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Lápis de anidro penta hidratado ( azul )

 

Artigo 19.º
(Liberdade de expressão e de informação)

Todo o indivíduo tem direito a liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

Adelina Barradas de Oliveira
22:53 Terça feira, 2 de Fevereiro de 2010
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Ré em causa própria - Lápis de anidro penta hidratado ( azul )

Ainda há dias vos dizia aqui, a propósito da reunião do  Parlamento Europeu sobre a mesma  que, a liberdade de expressão só será possível numa democracia esclarecida.

Vejamos o que aconteceu quase simultaneamente com Saramago e o seu novo livro. Olhemos a providência cautelar pedida contra um livro que já circulou por aí.

Mas a crítica ou a vontade de não ouvir, ou ler, ou saber o que não vai ao encontro dos nossos quereres e, principalmente dos nossos saberes, não é nova e, provavelmente para nosso mal, nunca será velha.

Dizia e muito bem Salazar que :- "Os homens, os grupos, as classes vêem, observam as coisas, estudam os acontecimentos à luz do seu interesse."

Mas se bem o dizia , melhor o pensava e, logo a seguir entendia da altura da sua cadeira de poder que :- "Só uma entidade, por dever e posição, tudo tem de ver à luz do interesse de todos".

O decreto 22 469 é explícito ao instaurar a censura prévia em publicações periódicas, "folhas volantes, folhetos, cartazes e outras publicações, sempre que em qualquer delas se versem assuntos de carácter político ou social".

Mas Salazar não serve de exemplo. A censura ou o lápis azul, não surgem apenas na época de Salazar e não é apanágio da nossa história.

A censura é tão velha como o medo do Homem em ser confrontado com opinião diversa da sua,  ou escrita, ou fala que se interponha entre si e os seus fins.

Deixo-vos aqui recortes de história que são ou não, conforme o entenderem, limites a uma verdadeira liberdade de expressão.

São poucos exemplos, se por acaso tiverem mais.... Juntem-nos a estes.

É  um exercício conjunto de pensamento e uma procura de esclarecimento para que paremos para pensar até que ponto estamos preparados para ouvir ou entender, discutir ou  argumentar (mas deixar ser,) a opinião que não é a nossa e que pode ser maioria e, porque diferente, sempre enriquecedora na medida em que nos faz pensar, questionar, criar , mudar e avançar na formação pessoal ou global de uma vivência que se quer esclarecida e portanto serena.

O azul de um lápis, feito de cristais de medo, tem de ser desfeito pela coragem de nos revermos no olhar do outro e na coragem de pensarmos em voz alta.

Nem o medo de ler, nem o medo de escrever, ou o medo de criar, fazem crescer culturalmente ou enriquecem uma civilização, qualquer democracia ou qualquer futuro.

 _______________________________________

   Em 1989 o aiatolá Khomeini condenou Salman Rushdie à morte, depois da publicação de sua obra Versos Satânicos  Caim" é o novo romance de José Saramago, e Deus é uma das personagens principais PSP apreende livros por considerar pornográfica capa com quadro de Courbet  

O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991 ) é um romance de José Saramago que conta a história da vida de Jesus de uma maneira moderna e anti-religiosa 

Os primeiros livros de que há memória de serem censurados em Portugal pelo poder régio foram as obras de John Wycliffe e de Jan Hus , proibidas e mandadas queimar por um Alvará de 18 de Agosto de 1451 , por D. Afonso V .

Mais tarde, há notícia da repressão da divulgação de textos luteranos por parte de D. Manuel , o que levou o papa Leão X a agradecer-lhe oficialmente em 20 de Agosto de 1521 .

Em 1486 foi publicado um livro chamado Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas) escrito por dois monges dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger. O Malleus Maleficarum é uma espécie de manual que ensina os inquisidores a reconhecerem as bruxas e seus disfarces, além de identificar seus supostos malefícios, investigá-las e condená-las legalmente. O Decreto de 31 de Março de 1821 leva à abolição do Tribunal do Santo Ofício, por este ser "incompatível com os princípios adoptados nas bases da Constituição ", sendo as "causas espirituais e meramente eclesiásticas" restituídas à "Jurisdição Episcopal". A Constituição de 1822 estabelece a liberdade de imprensa ("a livre comunicação de pensamentos"), sem necessidade de censura prévia, ainda que se ressalve que quaisquer abusos pudessem ser sancionados "nos casos e na forma que a lei determinar

Com a Primeira Guerra Mundial, é instaurada a censura a 12 de Março de 1916 , na sequência da declaração de Guerra por parte da Alemanha . Foi dada a ordem de apreensão de todos os documentos cuja publicação pudesse prejudicar a defesa nacional ou que fosse constituída por propaganda contra a guerra.

