve ser presa pelo governo americano e torturada. Se isso é ser liberal ...vou ali e já venho. Para essa atitude ocorre-me um termo mais apropriado.

João Pereira Coutinho é a prova que nem todo o ser humano busca desinteressadamente a verdade. O que ele busca é fazer a apologia do desrespeito pelos Direitos do Homem, defendendo a tortura, o rapto e a prisão sem culpa formada.

Com a saída de JPC o Expresso fica a ganhar, já que não terá uma voz que ao longo do tempo sempre escreveu textos medíocres a defender causas imorais. Dou por isso os meus sinceros parabéns ao Expresso.
 
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finalmente uma noticia feliz no Expresso
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 17:41 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
ele vai-se embora "lay off" com certeza, por mim nao merecia lugar de tanta importancia.

Podemos e devemos obviamente criticar mas insultar um dos homens que mais lutou por um paIs livre e democratico, sO mesmo de um fascista tipo JPC.

O seu comentario sobre Darwin resulta de tiques obvios de um socio pata ignorante.

Patetica a sua declaracao de "amor" ao expresso, obviamente um parasita que recebeu a noticia como um choque
 
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Limpeza !
Kavai (seguir utilizador), 1 ponto , 22:32 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
Sai de cabeça limpa !!! E o Expresso também ficou mais limpo com a sua saída. Só me admira como é que os directores aguentaram durante cinco anos este tipo de articulista !
 
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João Pereira Coutinho
Fernando Miguel (seguir utilizador), 1 ponto , 21:40 | Quarta feira, 18 de fevereiro de 2009
Um grande senhor que abandona o expresso.Sem dúvida o meu preferido e um dos meus ideais. Desejo - lhe sorte no seu futuro profissional.

Os meus cumprimentos
 
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jpc
ngod*1966 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:24 | Quinta feira, 19 de fevereiro de 2009
Tenho pena que deixe de escrever para o Expresso!
Li há pouco as crónicas antigas (o sorriso de Ben Afflec e sobre Nápoles) e achei muito, muito boas. Meio louco, certeiro, independente...
 
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Trilho desenhado pelo tempo
Alexandra Mata (seguir utilizador), 1 ponto , 20:34 | Quinta feira, 26 de fevereiro de 2009
A chuva envolve levemente cada trilho desenhado pelo tempo. Tacteia, mobiliza e segrega o que empolga. Expande-se pelos imensos acessos, espectros de si.
É, sabe, sente e pensa.
Os meus melhores cumprimentos.

P.S: A perícia está no mérito.
 
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Vais mesmo???
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 18:15 | Quinta feira, 12 de março de 2009
Prometes!!!
 
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6 Meses?
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 2:48 | Segunda feira, 30 de março de 2009
Tenho a impressão de já ter lido esta artigo há cerca de dois meses.

Mas devo estar enganado.
 
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