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Irão

Alexander Ellis, Embaixador Britânico
19:04 Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010

Os meus pais - que estão a chegar à casa dos oitenta - passaram férias no Irão no ano passado. Adoraram; o povo, a cultura, a hospitalidade. Ouvi o mesmo de muitas pessoas - o sonho do meu primeiro Embaixador, quando entrei para a carreira diplomática no Foreign Office, era regressar a Teerão.

Escrevo isto para demonstrar um ponto muito simples, que as diferenças que a comunidade internacional tem actualmente com o Irão não são com o seu povo ou com a sua cultura, mas com o comportamento do seu actual regime - com quem não faz sentido fingir que está tudo bem. Há problemas, e estão a tornar-se mais sérios.

Este fim de semana, Ali Akbar Salehi, chefe do programa nuclear iraniano comunicou que o país começaria, a partir de amanhã, a enriquecer urânio a 20%, e que dez novas fábricas de enriquecimento de urânio seriam construídas no próximo ano. Não interessa se estes planos são realmente atingíveis ou não, trata-se de uma provocação à comunidade internacional. As negociações sobre o potencial nuclear do Irão têm sido longas e duras.  O país tem o direito a um programa nuclear com fins pacíficos. Mas esse direito acarreta a responsabilidade de respeitar tratados internacionais, em particular, o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. A comunidade internacional ofereceu-se muitas vezes para ajudar o Irão no seu programa nuclear civil - mas sem sucesso. A comunidade internacional tem procurado, vezes sem conta, o diálogo com o Irão - mas sem sucesso.

Porque é que esta questão é importante? Porque o Irão conta - é um país grande, importante, com um papel fundamental na estabilidade, ou instabilidade, regional incluindo no Afeganistão e no Iraque. Mas há pouca confiança da comunidade internacional em torno do actual regime iraniano - por causa das suas acções nesta matéria, por exemplo, não declarar a existência de uma fábrica de enriquecimento de urânio em Qom; e também por outras razões, como a negação de quaisquer problemas com as eleições e a repressão contra o seu próprio povo depois das mesmas.

O Irão tem o potencial para ser um player importante no plano internacional no século XXI. Mas que tipo de player? A resposta a esta pergunta é importante para os Iranianos, e não só.

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