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Maria Filomena Mónica, Barack Obama e pensamento politicamente correcto

8:00 Segunda feira, 1 de dezembro de 2008

PARAÍSO

Maria Filomena Mónica

Maria Filomena Mónica: quando cito o nome, os literatos fazem cara de caso. Filomena Mónica não gosta de Portugal, não gosta dos portugueses, dizem. Eu pasmo. Primeiro, porque a obra de Filomena Mónica, nos jornais ou na Academia, foi inteiramente devotada a Portugal e aos portugueses. Estaremos na presença de um caso de sadomasoquismo mental? E, segundo, porque a paixão talvez seja a inversa: Filomena Mónica representa o tipo de "estrangeirada" de que a pátria não gosta. Os portugueses preferem ser tratados como crianças, não como adultos. Filomena Mónica não paternaliza.

Um bom exemplo do que digo vem em novo livro de crónicas. Intitula-se, curiosamente, Nós, Os Portugueses (Quasi). Digo "curiosamente" porque não deve ser fácil, para a autora, usar a primeira pessoa do plural: Filomena Mónica é uma individualista no sentido mais nobre, e mais clássico, do termo, o que inevitavelmente significa, num país que sempre olhou para o Estado como princípio e fim dos seus desejos e aspirações, que a autora agradece que o Estado fique à porta de casa. Que não lhe diga como viver (ou morrer).

Mas Filomena Mónica, alma liberal, não é propriamente uma libertária. O Estado tem o seu papel fora de casa: acudir à pobreza; tratar de uma justiça morosa e comatosa; reformar, se possível, um ensino "sentimental" e medíocre; tratar da memória colectiva, o que implica tratar do nosso património histórico e documental; e, aplausos meus, parar com a destruição arquitectónica que os autarcas lusos foram impunemente promovendo nas respectivas paróquias. É pouco? Não. É tudo. E se isto é detestar Portugal, eu brindo a semelhante desafecto.

PURGATÓRIO

Barack Obama

Confesso que ainda não parei de rir. Obama: Democrata ou Republicano? Se eu tivesse aterrado agora mesmo no planeta Terra, teria algumas dificuldades em definir o homem. Uma coisa é o que dizemos durante a campanha eleitoral. Outra, ligeiramente diferente, aquilo que o mundo real nos obriga a fazer quando chegamos à Casa Branca. Durante a campanha, Obama prometeu "mudanças", e mesmo "mudanças radicais", se fosse eleito presidente. As promessas inflamaram os corações da criadagem, já devidamente amolecidos pela cor do candidato, que desataram a dedicar a Obama sonetos de amor eterno. E agora?

Agora, Obama devolve tanta poesia com um regresso aos consulados Clinton ou, pior ainda, com um mero prolongamento dos consulados Bush. Brinco? Não brinco. Basta citar o nome de Hillary Clinton para secretária de Estado: como justificar a escolha de uma mulher que não apenas votou a favor da guerra iraquiana (em clara dissonância com Obama) como parece ser um "falcão" de saias na sua extraordinária retórica anti-iraniana?

Eu juro que não sei. E também não sei como defender a escolha de Rahm Emanuel para chefe de Gabinete (um menino bonito da NAFTA) e mesmo de Timothy Geithner, o presidente da Reserva Federal em Nova Iorque que, a confirmar-se no Tesouro, não será propriamente meigo com qualquer delírio "socialista".

Claro que, pelo meio, Obama irá distribuir umas migalhas pelas "pombas": fechar Guantánamo e verter umas lágrimas pelo futuro do clima. Mas as primeiras escolhas tranquilizam qualquer moderado. E deviam exasperar qualquer radical, a começar pelos nossos. Eu já estou sentado na primeira fila para os ver e ouvir a gemer.

