Os governos europeus concordaram em enviar anualmente os projectos de Orçamento de Estado à consideração dos seus pares e da Comissão Europeia. Não ficam, obviamente, sujeitos a aprovação. Mas a sua aprovação a nível nacional fica sujeita às considerações que sejam feitas em Bruxelas. Não é desta que nasce o governo europeu. Nem sequer o governo económico europeu. Mas é por aqui que começa. Apesar do discurso da política e da cultura, tem sido pela economia que a Europa se tem construído. Ora, faltava percorrer o caminho da governação económica, e a coordenação é o primeiro passo.
Os eurocépticos, anti-federalistas, soberanistas e quejandos podem, compreensivelmente, opor-se e gritar que é a soberania nacional que está em causa. É, de facto. Acontece que se não querem este caminho têm de assumir que também não querem ser salvos como a Grécia foi e Portugal e Espanha podem ter de ser, que dispensam o Euro e que não lhes faz falta nenhum o dinheiro extra que vier da UE. Caso contrário - que é o caso - não sobram muitas alternativas. Quem não tem dinheiro não tem vícios. E na actual conjuntura, a soberania e um vício. E um vício caro.