Numa visita que fiz agora a Gaza e ao Cairo e sobre a qual voltarei a falar aqui, o representante da ONU disse o óbvio sobre o bloqueio: a cada dia que passa Israel faz crescer o ódio dos palestinianos, que já nada têm a perder. O presidente da Liga Árabe disse o óbvio: ou Israel permite a existência de dois estados ou haverá apenas um. E a evolução demográfica é impiedosa: esse único Estado não será hebraico.
Um amigo palestiniano explicou-me que o governo do Egipto, apesar das suas declarações de simpatia pela Palestina, acaba por ajudar o cerco porque teme as ligações da Irmandade Muçulmana ao Hamas. Não percebe o óbvio: o seu cinismo só fortalece a simpatia do seu povo opelos radicais religiosos egípcios.
A história tem destas coisas. Nem sempre é comandanda pela racionalidade. Por não ver o óbvio Israel e Hosni Mubarak estão a criar as condições para a sua própria derrota.