INFERNO

Pensamento politicamente correcto

A política moderna dá um certo asco. O problema não está na falta de líderes que mereçam o nome (também). Está na sensibilidade histérica e um pouco maricona com que jornalistas e políticos se tratam uns aos outros. Ferreira Leite, coitada, fez um desabafo inteiramente compreensível num país que não se reforma nem se deixa reformar. Portugal perdeu duas semanas a discutir as palavras da mulher, como se elas fossem uma ameaça real à existência do regime democrático. Isto é para levar a sério, meninas?

Pelos vistos, tudo é para levar a sério quando a retórica oficial se desvia um milímetro da cartilha nula, pastosa e politicamente correcta da linguagem oficial. E se Ferreira Leite é nossa, Radek Sikorski é polaco. Quem é Sikorski? Conheci-o há dois ou três anos, no Estoril, e na altura adivinhei duas coisas: que ele ia longe na política europeia; e que ele não podia ir demasiado longe pelo seu carácter politicamente incorrecto. Acertei. Duplamente.

Sikorski é ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia e, segundo parece, resolveu fazer uma piada com a eleição de Obama que lhe pode custar a demissão. "Sabem que Barack Obama tem uma ligação à Polónia?", perguntou ele, informalmente, entre colegas. E acrescentou: "O bisavô dele comeu um missionário polaco." A piada é excelente, mostra uma certa rudeza de maneiras que é imprescindível num estadista. Mas a imprensa e a oposição desataram a ganir, como aconteceu entre nós com Ferreira Leite, e já transformaram o "fait divers" em crise de Estado. "Sikorski acusa família de Obama de canibalismo", lia-se na imprensa da última semana.

Razão tinha o outro. Isto, de facto, dá vontade de morrer.

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Manuela Ferreira Leite enganou se e voce tambem...
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 18:42 | Terça feira, 2 de dezembro de 2008
nao era suspender a democracia durante 6 meses mas sim suspender a Ditadura durante 6 meses.

e ai sim, talvez se pude se ir buscar alguns dos milhoes que os bancos enviarao para as off shores, controlar os Dias Loureiros deste paIs, no fundo refazer os esgotos para a seguir reconstruir a casa.

Maria Filomena Monica, perfil de mulher unica, intelectualmente superior

Barack O, va se rindo A gargalhada e quando acabar beba umas minis com os seus amiguinhos da extrema direita, cuidado que alguns sao como o Haiden dao a frente e a retaguarda
 
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O vira casacas
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 14:38 | Quinta feira, 4 de dezembro de 2008
O artigo de JPC é uma lição completa sobre a psicologia do vira-casacas, de todos os seus tiques, manhas e artimanhas.

O vira casacas é uma das variantes do perdedor. De facto os que se encontram do lado dos vencedores raramente encontram motivos para virar a casaca.

Dos vários tipos de perdedores o vira-casaca é o pior. Ele não segue o padrão moral do perdedor digno, que dá os parabéns ao oponente, reconhece a derrota e democraticamente se dispõe a servir na oposição (com as consequências que isso normalmente acarreta de afastamento do poder), perseverando nas suas ideias e opções.

Não, o vira casacas procura encontrar no vencedor as características que ele “sempre” defendeu. (escusando-se a dizer que infelizmente via essas características cabalmente personificadas no candidato derrotado).

O vira-casacas quer, para arranjar lugar para si, afastar os apoiantes do vencedor. E como o faz? Atribuindo falsas expectativas aos apoiantes do vencedor, procurando intrigar, procurando fazer querer que ele, vira-casacas, é que sabe o que o vencedor quer, aplaudindo freneticamente as acções do vencedor (que ele ainda ontem criticava acerrimamente).

E tudo para quê? Para poder continuar na boa graça do poder, para poder, sem problemas de consciência, apoiar amanhã o que ontem vilipendia.

Veremos agora JPC como arauto nacional de Obama.
 
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Chanfrada!
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:18 | Sexta feira, 5 de dezembro de 2008
Maria Filomena Mónica,
Simplesmente chanfrada!
 
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