A Constituição Portuguesa de 1933 , publicada a 11 de Abril , sai ao mesmo tempo que o Decreto 22 469. Enquanto que o artigo 8.º da Constituição, no n.º 4, estabelece "a liberdade de pensamento sob qualquer forma",

Durante o Estado Novo, A Inspecção Superior de Bibliotecas e Arquivos proibia a leitura de determinados documentos - não se podia ler nada referente à Índia Portuguesa que fosse posterior à Guerra de Baçaim (1732 /1739 ) e a Biblioteca Nacional continha obras listadas que não podiam ser lidas.

 Já Luís de Camões teve de submeter o texto de "Os Lusíadas " aos censores do Santo Ofício , no Mosteiro de S. Domingos , discutindo-o verso a verso. Aquele que hoje é considerado o poema maior da Lusofonia passou mesmo por uma fase de esquecimento, sendo ignorado e desprezado, o que também pode ser considerado uma forma subtil de censura.

A 25 de Julho de 1567 , Damião de Góis via impressa a quarta parte da sua Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel . No entanto, mais de cinco anos depois, esta ainda não estava à venda porque, supostamente, o bispo D. António Pinheiro tinha de emendar um erro numa página. A censura prévia dava, portanto, lugar a abusos de poder por parte dos censores quando estes tinham alguma questiúncula com os autores.

Até o Padre António Vieira foi preso pela Inquisição, de 1665 a 1667 , por defender abertamente nos seus escritos os cristãos-novos e criticar a forma de actuar dos dominicanos do Santo Ofício.

O dramaturgo António José da Silva , conhecido pela alcunha de "O Judeu", foi preso e torturado em 1726 , juntamente com a mãe. Em 1737 foi preso novamente, também com a mãe, esposa e filha, sendo degolado e queimado num auto-de-fé no Terreiro do Trigo em Lisboa. A mulher e a mãe foram igualmente queimadas vivas

Estado Novo, Maria Velho da Costa , Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno viram-se envolvidas num processo judicial que ficou famoso devido à publicação da sua obra conjunta "Novas cartas portuguesas ", que conteriam partes pornográficas e imorais - hoje é consensual que a obra faz apenas uma crítica mordaz ao patriarcalismo lusitano e à condição da mulher em Portugal.

Muitos foram os autores que viram os seus livros apreendidos ou foram presos, como Soeiro Pereira Gomes , Aquilino Ribeiro , José Régio , Maria Lamas , Rodrigues Lapa , Urbano Tavares Rodrigues , Alves Redol , Alexandre Cabral , Orlando da Costa , Alexandre O´Neil , Alberto Ferreira , António Borges Coelho , Virgílio Martinho , António José Forte , Alfredo Margarido , Carlos Coutinho , Carlos Loures , Amadeu Lopes Sabino , Fátima Maldonado , Hélia Correia , Raul Malaquias Marques , entre muitos outros.

Aquilino Ribeiro, por exemplo, viu apreendido o seu livro Quando os lobos uivam , de 1958 o ano em que nasci.

O tribunal decidiu, embora provisoriamente uma vez que se trata de um procedimento cautelar, a proibição de as editoras venderem os livros e vídeos de Gonçalo Amaral "que ainda restarem nas bancas ou noutros depósitos ou armazéns e a obrigação de recolherem e entregarem a uma depositária" esses exemplares.

Mais sobre o assunto aqui

____escrito em 29.10.2009________

ACCB

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Brilhante!
Titilador (seguir utilizador), 1 ponto , 21:47 | Quinta feira, 29 de Outubro de 2009
Brilhante!
Todos temos direito à indignação. Ninguém tem o direito de cercear o pensamento e as formas de expressão de terceiros. Porque, "Nem o medo de ler, nem o medo de escrever, ou o medo de criar, fazem crescer culturalmente ou enriquecem uma civilização, qualquer democracia ou qualquer futuro."
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A propósito
limaos (seguir utilizador), 1 ponto , 21:45 | Sábado, 14 de Novembro de 2009
O lápis só poderá eliminar a escrita, por isso, e não vá o diabo tece-las, eu lembro:
Pensar muito, falar pouco e escrever ainda menos.
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nota
pukka (seguir utilizador), 1 ponto , 0:18 | Quarta feira, 3 de Fevereiro
pequena nota ao último parágrafo: O livro de Gonçalo Amaral foi entregue à advogada dos McCann em Portugal; recentemente os média publicaram que o casal McCann pede a destruição completa e irreversível de todas as cópias do livro 'Maddie, A Verdade da Mentira', bem como do documentário baseado nesse livro. É inadmissível a destruição de livros numa sociedade que se diz e que se deseja democrática.
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Escrever a história não é contar a história
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 9:50 | Quarta feira, 3 de Fevereiro
Numa politica livre não há censura.Quando a politica se vende a interesses económicos fica de cócoras e faz o que o dinheiro manda.A História ensina que o caminho da Liberdade se constroi na luta do seu Povo e pelo melhor dos seus filhos na defesa dos valores universais.Também assim é no acto de escrever: ou se conta uma história ou se escreve a história.E escrever a história é escrevê-la tal e qual ela se apresenta,a preto,branco e a côres.Doa a quem doer e custe o que custar.
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