12/02/2012 atualizado às 13:55
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Vídeo: Jornalista brasileiro desvenda segredos da "Tropa de Elite"

Um jornalista do diário "Folha de São Paulo" fez-se passar por recruta da Polícia Militar do Rio de Janeiro para escrever a reportagem que venceu o Grande Prémio de Jornalismo Lorenzo Natali 2008, da União Europeia. Em anexo o vídeo com a entrevista a Rapahel Gomide.

Isabel Marques da Silva
13:45 Quarta feira, 25 de novembro de 2009

A convicção de Raphael Gomide, 32 anos, de que a polícia militar do Rio de Janeiro é "a que mais mata e morre no Brasil e, possivelmente, no mundo" é, desde logo, corroborada pela frieza dos números: 1330 civis e 151 agentes desta força morreram em confrontos, em 2007.

O jornalista da delegação do Rio de Janeiro do diário "A Folha de São Paulo" quis perceber o que anima um jovem a ingressar no lado oficial da batalha e qual a preparação que recebe para enfrentar os inquilinos mais violentos do labirinto das favelas. E se não é o salário de 350 euros e o desprezo que lhe dirige uma parte da sociedade que os motiva, o que levou dois mil candidatos a bater à porta deste departamento de segurança em 2007? "Os criminosos, ou mesmo não criminosos mas que por algum motivo são suspeitos, rendem-se muitas vezes mas são mortos à mesma pela polícia.

"Rendeu, fuzilou!"


Eu queria entender de que maneira o curso de formação de soldados podia influenciar o comportamento no activo e pensei que a melhor forma de o fazer era passar por recruta e, assim, evitar os filtros que os soldados e oficiais teriam se os entrevistasse como jornalista", explica. O disfarce foi usado durante sete meses de pré-selecção - com exames de aptidão física e psicológica - e um mês de treino depois de ter sido recrutado. Nessas quatro semanas finais, o jornalista teve algumas boas surpresas como a ausência de sinais de humilhação dos cadetes e o "discurso contra a corrupção, com muitos alertas para este problema que é recorrente". Mas nos seus jeans e camiseta branca de recruta, Gomide testemunhou muitas mensagens - às vezes mais subliminares, outras menos - de desdém pelo respeito dos direitos humanos e pela própria lei.

"O que mais me chocou foi o facto de não só haver tolerância como estímulo à violência policial. Ouvi frases tais como: "Estou trocando tiro com vagabundo na favela e ele diz que perdeu e se rende? Perdeu nada! Vou-te matar, você vai morrer. Estava me dando tiros até agora, por isso vai morrer!". Havia um oficial que dizia "Rendeu, fuzilou!" e um outro instrutor que ensinava a encenar uma situação de legítima defesa, aconselhando o polícia que matou alguém pelas costas a colocar depois a arma na mão do suspeito. No fim acabavam por dizer que aquilo não era o que deviam aprender ali, mas que acabariam por o aprender nas ruas", explicou.

"Tropa de Elite": realidade e ficção


Antes de sugerir a reportagem como infiltrado, o jornalista tinha lido o livro de um sociólogo sobre esta força muito marcada "pelos valores castrenses, com saudações militares, muita ordem e unidade". Mas outro produto cultural, lançado em 2007, faria muito mais pela divulgação de algumas facetas da vida destes soldados: o filme "Tropa de Elite", que fez um retrato ficcionado do BOPE. "O filme teve um impacto enorme, com toda a gente a discuti-lo durante dois meses. Foi pirateado e mais de cinco milhões de cópias foram vendidas nas ruas. O BOPE é uma força de operações especiais dentro da própria polícia militar e há um certo mito à sua volta porque são considerados violentos e dados a excessos. Qundo fiz o concurso público para integrar a academia, o filme tinha sido lançado nesse altura e ouvi muitos recrutas a dizer que o tinham visto cinco vezes, que vibravam e repetiam as frases dos actores", conta Gomide.

