O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, afirmou hoje que a substituição da bandeira municipal pela bandeira monárquica nos Paços do Concelho constituiu uma "demonstração da insegurança" do centro da cidade.
Na noite de segunda-feira, pouco depois da meia-noite, quatro elementos pró-monárquicos do Movimento 31 da Armada, autor de um blogue, retiraram o símbolo autárquico da varanda dos Paços do Concelho e hastearam a bandeira azul e branca com recurso a um escadote, uma iniciativa destinada a "restaurar a legitimidade monárquica".
Em declarações à Lusa, o vice-presidente Manuel Salgado, presidente em funções devido às férias de António Costa, lembrou que a autarquia participou a ocorrência às forças de segurança competentes no próprio dia e defendeu que, "se é público quem tem a bandeira, as autoridades devem ir buscá-la".
O responsável sublinhou, no entanto, a necessidade de o centro da cidade estar correctamente defendido pelas autoridades competentes.
"O que acho mais extraordinário é o que isto demonstra: a insegurança na cidade de Lisboa. Os Paços do Concelho estão localizados 'ao lado' do Ministério da Justiça, do Ministério da Administração Interna ou do Banco de Portugal. O que aconteceu poderia ter acontecido noutros edifícios, é uma situação insustentável", declarou, à margem da apresentação de uma iniciativa cultural no Parque Mayer.
"A cinquenta metros da Câmara há uma esquadra... e mais não digo", acrescentou.
Questionado sobre a disponibilidade da autarquia para trocar as bandeiras, uma sugestão já apresentada publicamente pelo 31 da Armada, Manuel Salgado referiu que "isso seria ridicularizar ainda mais a situação".
Segundo o porta-voz do movimento, Rodrigo Moita de Deus, a "acção de guerrilha ideológica" de segunda-feira, divulgada num vídeo online, constituiu uma primeira celebração do centenário da implantação da República, a assinalar a 5 de Outubro de 2010.
Terça-feira, o representante disse à Lusa que o grupo iria contactar a Câmara nos próximos dias para propor a troca da bandeira municipal (que tem sido "tratada com dignidade") pela bandeira da Monarquia.
Rodrigo Moita de Deus afirmou esperar que "toda a gente tenha o bom senso de perceber que seria um disparate gastar o dinheiro dos contribuintes e o tempo dos tribunais a averiguar o que está num vídeo", mas, na sequência da queixa do município, poderão estar em causa três crimes: furto, entrada em local vedado ao público e ultraje à República.