13/02/2012 atualizado às 1:11
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Libertaram o povo e esqueceram-se dele

A violência em Maputo explica-se pelo abandono a que o povo está entregue e o autismo em que vive a elite política. Os moçambicanos aceitam o poder instituído. Aceitam que ele coma mais do que todos. Mas não aceitam que coma sozinho.

Daniel Oliveira (www.arrastao.org)
9:00 Quinta feira, 2 de setembro de 2010

Como em 2008, Maputo explodiu em violência. Dez mortos. A miséria explica. A dúvida permanente em relação ao mais elementar que a sobrevivência exige também explica. Se nada é previsível não há ordem possível. E se o abandono é total e as elites políticas não garantem o mínimo dos mínimos não há autoridade que mereça ser respeitada.

Como explica o antropólogo Paulo Granjo , conhecedor da realidade moçambicana, o contrato social ali em vigor sustenta-se "em dois pilares aparentemente contraditórios, mas que deverão estar minimamente equilibrados: pressupõem, por um lado, que só em casos extremos deverá ser posto em causa o poder instituído; mas pressupõem, também e em contrapartida, que quem ocupe esse poder tem a obrigação de salvaguardar um mínimo de bem-estar e de dignidade das pessoas que governa". Melhor ainda: o poder "pode (e tem o direito de) "comer mais", mas não de "comer sozinho" e à custa da fome dos outros" .

Apesar de longe da pornografia angolana, a elite politica moçambicana não é apenas corrupta. É gananciosa na sua corrupção. E esta ganância é o maior dos pecados das elites nascidas dos movimentos de libertação. Não é a guerra, que talvez fosse inevitável. Não é a fragilidade das suas democracias, a moverem-se em terreno hostil e com uma história de colonialismo contra si. É aquilo que dependia destes líderes: ao menos garantirem o mínimo dos mínimos. E pelo menos por isso só eles podem ser responsabilizados.

Perante um aumento preço de muitos produtos essenciais e do pão em cerca de vinte por cento, um responsável políticos teve o desplante de propor que os moçambicanos comessem mais batata doce. Qual Maria Antonieta, esta elite aristocrática que já se disse socialista vive completamente alheada do ansiedade quotidiana do seu povo. Não se limita a enriquecer à sua custa. Não se limita a roubar. O povo pura e simplesmente não existe para eles.

Esta explosões de violência, sem destinatário claro nem caminho, é o grito desesperado de um País entregue à sua sorte. A verdade é que a maioria dos líderes africanos soube libertar os seus povos. Mas depois esqueceram-se deles.

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Em Portugal a historia é parecida
rumoaofuturo (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 11:32 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Quem diz que as elites querem saber do povo? Querem saber do poder e do dinheiro, mais nada. Tambem nós fomos libertados no 25A, vivemos numa especie de democracia. O que pensam as nossas elites acerca do futuro de Portugal? Vamos viver melhor no futuro? Quando e como tencionam alterar o nosso destino? Pelo andar da carruagem um dia destes Lisboa vai parecer Maputo.
 
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Á sombra das bananeiras do poder
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:24 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Quando a politica abandona o Povo até ao limite da sua sobrevivência, ele vem para a rua manifestar a sua revolta.
Em Moçambique o poder responde pela força das armas,em vez de lhes levar o pão e criar as condições para a vida.
Portugal tem 700.000 desempregados e dois milhões de pobres.
O que se espera -lá como cá- é que o Poder responda aos legítimos anseios da sua População.
Portugal tem muita gente vestida com fome.
É preciso que os comentadores falem dessa pobreza envergonhada e que os politicos sejam encostados á responsabilidade do que prometem fazer, em eleições, mas , depois de instalados ,adormecem á sombra das mordomias e das bananeiras do poder.
 
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Pois é... os comunistas não dão para mais!
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 11:53 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Porque será que em todos os ex regimes comunistas o poder está nas mãos de gente com passado governamental e que sob a nova capa democrática estrangulam os seus miseráveis povos a câmbio de projectos pessoais oligárquicos de endinheiramento fácil?

