A história teve lugar no Funchal, em 2005
Ana Baião
Tudo aconteceu no Funchal em Fevereiro de 2005 quando Rui Manuel Castro conduzia na via-rápida e sofreu um despiste. A PSP-Madeira foi chamada ao local e no interior da viatura acidentada apreendeu um pó castanho que, após ter sido submetido a um teste rápido, 'revelou' ser heroína.
Sem demoras, o Comando Regional da PSP anunciou, numa nota de imprensa, a apreensão da 'droga', uma notícia que na altura foi veiculada pelos vários órgãos de comunicação social da Região.
Mas o caso sofreu uma reviravolta inesperada, com a esposa de um dos 'suspeitos' a intervir, logo no dia seguinte, e a garantir que a substância apreendida na carteira do marido era apenas um pó que havia comprado numa ervanária local que servia para expulsar 'espíritos malignos' e afastar o 'mau-olhado'.
Seis meses, foi o tempo que demorou entre o envio do pó castanho para análise no Laboratório de Polícia Científica em Lisboa e a chegada dos resultados à Madeira, que vieram confirmar a versão do até então suspeito. Afinal não se tratava de droga mas sim de 'Polvina'.
Lesado na sua honra, e a nível profissional - uma vez que supostamente acabou por perder alguns trabalhos -, Rui Manuel Coelho interpôs uma acção judicial contra o Comando Regional da PSP e, passados quatro anos do 'engano', reclama uma indemnização no valor de 77 mil euros. O julgamento, conforme noticia o Diário de Notícias da Madeira, começou anteontem, no Tribunal Administrativo do Círculo do Funchal.