"O Jogo da Morte", ou, no original francês, "Le Jeu de la Mort." O nome sugestivo não impressionou os 80 participantes de um alegado reality show francês que parecia ser igual aos outros. Igual... até à parte em que os participantes torturavam um homem com choques eléctricos cada vez que ele errava a resposta a uma pergunta.
Ainda que não o soubessem, os participantes estavam a ser testados para se perceber até que ponto seriam capazes de cumprir ordens - no caso concreto, torturando um homem sempre que ele errava uma questão - só por estarem na televisão. E, também, por serem incentivados a tal pelo público presente.
A resposta foi inesperada. "Ficámos surpreendidos ao verificar que 81% dos participantes obedeceu" às ordens do apresentador, que incentivava a tortura, afirmou o produtor do documentário, Christophe Nick. "Eles não estão preparados para desobedecer", acrescentou. Apenas 16 pessoas recusaram ser "carrascos" e abandonaram o estúdio.
O reality show era falso e estava apenas a servir de base para um documentário da televisão francesa, mas os participantes não o sabiam. O homem que estava a ser torturado - e que, a certa altura, fingiu morrer - era um actor.
Paralelismo com Alemanha nazi
A experiência, para além de demonstrar o ambiente constrangedor da televisão, estabeleceu um paralelismo com a Alemanha nazi. Uma das participantes confessou, inclusive, que os seus avós eram judeus e que sempre se questionou como era possível os nazis terem seguido ordens tão sádicas. Mas ela própria também obedeceu...
A inspiração para o documentário proveio de um estudo da Universidade de Yale, decorrido nos anos 60, e conduzido pelo psicólogo Stanley Milgram. À altura, através de métodos similares, constatou-se que cidadãos obedientes podiam participar em extermínios em massa apenas "obedecendo" a ordens. O estudo original surgiu na altura do julgamento de vários nazis, cuja participação nas mortes de milhares de pessoas se pretendia determinar.
Veja o programa O Jogo da Morte num vídeo do YouTube