10/02/2012 atualizado às 18:16
Página Inicial » Tecnologia e Ciência » Madeira: instalação de radar meteorológico não teria resolvido nada

Madeira: instalação de radar meteorológico não teria resolvido nada

Cientistas defendem que instalação de um radar na Madeira não teria resolvido nada na prevenção da catástrofe, ao contrário do que disse o Instituto de MeteorologiaClique para visitar o dossiê Catástrofe na Madeira

Virgílio Azevedo (www.expresso.pt)
15:45 Quarta feira, 10 de março de 2010
Um radar meteorológico detecta à distância a aproximação de gotículas, gotas de chuva ou granizo, mas não de nuvens
Um radar meteorológico detecta à distância a aproximação de gotículas, gotas de chuva ou granizo, mas não de nuvens

A instalação de um radar na Madeira não teria resolvido nada em termos de prevenção da catástrofe que se abateu sobre a ilha na manhã do dia 20 de Fevereiro, asseguram vários cientistas ligados à previsão do tempo contactados pelo Expresso.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ CATÁSTROFE NA MADEIRA

"O facto de não termos um radar meteorológico na Madeira dificulta a previsão destes fenómenos, que poderiam ser antecipados entre quatro a cinco horas de tudo acontecer, já que este aparelho abrange uma distância de 150 a 200 km", afirmou na altura da catástrofe o presidente do Instituto de Meteorologia.

Adérito Serrão justificou a ausência deste equipamento, que custa dois milhões de euros, "por falta de orçamento" e, numa visita à Madeira três dias antes do desastre, o presidente do Instituto de Meteorologia já tinha falado na necessidade de um radar para a ilha.

Instituto de Meteorologia "tem falta de conhecimento actualizado"


"O radar será certamente útil, mas deve ficar liminarmente claro que a falta de aviso à Protecção Civil e às populações não se deveu à sua ausência", explica Delgado Domingos, coordenador do Grupo de Previsão Numérica do Tempo do Instituto Superior Técnico, acrescentando que "o que falta ao Instituto de Meteorologia não é equipamento científico, mas sim conhecimento actualizado e motivação".

Pedro Miranda, coordenador do Grupo de Modelação Atmosférica e Climática do Instituto Dom Luiz (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), concorda que a existência de um radar na Madeira "não teria resolvido o problema".

O investigador esclarece que o radar só detecta a aproximação da chuva e não as nuvens, ou seja, "só vê o sistema frontal a aproximar-se". Mas o sistema frontal que avançava em direcção à Madeira no dia 20 de Fevereiro "não tinha a intensidade que depois se veio a revelar".

Assim, "foi a topografia, o relevo acentuado da Madeira, que fez com que o sistema frontal se tornasse mais intenso quando estava sobre a ilha, e aí o radar já não iria a tempo de alertar as autoridades antes da catástrofe". Pedro Miranda insiste ainda que "não basta comprar um radar, é preciso formar cientistas e técnicos para trabalharem com ele".

Governo toma decisão "politicamente correcta"


E João Corte-Real, decano dos climatologistas portugueses, critica o Instituto de Meteorologia "por falar na necessidade de um radar aproveitando a calamidade na Madeira", o que levou o ministro da Ciência, Mariano Gago, "a dizer logo que sim porque era politicamente correcto naquele momento".

O professor catedrático da Universidade de Évora reconhece que "Portugal precisa de mais radares, mas qualquer decisão tem de ser planeada e faseada no tempo e não pode funcionar assim", porque "são aparelhos caros que exigem um software muito apurado".

Mas obviamente que têm vantagens. "Não fazem previsões mas observações, só que têm um raio de acção de 200 a 300 km, muito maior que os instrumentos das estações meteorológicas locais".

Actualmente, a Rede de Radares Meteorológicos do Instituto de Meteorologia tem aparelhos nos Açores (Base das Lajes, ilha Terceira) e em dois locais do Continente: Coruche (Ribatejo) e Loulé (Serra do Caldeirão, Algarve).

