A empresa de software Caixa Mágica tentou desmentir o indesmentível: a notícia do Expresso sobre os erros do Magalhães. Essencialmente, aquela empresa afirma o seguinte:
1) Que a notícia só refere 80 erros e só numa aplicação, quando o ambiente Linux tem 1236 aplicações. Este argumento é retomado num editorial, hoje no 'Diário Económico'. Pois bem: 80 foi o número de erros que o jornalista do Expresso detectou e não o número total. Independentemente de existirem 1236 aplicações, só escrutinámos a do Gcompris. No entanto, esta está na área lúdica sob um botão intitulado Aprender
. É pena que a empresa entenda que isto não tem relevância e que Aprender
seja uma de 1236 aplicações...
2) A empresa refere que não houve validação da tradução automática. É possível. Mas é duvidoso que qualquer tradução automática inventasse palavras que não existem pura e simplesmente, tal como 'fês' ou 'caêm'. É pena que a empresa não o esclareça. Aliás, o autor do programa, o francês Bruno Coudoin, afirmou nada saber quanto à tradução do Gcompris para português, lamentou o sucedido e pediu ajuda online para a tradução de uma nova versão do programa.
3) A empresa diz que existem correcções através de download sempre que se liga o computador à Internet. Lamentamos, mas experimentámos isso mesmo na sexta-feira, dia 6 de Março. O resultado foi nulo.
4) A empresa diz que o tradutor é licenciado em Filosofia e em Informática. Pode ser. Mas reproduzimos o diálogo num mail que trocámos com o tradutor:
- Qual a sua formação/habilitações ao nível da Língua Portuguesa?
- Quarta classe: vivo em França desde os meus 10 anos.
Acresce que tendo o tradutor maiores habilitações noutra língua, bem maior devia ser a sua responsabilidade. Se o tradutor é de facto licenciado, a sua acção não pode ser vista como um mero impulso de um emigrante pouco letrado, mas como a execução de um trabalho que o próprio sabia não ter qualificações para o fazer.
5) e 6) A Empresa diz que não tem falta de recursos, ao contrário do que diz o Expresso. O Expresso reproduziu o que a empresa nos disse. Porém, se não tem falta de recursos, terá falta de competência, como fica visto pelo trabalho que desenvolveu. Por último, a empresa afirma que o desenvolvimento do software é um processo contínuo. Não se entende quem a empresa Caixa Mágica está a tentar confundir: não tratámos de um problema de software, mas de Língua Portuguesa, aquela que todos os governantes - sem excepção e com razão - dizem ser o nosso maior património.
O Expresso tem por norma dar importância a todos os desmentidos. Curiosamente, este não nos foi dirigido. Foi colocado na Net (veja comunicado através do link no fim do texto) com o manifesto propósito de atentar contra a credibilidade do jornal. Reservamos, pois, a possibilidade de qualquer acção legal contra a Caixa Mágica Software.
A Direcção do Expresso
Clique no link em baixo para ver documento em PDF