Este entusiasmo com uma vida de "faroeste" explica-se também porque muitos dos novos polícias são familiares ou amigos de outros agentes - e querem por vezes vingar-se da perda de algumas dessas vidas. Mas o jornalista considera grave que a sociedade veja a "violência policial como uma solução plausível" e que seja complacente com a execução da justiça pelas mãos dos agentes, já para não falar de que muitas vezes caem por terra inocentes. "De facto, alguns criminosos são bárbaros e cometem crimes horríveis como torturar e queimar pessoas vivas, ma o Estado não pode assumir esse tipo de postura.

Eu trabalho na "Folha de São Paulo" que tem muito impacto nacional mas que não tem uma circulação tão ampla no Rio de Janeiro como, por exemplo, "O Globo". A polícia disse que introduziu algumas alterações na formação devido à reportagem, sobretudo ao nível da denúncia de situações pelos cadetes. Mas se a reportagem tivesse sido publicada no "O Globo", que tem também rádio e televisão no mesmo grupo, o impacto teria sido maior e talvez o comandate tivesse até sido demitido", argumenta.Mas os dias de suor e cansaço, tensão e camaradagem continuam ainda hoje a ter repercussão na vida do jornalista e a reportagem tem sido pretexto para debater o problema.

O polícia como vítima


Raphael Gomide foi convidado para participar em várias conferências e venceu o Grande Prémio de Jornalismo Lorenzo Natali 2008, da União Europeia, que recebeu no passado dia 22 de Outubro, em Estocolmo, num evento organizado pela presidência sueca da UE. No ano que vem, o jornalista vai publicar um livro sobre o tema através da editora Objectiva [grupo espanhol Santillana]. Na "Folha de São Paulo", Raphale Gomide tem planos para fazer, a curto prazo, uma reportagem sobre os polícias enquanto vítimas desta guerra civil, já que muitos são "assassinados fora do tempo de serviço devido a vinganças" daqueles que não chegaram a prender.

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Entre criminosos e Policias escolho a Policia
Wolf77 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 14:45 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009
Entre a violência dos criminosos e a policial, escolho a segunda....E digo mais, só se molha quem anda á chuva, a policia não bate a ninguém por ir á missa ou por andar a fazer compras no shopping....para bom entendedor....
 
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    Re: Entre criminosos e Policias escolho a Policia    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 14:52 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009
    Re: Entre criminosos e Policias escolho a Policia    Ver comentário
mpreto (seguir utilizador), 1 ponto , 16:15 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009
    Re: Entre criminosos e Policias escolho a Policia    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 16:33 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009
jornalismo puro
B l u e S k y (seguir utilizador), 2 pontos , 16:36 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009
...sem contra-indicações.
O único jornalista capaz de uma reportagem assim, em portugal... hummmm....
...
talvez a Felícia Cabrita...
 
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Circunscrever a violência
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 0:41 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009

.... às favelas e associá-la unicamente ao tráfico da droga, ... é muito pouco e não contribui para a resolução do problema!

A violência tem de procurar todas as suas causas, para que seja possível engendrar as soluções para a eliminar ou diminuir a níveis aceitáveis e que justifiquem ser absolutamente necessária a intervenção ostensiva deste tipo de forças de intervenção pública, que só devem actuar em situações limite!

A degradação das condições de vida e a falta de alternativas para a maioria das pessoas de fracos recursos económicos, residam nas favelas ou fora delas, torna-as o alvo preferencial dos "senhores dos negócios escuros", aqui se incluindo todos, não apenas os do narcotráfico mas também do tráfico de mulheres, da prostituição, de órgãos, de crianças, de branqueamento de dinheiro obtido ilicitamente, etc., etc., etc.,

Uma melhor habitação e um programa ocupacional remunerado, à semelhança dos que existem nos países democráticos desenvolvidos, seria a solução!

