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Irão suspende morte de mulher por apedrejamento

O governo do Irão afirma que Sakineh Ashtiani afinal não vai ser apedrejada até à morte. Acusada de adultério e homicídio, a iraniana viu a comunidade internacional organizar vários protestos em sua defesa.

Jorge Fonte (www.expresso.pt)
15:56 Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Vários ativistas reuniram-se em vários pontos do mundo para protestarem contra a decisão do Supremo Tribunal do Irão
Vários ativistas reuniram-se em vários pontos do mundo para protestarem contra a decisão do Supremo Tribunal do Irão
Fabio Campana/EPA
Imagem não datada de Sakineh Ashtiani, que foi condenada à morte por apedrejamento
Imagem não datada de Sakineh Ashtiani, que foi condenada à morte por apedrejamento
Amnistia Internacional/AP Photo

Depois dos intensos protestos internacionais a iraniana Sakineh Ashtiani não vai ser apedrejada. Quem afirma é um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão à Press TV, uma estação televisiva iraniana.

Ramin Mehmanparast, o porta-voz, revelou que "as leis sobre os assuntos extra-conjugais estão a ser revistas", acrescentando sobre este caso que "está a ser feita uma investigação para podermos chegar a um veredicto final."

Presa em 2006, Sakineh foi acusada de manter uma "relação ilícita" fora do casamento e assassinar o marido com um dos seus amantes. A pena foi 10 anos de prisão e o apedrejamento por esses crimes. Desde então tem estado presa em Tabriz.

No dia 28 de Agosto o jornal britânico 'The Times' publicou uma mulher sem lenço, identificada como sendo Skaineh Ashtiani. Por causa disso, a iraniana foi sentenciada a 99 chicotadas. No entanto, a foto que o jornal publicou era falsa, e a mulher não era Sakineh.

O advogado de Sakineh Ashtiani não confirmou a decisão de retirar a sentença. Em declarações à agência AFP disse não haver alterações no caso de Ashtiani e que esta continua na prisão.

Parlamento Europeu condenou sentença


As declarações dos representantes iranianos surgem horas após o Parlamento Europeu ter condenado a lapidação decretada a Sakineh Ashtiani e ter exigido ao Irão que revissem a pena. O jornal 'El País' revela que após uma votação de 658 votos a favor e 22 abstenções, os eurodeputados consideraram que "independentemente dos atos, uma condenação de apedrejar alguém é injustificável e não pode ser aceite".

Em todo o mundo tem havido protestos para impedir a morte por apedrejamento desta mulher.

O Secretário dos Negócios Estrangeiros britânico, William Hague, no início da semana descreveu que o apedrejamento é "um castigo medieval e se a pena for aplicada, vai repugnar e horrorizar o nosso mundo."

Também em Washington se mostraram contra a decisão iraniana. Um membro do Departamento de Estado disse que as autoridades americanas "condenam de forma veemente a prática de apedrejamento em qualquer lado que sirva como uma forma legalizada de tortura".

Sakineh Mohammadi Ashtiani tem 43 anos e é mãe de dois filhos. Considerada culpada de adultério, a pena de ser apedrejada é uma decisão aprovada pelo Supremo Tribunal do Irão.

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A pré-Modernidade em todo o seu esplendor
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 21:02 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
A Modernidade, que tem o seu expoente máximo na civilização ocidental, constituiu, pela primeira vez, um corte radical com a mentalidade irracional, com a subjectividade, com o pensamento mágico, com o mundo encantado feito de explicações míticas, místicas, esotéricas, fabulosas e fantásticas.

E, impressionantemente, nos tempos que correm, ainda subsistem regiões do mundo completamente dependentes do pensamento pré-Moderno, onde imperam as lógicas do Direito Natural, das sentenças divinas, dos livros sagrados, das legitimações tradicionais, das superstições, do medo da massificação do conhecimento, do antropocentrismo, da supremacia do colectivo sobre o individual e da inexistência de qualquer separação entre o público e o privado.

Foram necessários alguns séculos para realizar a Modernidade no Ocidente. E, ainda assim, não se eliminaram formas arcaicas de pensar, sentir e agir, próprias da pré-Modernidade.

No Irão, e em vários outros regimes, imperam ainda as lógicas pré-Modernas. Assim, olhar para o Irão dos nossos dias é, em certa medida, como olhar para um "espelho mágico" que nos permite ver uma parte do nosso próprio passado.

Obviamente, há quem olhe para esse espelho e reconheça semelhanças com a nossa trajectória e há macaquinhos de circo que olham para o espelho e se limitam a desdenhar a imagem nele reflectida, sem perceberem que, no fundo, continuam a sancionar positivamente modelos pré-Modernos. Outros, certamente! Mas, ainda assim, pré-Modernos!
 
