Depois dos intensos protestos internacionais a iraniana Sakineh Ashtiani não vai ser apedrejada. Quem afirma é um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão à Press TV, uma estação televisiva iraniana.
Ramin Mehmanparast, o porta-voz, revelou que "as leis sobre os assuntos extra-conjugais estão a ser revistas", acrescentando sobre este caso que "está a ser feita uma investigação para podermos chegar a um veredicto final."
Presa em 2006, Sakineh foi acusada de manter uma "relação ilícita" fora do casamento e assassinar o marido com um dos seus amantes. A pena foi 10 anos de prisão e o apedrejamento por esses crimes. Desde então tem estado presa em Tabriz.
No dia 28 de Agosto o jornal britânico 'The Times' publicou uma mulher sem lenço, identificada como sendo Skaineh Ashtiani. Por causa disso, a iraniana foi sentenciada a 99 chicotadas. No entanto, a foto que o jornal publicou era falsa, e a mulher não era Sakineh.
O advogado de Sakineh Ashtiani não confirmou a decisão de retirar a sentença. Em declarações à agência AFP disse não haver alterações no caso de Ashtiani e que esta continua na prisão.
Parlamento Europeu condenou sentença
As declarações dos representantes iranianos surgem horas após o Parlamento Europeu ter condenado a lapidação decretada a Sakineh Ashtiani e ter exigido ao Irão que revissem a pena. O jornal 'El País' revela que após uma votação de 658 votos a favor e 22 abstenções, os eurodeputados consideraram que "independentemente dos atos, uma condenação de apedrejar alguém é injustificável e não pode ser aceite".
Em todo o mundo tem havido protestos para impedir a morte por apedrejamento desta mulher.
O Secretário dos Negócios Estrangeiros britânico, William Hague, no início da semana descreveu que o apedrejamento é "um castigo medieval e se a pena for aplicada, vai repugnar e horrorizar o nosso mundo."
Também em Washington se mostraram contra a decisão iraniana. Um membro do Departamento de Estado disse que as autoridades americanas "condenam de forma veemente a prática de apedrejamento em qualquer lado que sirva como uma forma legalizada de tortura".
Sakineh Mohammadi Ashtiani tem 43 anos e é mãe de dois filhos. Considerada culpada de adultério, a pena de ser apedrejada é uma decisão aprovada pelo Supremo Tribunal do Irão.