Mas o Brasil viveu séculos de dominação senhorial e política com consequências desastrosas nas condições vida da sua população dividida por marcantes assimetrias económicas e sociais!

Não vai ser fácil nem rápido implementar soluções adequadas para resolver pacificamente estes problemas, até porque isso iria colocar em causa os negócios criminosos que muitos levam a efeito sob o disfarce de respeitáveis pessoas!

Cumpts
 
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o que é uma "entre vista "....?????
J Saints (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009


Noticiar uma reportagem que ganhou um Prémio Jornalístico e não ter cuidado com o que escrevem não parece muito "simpático" para com os profissionais ....
 
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Como dizia o delegado lá do sítio ,
J Saints (seguir utilizador), 1 ponto , 17:12 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009

  criminoso enterra-se de pé para não ocupar muito espaço ...

É verdade que no Brasil se morre com " bala perdida " , mas não é menos verdade que apesar de grandes confusões / tiroteios nas favelas praticamente nada acontece desta dimensão nas artérias principais ( fora dos morros ) .
Estive muito perto da entrada de uma favela e apenas percebi que houve grande confusão com uma dúzia de mortos quando cheguei hotel e vi as noticias ... o "caveirão" nunca o vi em acção na via pública !!

As pessoas honestas que vivem nas favelas são os mais massacrados pela guerra entre os criminosos e a polícia .

O Brasil , propalada 8ª economia mundial e com grande potencial de se tornar a primeira ( dizem eles ) é que tem de tratar de proteger os seus cidadãos honestos e contribuintes . Se a policia tem dificuldades em entrar nas favelas controladas pelos traficantes que invistam em habitação social digna e separem o " trigo do joio " .

Até que isso aconteça e pelo que sei da realidade das favelas não posso moralmente apontar o dedo à PM nem aos BOPE apesar de algumas " atrocidades " tornadas públicas...lá a lei é , ou matas ou morres !!!

A policia não tem recursos para fazer melhor ... o dinheiro do tráfico dá para TUDO "!!!
 
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    Re: Como dizia o delegado lá do sítio ,    Ver comentário
Blitz Kid (seguir utilizador), 1 ponto , 1:35 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009
metodo
foxstreet (seguir utilizador), 1 ponto , 19:00 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009
fazer sair uma favela inteira não é facil mas parte dela sim por metodo de megafone e entrar a matar aqueles que lá ficam, os mafiosos claro depois de um trabalho no terreno e identificação dos reles ,e agora vontade politica...!na bósnia foi no instante enquanto ouve vontade politica.
 
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Violência generalizada e o Segredo oculto
Barros.Rosa (seguir utilizador), 1 ponto , 23:49 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009

O difícil de entender na violência brasileira é a falta de escrúpulos do governo que praticamente estimula as matanças, pois não é apenas uma guerra fria entre policia e bandidos... o que se vê muito, também, é a violência nas famílias, pais matando os filhos e vice-versa! E os governantes nada fazem, pois não é uma guerra política, enquanto os inocentes se autodestroem a corrupção política aumenta. Resumindo a violência só favorece ao governo.
 
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Não esquecer que o consumo...
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 9:17 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009
é grandemente responsável pelo tráfico. E os consumidores não são somente os pobres ou favelados, mas também a classe média, os moradores do asfalto, e os privilegiados. Portanto, apesar de necessária, a política de enfrentamento ou de pacificação, poderá não ser suficiente para acabar com o tráfico, se não houver políticas direccionadas para os consumidores de drogas.

Com a ausência do estado nas comunidades, a influência dos poderes paralelos, seja tráfico ou milícia, e a favelização, o Rio de Janeiro tem um desafio de gerações.

Ainda assim quero acreditar que a geração da minha filha vai poder presenciar um pouco do que já em tempos foi a cidade maravilhosa, aos olhos da geração dos avós dela.

Pelo menos esta é a minha opinião, de um português que tem o Rio de Janeiro como uma segunda casa...
 
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