Ao mesmo tempo que Pequim enfrenta novas vagas de protesto nas províncias de Sichuan, Gansu e Qinghai, região ocidental do país, o governador da região, Champa Phuntsok intimou hoje os manifestantes tibetanos para que se rendam até ao final do prazo dado por Pequim, a meia-noite de hoje (16h00 de Lisboa).
"Aqueles que cometeram crimes graves serão tratados com severidade", disse Champa Phuntsok em conferência de imprensa onde prometeu também que se o manifestantes "se entregarem serão tratados com clemência, e se fornecerem mais informações sobre outros envolvidos serão tratados ainda com maior clemência".
Com o prazo para a rendição cada vez mais perto, o sentimento anti-China vai-se espalhando pelas províncias de forte influência tibetana e onde existem templos budistas.
Na região de Aba, Sichuan, a polícia paramilitar, responsável pela supressão de motins, tentou impedir uma manifestação de monges tibetanos, segundo o Centro para os Direitos Humanos no Tibete e a Campanha pela Libertação do Tibete, grupos activistas pró-tibetanos.
Em informações ainda sem confirmação, oito corpos deram entrada na morgue, um polícia morreu em Aba e vários veículos policiais arderam, segundo o relato de uma testemunha, com os dois grupos de defesa da causa tibetana a dizer que pelo menos trinta manifestantes morreram.
Em Gansu, as autoridades isolaram um mosteiro budista na cidade em Xiahe e colocaram hoje barreiras militares nas estradas que saem de Lanzhou, a capital da província, ao mesmo tempo que enviaram elementos da polícia paramilitar para reforçar os efectivos na região, segundo testemunhos.
Em Tongren, Qinghai, a polícia paramilitar impediu também uma manifestação de dezenas de monges enquanto Sichuan foi ontem palco de uma manifestação, onde cerca de 200 pessoas atacaram uma esquadra de polícia, segundo o Centro para os Direitos Humanos no Tibete.
O mesmo grupo afirma que pelo menos 13 pessoas morreram nos protestos com outros relatos a apontar para sete mortos, com os manifestantes a lançar cocktails Molotov contra a esquadra e a polícia a disparar gás lacrimogéneo.
A China define as manifestações anti-chinesas no Tibete e nas outras províncias como "manobras de propaganda" por parte de "um pequeno número desordeiros" que Pequim diz serem manipulados "pelo grupo independentista do Dalai Lama", para justificar a repressão dos manifestantes como uma legítima defesa da soberania chinesa.
O Dalai Lama, por seu lado, insiste que não deseja a independência do Tibete mas sim uma "autonomia significativa".
O governador Champa Phuntsok voltou hoje a garantir que as forças de segurança chinesas "não carregaram ou utilizaram quaisquer armas mortais" ao lidar com as manifestações de Lhasa, apesar de testemunhas oculares - incluído turistas ocidentais - dizerem que a polícia paramilitar está armada com armas automáticas M16 e que disparam tiros ocasionais.
Pequim diz que as manifestantes são responsáveis pela morte de 13 civis, enquanto o governo tibetano no exílio fala de 80 mortos em resultado da repressão sobre os protestos.