Deve ser isto a esquerda moderna do terceiro mundo.
 
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Esquecidos
CãodaRosa (seguir utilizador), 2 pontos , 15:11 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Pois é por cá, também se esqueceram do Povo e África é um pouquinho mais abaixo.
 
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Bons exemplos
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:10 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
De uma democracia que se diz socialista? Mas que copiam tão bem Portugal?
 
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Comunas x Democratas
Rio Grande (seguir utilizador), 2 pontos , 16:19 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
A dualidade quase impressiona se, aquele que olhar, deixar de perceber que a luta pelo Poder, pode juntar duas ideologias que parecem estranhas entre si. De conformidade com Geoffrey Blainey, historiador americano, Roosevelt nutria certa simpatia por Staline e, os dois líderes de então, acreditavam que chegaria a época de as colônias se libertarem das matrizes, com o que não concordava Churchill. E, por outro lado, o regime duro soviético sempre foi admirado, ainda que de soslaio, pelos donos do poder na América. O nazismo também. Mas, foi necessário entrar no trem das liberdades, para fazer frente ao crescimento russo, a competição militar e a corrida espacial. Teme-se que, no futuro, o regime que sobreviva seja o da ditadura sob o manto de uma democracia altamente controladora. A democracia americana, principalmente depois de Bush, está pálida. Os meios de comunicação em massa, ou mesmo um computador doméstico, é espiado e segredo entre três, só com dois mortos. O futuro das liberdades democráticas já está definido. Cada vez mais o que parece ser, não é. Quanto mais se bate contra os comunas, mais o poder se assemelha ao punho de ferro das ditaduras. A elite não tem pudor e, se necessário, enfiará goela abaixo a foice e o martelo, como forma de governar. É uma tremenda ilusão imaginar que nós, do povo, decidimos alguma coisa. Só decidimos aquilo que é possível para nós. Ou seja, os caminhos do poder estão fechados para o povo, geralmente desarmado e um tanto criança.
 
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    AH Grande !!!..mesmo em Grande..    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 2 pontos , 23:38 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
    Re: AH Grande !!!..mesmo em Grande..    Ver comentário
Rio Grande (seguir utilizador), 2 pontos , 4:34 | Sexta feira, 3 de setembro de 2010
TER CORAGEM
aldrabado (seguir utilizador), 1 ponto , 10:29 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
De ir até à raiz das questões e nesta, por motivos óbvios, D.Oliveira não vai. Quando os garbosos se revoltaram por uma questão de soldo, transportaram os frelimos para os quartéis, entregaram-lhes o aparelho militar e as armas, prenderam todos os dirigentes oposicionistas da FRELIMO, entregram-lhos de bandeja e estes eliminaram-nos sumáriamente. Na verdade em Moçambique o povo passou de uma ditadura para outra bem pior e mais corrupta mas, o verdadeiro pecado está no facto de naquela terra se morrer de fome, porque ela produz de tudo e em abundancia, basta semear. Claro que isso não interessa aos colonialistas e ao colonialismo implantado que pilha tudo quanto são recursos, nem aos mandantes apoiados por estes. Daqui a 50 anos, se tiverem sorte, terão o mesmo nível de vida que tinham em 1974.
 
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Não é só Moçambique
Neo-Albatroz (seguir utilizador), 1 ponto , 10:47 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Não é só Moçambique que está em causa. A obscenidade que se constata nos EUA, em que 1% da população controla quase 40% da riqueza, é sinal de que nos aproximamos rapidamente de uma revolta global contra uma oligarquia tão estúpida como gananciosa. O que me surpreende é a relativa passividade dos que são sistematicamente explorados para benefício de uma ínfima minoria. A questão está em saber se não saltaremos desta passividade estúpida para os excessos próprios das grandes revoluções. Por este caminho corremos o risco de lá chegar mais depressa do que se pensa.
 
