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CULTO

João Melo, o escritor que adoraria saber tocar piano

Alguns dos gostos do escritor João Melo, que admira Mandela, adora poesia e nunca se esquecerá de "Apocalypse Now". Clique para visitar o canal Life & Style.

Luísa Amaral (www.expresso.pt)
8:31 Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
João Melo, o escritor que adoraria saber tocar piano

Cidade de que mais gosta Luanda. Não apenas pela beleza da sua geografia - aliás, num momento de alteração, que, em alguns casos, me inquieta, como a destruição da sua parte histórica -, mas sobretudo pelas pessoas e pelas histórias que existem dentro dela.

A melhor paisagem que viu na vida O Rio de Janeiro visto de avião, à chegada, numa tarde plena de sol.

Personalidade que mais admira Mandela. Pela extraordinária lição de humanidade que deu ao mundo. De facto, ele compreendeu que, como disse o brasileiro Muniz Sodré, "o ressentimento é a doença infantil do anti-racismo" e superou-o integralmente.

Música ou intérprete preferido Sou bastante aberto. Por isso, e além de ter gostos musicais muito diversificados, aprecio particularmente os intérpretes e grupos abertos a todas as influências, misturas e fusões. As minhas preferências musicais vão da actual música popular angolana e africana (urbana) até ao blues e ao jazz, passando pela música popular brasileira (samba, bossa nova, tropicalismo, samba-rock), a música latino-americana, a música espanhola e francesa dos anos 70 e 80, um certo fado e um certo rock, este último também dos anos 70 e 80. A minha única "frustração" é não saber tocar piano.

Um livro imprescindível Qualquer livro de boa poesia. Quanto à ficção, todos aqueles que são capazes de me perturbar, em termos de história e linguagem. É claro que ficção não é apenas uma boa história, mas, se não tiver nenhuma, torna-se profundamente chata, presunçosa e arrogante.

Filme inesquecível "Apocalypse Now".

Um livro de culto Não tenho livros de culto. Como escrevi num poema, "não tenho escolas/ nem gurus".

Uma data que nunca esquecerá 11 de Novembro de 1975.

Amuleto Nenhum.

Um refúgio A minha casa.

Um passatempo Sempre que posso, gosto de ficar em casa, sozinho, ouvindo música e lendo.

Um vício Comodismo.

Um ritual Nenhum.

Um luxo de que não prescinde Viajar. Sem luxos, mas com comodidade.

Quem são os seus heróis? O meu pai, Aníbal de Melo, e o meu irmão, António José (Kiluxa), ambos falecidos.

(Texto original publicado na Revista Única  da edição do Expresso de 06 de Fevereiro de 2010)
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