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Adultério mais grave que assassínio?
CondestavelXXI (seguir utilizador), 2 pontos , 22:07 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
É difícil comentar notícias cheias de confusões (existem incoerências entre os diferentes media internacionais), lacunas (faltam importantes detalhes dos processos que já passaram pela última instância antes do ayatolah).
A única coisa que parece certa é que a pena de morte por apedrejamento poderá ser revista talvez em favor da pena de morte por enforcamento.
Sabe-se que a pena de morte por apedrejamento é devida ao adultério mas não fica claro qual foi a pena por participar no assassinato do marido de que alguns dizem ter sido condenada e depois absolvida.
 
 
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Esta é uma importante vitória
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 18:11 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
que não deveria fazer esquecer iguais práticas em países islâmicos ligados ao Ocidente.
Claro que há alturas em que temos de embarcar nas campanhas do Ocidente mas convém, agora, não esquecer que há muitas outras "adúlteras" no Paquistão ou na Arábia Saudita...
 
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    Inshallah !!    Ver comentário
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 2:06 | Quinta feira, 9 de setembro de 2010
OS RATOS ATÓMICOS
Floriano Mongo(Pres) (seguir utilizador), 1 ponto , 18:47 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Sakineh ousou viver, ousou amar, essas coisas proibidas para as mulheres nos países teocráticos, bárbaros como o Irão de hoje.

  Barbudos infames, incapazes de compreender q os direitos humanos prevalecem sobre todas as leis, regras ou “tradições”.

O Irão, um país com gente culta, civilizada, com reconhecidos cineastas, escritores, poetas, uma sociedade civil esclarecida q lutou corajosamente nas ruas por mudanças democráticas, governado por ratos medievais q odeiam as mulheres e a liberdade.

Este caso não está encerrado. O mundo deu um grito de repulsa, por Sakineh.
Veremos se os ratos atómicos não estão apenas a ganhar tempo.
 
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BARBÁRIE !!!!
coelhobravo (seguir utilizador), 1 ponto , 18:54 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Quando se porá fim a esta barbárie !...
Ser HUMANO ???...
Quando ? Onde ?
Procura-se !!!!
 
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Água mole em pedra dura...
venenoso2010 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:59 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Viver no Irão de Adminejad, noutro regime da dita “revolução islâmica”, algo de similar à Contra-Reforma católica, felizmente já bem longe, é dramático.

Mas há uma certa esquerda pós-moderna que fecha os olhos a práticas do mais reaccionário, as brutais normas da sharia, compreendem Bin Laden, Adminejad, talibãs, só se atirando aos USA e Israel, que também merecem censura.

Vi há pouco algo sobre uma entrevista de Fidel, inferi que ele no fundo tem implícito que muito da dita revolução islâmica é “ópio do povo”! Ora esta esquerda que refiro pouco fez para denunciar, antes tudo têm feito para passar ao lado do terror que regime iraniano impõe ao seu Povo.

Lapidações, outras ignóbeis brutalidades! Parece que Adminejad vai recuar. Irá mesmo?! Felizmente algo está a mudar. Há quem de facto não olhe a tacticismo político e diga:

- “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”!

  Mas é preciso continuar. A esquerda de tradição iluminista, da censura ao “ópio do povo” no que ele tem de irracional, mas que respeita o Religioso liberto de brutalidades de tradições totalitárias, tem de continuar luta pedagógica.

Não foi pelo mostrar da indignação e censura dessa esquerda que este recuo acontece. Antes porque uma maioria não engajada se levantou!

Triste que em Portugal por ex. quem mais denunciou mutilação genital feminina que se pratica(va) às escondidas em imigrantes de tradição islâmica da Guiné não fosse o Bloco de Esquerda, pasme-se foi o CDS!...
 
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Ela continua condenada à morte ou não?
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 21:21 | Quarta feira, 8 de setembro de 2010
Esta notícia é estranha para mim. Ponhamos a coisa assim, às 11h de hoje, escrevi um comentário aqui onde dizia de memória que a pena devia ser a forca (ver este link http://clix.expresso.pt/g... =view#3411846). Ás 4 horas da tarde, o expresso publica aqui este artigo como se fosse uma novidade... quando eu estava convencido que já por várias vezes tinha sido reiterado que a condenada não ia ser apedrejada.

Em todo o caso, esta notícia não resolve o essencial. O título "Irão suspende morte de mulher por apedrejamento", sugere que a condenação está suspensa. Mas o subtítulo "O governo do Irão afirma que Sakineh Ashtiani afinal não vai ser apedrejada até à morte" sugere apenas que a pena de morte não será a de apedrejamento, o que não exclui outras formas (a forca que referi, por exemplo). No Irão existe um forte movimento público contra a morte por apedrejamento que aparentemente já conseguiu reverter alguns veredictos e mesmo libertar condenados, e não me surpreende que este caso possa ser mais uma consequência dessa consciencialização. Mas nada disto alivia em relação ao essencial: ela continua condenada à morte ou não?

Porque francamente, é a pena de morte (em qualquer país, em qualquer sistema judicial, a suprema pena que não pode ser revertida) que está em questão.
 
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