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Jovens turcos

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Segunda feira, 7 de setembro de 2009

Desde que Jerónimo de Sousa e um grupo de quadros comunistas que até então se mantinha na segunda linha tomaram a liderança do PCP que este vive dois movimentos contraditórios: estancou a queda eleitoral e empobreceu drasticamente a qualidade dos seus quadros. Esse empobrecimento tem sido feito através de um rejuvenescimento dos dirigentes, é verdade. Mas esses jovens, quase todos com pouca experiência fora do aparelho partidário, representam o sector mais ortodoxo e menos preparado do partido. Longe vão os tempos em que Octávio Teixeira, Lino de Carvalho ou João Amaral esmagavam em eficácia, rigor e eloquência as outras bancadas parlamentares. Tirando uma ou duas assinaláveis excepções que sobreviveram à limpeza interna geral - onde a fidelidade à afirmação da nova liderança contou mais do que a qualidade -, o grupo parlamentar do PCP é hoje uma sombra do que foi. E o que se passa no Parlamento acontece noutros sectores fundamentais para o Partido Comunista.

Os atalhos políticos subterrâneos ou visíveis - de que o uso recente do 'caso Casa Pia' contra Ferro e Pedroso no jornal "Avante!" é apenas um exemplo -, o regresso quase explícito ao estalinismo oficialmente abandonado no final da década de 50 e a degradação da qualidade técnica e política dos novos quadros do PCP não afectam as suas votações. E Jerónimo não só devolveu o ânimo aos militantes como resistiu ao crescimento de um concorrente directo - o Bloco de Esquerda - num momento histórico difícil. Mas o caminho que está a seguir terá um preço. Basta saber quem eram Lenine, Gramsci, Carrilho, Castro ou Cunhal para perceber que nunca nenhum Partido Comunista se afirmou sem os seus intelectuais orgânicos e a sua própria inteligência. Sim, o PCP continuará a resistir nas urnas. Mas, dia após dia, está a perder o combate pela hegemonia ideológica que, nos tempos de Cunhal, conseguia travar à esquerda.

As opções que fez são compreensíveis perante os ventos de desagregação dos partidos comunistas europeus que se tentaram renovar. Mas oferecem ao PCP, que valoriza mais a luta social e ideológica do que os resultados eleitorais, um futuro incerto. Com a perda de influência dos sindicatos, a redução de peso nas autarquias e a falta de quadros qualificados, o que sobrará se a simpatia de Jerónimo deixar de render?

Está preto


Justa ou injustamente, o PSD tinha na moralização da política uma arma poderosa contra o PS. As suspeitas esclarecidas ou por esclarecer que evolveram o nome do primeiro-ministro, o pouco apego de Sócrates ao rigor, a pilhagem a que se assiste no Estado e a promiscuidade entre público e privado, de que Jorge Coelho é um exemplo, davam ao PSD um razoável espaço de manobra. Manuela Ferreira Leite ensaiou esta estratégia, dando à 'verdade' o palco da sua propaganda. Mas cedo se percebeu que esta era uma guerra perigosa. O caso do BPN e de Dias Loureiro já tinha chamuscado a credibilidade deste discurso. Mas era apenas o passado do PSD. A escolha de António Preto para a lista de deputados foi a confissão de uma incapacidade de mudar rotinas. E com ela a direita perdeu a sua arma de campanha mais poderosa. Há coisas que se colam à pele. Preto colou-se à de Ferreira Leite. Sobra agora ao PSD o debate programático. E aí, as discordâncias com o PS são curtas demais para fazer a diferença.

Daniel Oliveira

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Mãos no lume
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 15:18 | Terça feira, 8 de setembro de 2009
Lamentavelmente Estaline não escreveu sobre o caso Casa Pia para que fosse clara a diferença entre Estaline e Trotski sobre esta matéria.

Associar Ferro e Pedroso ao caso Casa Pia foi algo para que todos os media portugueses (incluindo o Expresso) contribuíram. E bem se havia suspeitas ou provas. E, naturalmente, mal se não as havia.

Muitos, eu incluído, ficaram com a convicção que factores políticos, associados a uma justiça muito lenta (e justiça lenta não é justiça é injustiça), não permitirão nunca esclarecer este caso que permanecerá para sempre nubloso. As conversas telefónicas de Ferro Rodrigues, transcritas por vários jornais, podem também ter leituras múltiplas.

Não poria as mãos no fogo por nenhum deles. Não gostaria de ser governado por nenhum deles. Não vejo então motivo de crítica ao jornal mencionado. Vejo antes uma vontade política de DO de atacar um adversário político. É legitimo mas devia dizê-lo abertamente.
 
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    Re: Mãos no lume    Ver comentário
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 11:34 | Quarta feira, 9 de setembro de 2009
    Não adversário mas apoiante    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 12:26 | Quarta feira, 9 de setembro de 2009
    Re: Não adversário mas apoiante    Ver comentário
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 16:49 | Quarta feira, 9 de setembro de 2009
Tons
exprjose270747 (seguir utilizador), 1 ponto , 6:51 | Terça feira, 22 de setembro de 2009
Daniel Oliveira não sabe que o PCP alinha por outro diapasão.
 
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