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    Re: Tempo dos mais novos    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 12:07 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
    Registo    Ver comentário
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 15:15 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Cadê os responsáveis ? Não Existem?
Trolha da Areosa (seguir utilizador), 1 ponto , 12:18 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
O seu titulo está errado "Libertaram o povo e esqueceram-se dele " deveria corrigir para " Entregaram o povo á mãos de meis duzia de comunas doutrinados pela ex-união sovietica" . Isso sim era o que deveria escrever e posso afirmar que os problemas da gueraa de Moçambique foram menores que em ANGOLA porque não possui petroleo, diamntes etc...senão a mortandade teria sido igual ou maior que em Angola. Agora esse comunas com a queda do império sovietico continuaram no poder pelas forças das armas...mas acabou-se o guito então toca a roubar ao povo o que resta para sustentar essa numencleatura...até ao dia que esse povo sem nada mais a perder se levanta e vai trucidálos..só tenho pena é de mesmo depois destes 35 anos não haver pessoas julgadas e condenadas em Portugal pela forma irresponsável a que condenaram á miséria essa população....em Angola é a memissima coisa com a "sorte" de terem riquezas naturais que a familia Dos Santos com o apoio dos Comandos militares controlam e inteligentemente vão atirando migalhas e o povo vai comendo e calando...as migalhas compoêm o estomago e mantêm-nos longe de MIRAMAR !!
 
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Crónica de Daniel Oliveira
J.A.Peres (seguir utilizador), 1 ponto , 12:29 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Parabéns pela sua crónica. É assim mesmo. Em Portugal estamos em risco de passar pelo mesmo, se é que não estamos já a passar.
Quando os portugueses protestam é como se fossem para um pique-nique. Sem recorrer à violência poderia protestar-se com mais energia. Já se fez isso mas o povo ficou mole: lembro-me da Fonte Luminosa (Alameda) e do Terreiro do Paço.
Viva o povo de Moçambique!
 
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Revolucionários
Floriano Mongo(Pres) (seguir utilizador), 1 ponto , 12:37 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Moçambique e Angola vivem décadas de saque e autoritarismo outrora "legitimados" por uma retórica marxista – Leninista, e apadrinhados pelo nosso PCP.

Países regidos por um manual de banditismo. A roubalheira e o homicídio são casos de polícia promovidos a “caso político”.

Crianças a viverem em valas e esgotos, populações levadas ao limite da sobrevivência.

As elites subdesenvolvidas e milionárias “divertem-se”a exibir o produto do saque entre milhões de famintos.

  As mesmas caras. Ontem marxistas, roubavam e matavam em nome da “ideologia” e do “povo”. Com a queda da URSS, “convertidos” à democracia e à economia de mercado, fazem exactamente o mesmo.

Quem conhece a realidade nestes países, pergunta-se como é q isto não aconteceu há mais tempo?

Quando questionados, é confrangedor observarmos as expressões de surpresa nos rostos de alguns senhores da nossa esquerda, ao mesmo tempo q simulam dignidade e tentam camuflar velhas cumplicidades.
 
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de que estao a espera
senhor (seguir utilizador), 1 ponto , 13:45 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
de uma ex colonia Portuguesa,milagres?
 
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Fácil
felicidade (seguir utilizador), 1 ponto , 14:09 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
E era tão fácil que aquele pobre povo não se sentisse esquecido!
A farinha, o pão, o arroz, medicamentos... e pouco mais.
Para quê tanta ganância??? Continuarão ricos se derem ao povo o mínimo de que necessita.
(Enfim, só aprenderam connosco o que não prestava!)
 
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Agora é tarde!
MárioJTAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 15:10 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
As lágrimas do Daniel Oliveira são de crocodilo!
 
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Fica aqui a pergunta:
userEX162824 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:18 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Porque é que subiu o preço do pão? Terá alguma coisa a ver com a crise cerealífera da Rússia, que deixou de exportar para os países do 3º Mundo?
 
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