Manuela Ferreira Leite adiou a reunião da Comissão Permanente do PSD de terça para quinta-feira e tem estado a ouvir pessoas individualmente sobre o que deve transmitir amanhã à noite ao Conselho Nacional do partido.
A maioria dos seus vice-presidentes (apenas um discorda) defende que ela não deve anunciar já a marcação das directas.
Se seguir o conselho do seu núcleo duro, Manuela resistirá à pressão de muitos outros que a têm aconselhado a clarificar quando tenciona sair e qual o mês para que tenciona marcar as eleições em que não voltará a candidatar-se à liderança.
Uma coisa a líder social-democrata já terá decidido: que tenciona sair depois do debate do Orçamento de Estado, o que a deverá levar a marcar as eleições internas para Fevereiro/Março.
A hipótese de precipitar a sua saída de cena já foi defendida por vozes insuspeitas como a de Rui Machete, presidente do Congresso e apoiante de Manuela desde a primeira hora, mas que agora entende ser benéfico para o partido não protelar mais a actual situação.
Ferreira Leite tem-se mostrado, no entanto, determinada a só sair depois dos dois principais debates do arranque da legislatura - o do programa do Governo e o do Orçamento -, e também parece rejeitar a urgência de esclarecer já os timings da sucessão, por considerar que isso lançaria o partido num clima de campanha eleitoral interna que o deixaria mais dividido nos confrontos políticos que aí vêm com o Governo de Sócrates.
Amanhã à noite, no Conselho Nacional, Pedro Passos Coelho não irá pressionar a saída da líder e já deixou claro que rejeitará qualquer moção de censura à actual direcção do partido. Paulo Rangel vem de Bruxelas para participar na reunião mas só deverá falar se, contra o previsto, Ferreira Leite abrisse já a corrida à sucessão.