João Corte-Real defende que "Portugal precisa de mais radares no Norte do território, tanto na costa como nas montanhas do interior". De facto, está prevista a instalação de um radar em Arouca (Área Metropolitana do Porto).

Palavras-chave  Ciência
Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
Cooperação,precisa-se
águiadois (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 16:24 | Quarta feira, 10 de março de 2010
Fica mal, depois da tragédia,esta discussão e quase troca de acusações entre ciebtistas.
Precisa-se de mais e melhor cooperação e outra optimização do equipamento existente.
As Instituições estão cheias de" capelinhas",criadas por velhos vícios de sopnegar ao colega informação e ferramentas.
A cultura moderna,hoje ,exige que se ollhe mais ao largo , em conjunto e em equipa.
  Como tudo,na vida.
 
 Regras da comunidade
    Re: Cooperação,precisa-se    Ver comentário
a_Lunatica (seguir utilizador), 1 ponto , 10:51 | Quinta feira, 11 de março de 2010
Radar
Copa2 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 22:47 | Quarta feira, 10 de março de 2010
Tenho a noção que no IM, existe pessoas com alto grau técnico e de competencia reconhecida, o que desde já felicito.

Não me parece na realidade que o radar nada faria para modificar a tragédia, não se iria modificar a ocupação do leito dos rios, retirar as pessoas dos possíveis locais de perigo, mais como se viu existiu zonas que nunca se pensou poder haver problemas da dimensão que houve.

No entanto penso que o radar poderá SIM e agora ajudar no futuro já que AGORA a população no caso de um alerta irá reagir.

Também sei e que já pertenceu à proteção cívil, existe uma pequena parte da população quer ver "sangue" e o alerta o que faria é que esses pessoas iriam para o local de perigo.

Tal aconteceu no Funchal, com as maquinas a trabalhar e mesmo assim colocavam-se em locais perigosos.

Como nota refiro o caso de Nova Orleans e o que aconteceu, sabemos que os USA tem meios e equipamentos sofisticados, no entanto nada conseguiram fazer.
 
 Regras da comunidade
lucidez
knidea (seguir utilizador), 1 ponto , 20:44 | Quarta feira, 10 de março de 2010
Faço parte do quadro de pessoal técnico do Instituto de Meteorologia há perto de 30 anos. Por muito distraída que fosse mereceria concerteza o benefício da dúvida quando pretendo que sei do que falo, no que toca ao funcionamento da instituição. Mais, estive bastante tempo colocada na unidade orgânica que se liga ao sector da protecção civil e também conheço razoavelmente como funciona.
No caso desta espécie de polémica, gostaria de chamar a vossa atenção para o branqueamento que se faz do que se passou, a coberto das fragilidades de uma instituição com o passado e o invejável "know how" do IM.
Acho que não preciso de dizer muito mais, mas atrevo-me a pedir que usem de lucidez e distingam entre os exageros de expressão, os oportunismos habituais, os aproveitamentos políticos e a verdadeira natureza da coisa. Certos sectores a quem tudo isto convém, não hesitam em negar dignidade e competência a um quadro técnico gravemente diminuido pelas restrições do O.E., há muitos anos a fazer milagres.
Deixem-nos ao menos a nossa dignidade, já que nos dificultam a vida com escolhas politicas e de gestão de sustentabilidade duvidosa.
Não se confunda o problema que envolve vários aspectos, com a competência do IM.
Se formos mais longe terei muito gosto em voltar aqui para colocar algumas questões que podem ajudar na análise da situação e na atribuição das responsabilidades.
Para já fico satisfeita se deixarem de me chamar incompetente, atirando areia aos olhos do cidadão comum!
 
 Regras da comunidade
    Re: lucidez    Ver comentário
JotaM (seguir utilizador), 1 ponto , 21:43 | Quarta feira, 10 de março de 2010
    Re: lucidez    Ver comentário
knidea (seguir utilizador), 1 ponto , 22:03 | Quarta feira, 10 de março de 2010
    Re: lucidez    Ver comentário
JLSCR (seguir utilizador), 1 ponto , 22:31 | Quarta feira, 10 de março de 2010
Gastar mais dinheiro, para quê?
José Telhado (seguir utilizador), 1 ponto , 20:48 | Quarta feira, 10 de março de 2010
Se há modelos que funcionam bem na previsão meteorológica, para quê comprar radares de curta distância?
 
