Com os mercados bolsistas a tombarem, os países em xeque pelos investidores em dívida pública e o desemprego a subir para os 10,4 por cento em Portugal, pelo menos os empréstimos à habitação continuam a custar menos a quem tem o valor da prestação indexado aos juros interbancários europeus. A única certeza para o orçamento dos portugueses que vivem "presos" a um empréstimo à habitação ligado a uma das várias taxas Euribor é que a prestação referente a Janeiro de 2010 será mais baixa que a paga até agora e mesmo mais baixa do que aquela que transfere mensalmente para o banco quem renovou a prestação com base em Dezembro de 2009.
A média da Euribor a 3 meses baixou dos 0,712 por cento de Dezembro para os 0,680 por cento em Janeiro, enquanto a Euribor a 6 meses desceu dos 0,996 por cento para os 0,977 e a mesma taxa a 12 meses caiu dos 1,242 para os 1,232 por cento. Num empréstimo de 100 mil euros a 30 anos, com um spread de 0,8 por cento estas mudanças significam poupança para os mutuários. Quem mais vê baixar a prestação são aqueles que têm actualmente a prestação com indexante de 12 meses e vão renovar em Fevereiro a sua mensalidade. Se em Fevereiro de 2009 a prestação chegava aos 444 euros, agora o preço a pagar pela casa durante os próximos 12 meses será de 371 euros, menos 73,5 euros mensais que poderão significar um orçamento de 2010 aliviado em mais de 800 euros.
Exemplo de um empréstimo:
Montante 100 mil euros
Período 30 anos
Spread
0,8%
Mexidas para o fim do ano
Se até há poucos meses, os mercados de futuros sobre a Euribor a 3 meses acreditavam em subidas dos juros de mercado no princípio de 2010, a realidade tem-se mostrado diferente. Normalmente seguidos de perto pelas taxas Euribor, os juros decretados pelo Banco Central Europeu
podem marcar a tendência do que pagarão os mutuários aos bancos.
Os analistas ouvidos pela agência Bloomberg
prevêem agora que a taxa de juro de referência do BCE suba apenas no último trimestre deste ano, para um valor de 1,5 por cento, deixando para trás o histórico 1 por cento que se mantém como indicador desde 13 de Maio de 2009. Para a primeira metade de 2011 ficaria reservado um novo avanço da política monetária com a taxa de referência a subir para os 2 por cento, segundo os analistas, mas a autoridade monetária ainda não está disposta a inverter o rumo no preço do dinheiro. O BCE descreve num relatório de hoje que "um ponto de viragem na tendência de aperto [do crédito] observada desde metade de 2007 está perto, mas ainda não foi alcançado" e anuncia que "os bancos da Zona Euro esperam uma restrição maior dos padrões de crédito em empréstimos a empresas no primeiro trimestre de 2010".