É mesmo o tema do congresso: como deve relacionar-se o CDS com o PSD e o PS, se não houver maioria absoluta depois das próximas legislativas?
O caso é tão sério que até António Lobo Xavier desceu do seu pedestal de senador e voltou aos congressos, coisa que o próprio já reconheceu que não estaria nos seus planos. Lobo Xavier só veio às Caldas da Rainha porque entende que a questão não está suficientemente clarificada na moção de estratégia de Paulo Portas. No seu estilo florentino, que faz falta a este CDS, o advogado demarcou-se de Portas, que tem dito que PS e PSD são indistintos e, por isso, está longe de ambos (ainda que admita que o PS é socialista e o PSD não...).
"Do ponto de vista ideológico, não há qualquer dúvida da maior proximidade entre o CDS e o PSD", afirmou Lobo Xavier aos jornalistas, à chegada ao congresso. Em sua opinião, não chega proclamar, como faz Portas, que o CDS deve ter autonomia. "Um CDS autónomo também eu quero, Deus me livre! Mas a autonomia não exprime tudo".
Eis o passo que Paulo Portas não dá, e que Xavier gostaria que desse: "Gostava que ele desse um sinal um pouco mais claro de que, se se colocasse a questão, depois das eleições, de constituição de uma maioria à direita do PS, o CDS não a enjeitaria."
Se hoje, em entrevista ao Expresso, Portas se apresenta como candidato a primeiro-ministro, Lobo Xavier foge a essas fantasias e coloca os pés na Terra: "O CDS não pode aspirar à maioria. Só pode escolher viabilizar ou não o partido vencedor das eleições". Se esse vencedor for Sócrates, o advogado considera "difícil apoiar uma solução com o PS". Com o PSD, diz, isso é possível e deve ser assumido.
Também António Pires de Lima falou do assunto à entrada no centro de congressos das Caldas da Rainha. Para o ex-porta-voz do CDS, "está completamente fora de causa uma coligação que não seja com o PSD".
Mas, embora sem coligação, não põe de lado um entendimento pós-eleitoral com os socialistas. Isto, explica, para "não deixar que um governo minoritário do PS fique refém das forças mais extremistas à esquerda."
Portas bem pode jurar o contrário, mas os barões do seu partido já só pensam em voltar ao poder - seja com o PSD, seja com o PS. E já têm os argumentos prontos.