 Regras da comunidade
    Re: Gastar mais dinheiro, para quê?    Ver comentário
JLSCR (seguir utilizador), 1 ponto , 22:34 | Quarta feira, 10 de março de 2010
IM não Tem RADAR nos Açores
meninoacoriano (seguir utilizador), 1 ponto , 22:30 | Quarta feira, 10 de março de 2010
Ao contrário do que diz a noticia o IM não tem qualquer radar nos Açores.O radar existente na Terceira(Base das Lages )é dos Americanos que cedem ionformação ao IM. Mas este não a recebe pois a ligação informatica do Radar para o IM não funciona há muitos meses está avariada.É um grande desleixo...
 
 Regras da comunidade
Que filme tão reductor
Caparica Red Neck (seguir utilizador), 1 ponto , 0:37 | Quinta feira, 11 de março de 2010
Então mas os leitores não sabem que uma embarcação da Armada pode prever uma baixa a milhas e horas de anticipação?
O que é que aconteceu? Falta de comunicação num estado estagnado e corrupção. O jardim é um populista nepótico e autoritário, manipulador de tradição (ou não tivesse sido oficial de psicologia para a ultramar), e toda a população da Madeira que lhe deve beijar a mão, menos os putos que beijam outras coisas ao padres.
 
 Regras da comunidade
O subtítulo desta notícia é no mínimo estranho
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 0:48 | Quinta feira, 11 de março de 2010
O subtítulo desta notícia é no mínimo estranho: a "instalação de um radar na Madeira não teria resolvido nada na prevenção da catástrofe"?... dizem os cientistas? Ou foram mal citados ou não são signos desse nome. A contradição está logo patente nas declarações de Pedro Miranda: "só vê o sistema frontal a aproximar-se"... "o sistema frontal que avançava...não tinha a intensidade que depois se veio a revelar"... "foi a topografia, o relevo acentuado da Madeira, que fez com que o sistema frontal se tornasse mais intenso quando estava sobre a ilha, e aí o radar já não iria a tempo...". Mas o relevo é uma constante, e se um sistema frontal com as características observadas fosse observado, seria uma questão dos modelos certos para deduzir o que poderia ter acontecido. Nem sequer é necessário saber como funcionam esses modelos, o importante é que haja informação atempada que se possa correlacionar com possíveis catástrofes. Se Delgado Domingos diz que o radar seria útil, escrever que a sua "instalação... não teria resolvido nada" é abusivo. O que se poderia dizer é que a sua instalação por si só, não resolveria o problema. E fica em aberto se sem ele, podia-se ter chegado a uma solução.
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 1   
PUB
 
Email
O Expresso no
PUB




Clientes do MEO já podem criar os próprios canais
19:35 Quinta feira, 9 de fevereiro de 2012, 21
Nave Mars Express revela que já houve um oceano em Marte 
21:45 Terça feira, 7 de fevereiro de 2012, 4
Portugueses mal informados sobre proteção contra cibercrimes
18:25 Terça feira, 7 de fevereiro de 2012, 3
Cancro: revolução em curso
9:35 Sábado, 4 de fevereiro de 2012, 12
Twitter já pode censurar mensagens por país
11:26 Segunda feira, 30 de janeiro de 2012, 4
Clientes da Apple pagam por garantia a que já têm direito
8:25 Segunda feira, 30 de janeiro de 2012, 11
Sony lança novo "relógio inteligente" em março
6:00 Segunda feira, 30 de janeiro de 2012,
Samsung transforma janelas em ecrãs táteis
6:00 Sábado, 28 de janeiro de 2012,
As estranhas contas das taxas da cópia privada
20:39 Sexta feira, 27 de janeiro de 2012, 13
iPad faz dois anos
19:27 Sexta feira, 27 de janeiro de 2012,
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
Grupo ImpresaACAP