12/02/2012 atualizado às 17:24

Irão: Paulo Casaca diz que manifestações são actos "espontâneos" do povo

Ponta Delgada, 16 Jun (Lusa) - O eurodeputado socialista Paulo Casaca defendeu hoje que as manifestações no Irão são actos "espontâneos" do povo e não protestos dos apoiantes do candidato presidencial derrotado, frisando que o resultado eleitoral estava decidido antes das eleições se realizarem.

11:52 Terça feira, 16 de junho de 2009

Ponta Delgada, 16 Jun (Lusa) - O eurodeputado socialista Paulo Casaca defendeu hoje que as manifestações no Irão são actos "espontâneos" do povo e não protestos dos apoiantes do candidato presidencial derrotado, frisando que o resultado eleitoral estava decidido antes das eleições se realizarem.

"A generalidade da imprensa ignorou que, no dia anterior às eleições, a resistência iraniana emitiu um comunicado a dizer que tinha fontes seguras no gabinete do líder supremo, segundo as quais tinham sido dadas instruções para que Ahmadinejad fosse eleito à primeira volta e a participação eleitoral fosse de 35 milhões de pessoas", afirmou.

Paulo Casaca, em declarações à Lusa em Ponta Delgada, assegurou ter "lido isto na véspera das eleições" presidenciais iranianas, acrescentando que "foi o que veio a acontecer".

"É obvio que não há eleições livres no Irão, não se pode falar seriamente de eleições", afirmou.

Segundo o eurodeputado socialista, "quem manda no Irão é o líder supremo (Ali Khamenei) e ele decidiu que Ahmadinejad seria reeleito".

Por essa razão, considerou que "passar pela cabeça do presidente Barack Obama (dos EUA) que Ahmadinejad não iria ganhar as eleições, mostra que ele não percebe nada do assunto".

"Quando vejo o presidente Obama a dizer para os iranianos terem cuidado, não fazerem como no Líbano, isso comprova que os EUA continuam a não perceber o que se passa no Irão", acrescentou.

Para Paulo Casaca, o que se está a passar no Irão "são manifestações espontâneas contra o regime", frisando que "o candidato derrotado nas presidenciais (Mir Hossein Mussavi) tem feito tudo o que lhe é possível para acalmar a situação".

Na sua perspectiva, "o regime iraniano dificilmente vai perder o controlo da situação".

"O mais provável é que as manifestações sejam esmagadas pela força", admitiu.

Paulo Casaca manifestou, no entanto, a esperança de que "o Ocidente perceba quem é o seu grande aliado" contra a expansão do poder nuclear no Irão.

"O grande aliado é o povo iraniano, que é, no Médio Oriente, o que está virado para o Ocidente", defendeu.

Nesse sentido, considerou importante que os países ocidentes "criem pontes com os iranianos, dialoguem com os verdadeiros oposicionistas".

Segundo Paulo Casaca, isso implica "levantar a perseguição contra a principal força da oposição no Irão, os Mujahedines do Povo".

O eurodeputado socialista tem vindo há vários anos a defender que os Mujahedines do Povo do Irão devem ser retirados da lista de organizações terroristas.

Os Mujahedines do Povo foram criados na década de 1960 em oposição ao regime do Xá e, depois da revolução islâmica, em 1979, entraram em choque com o regime dos 'ayatollahs', que combateram a partir do Iraque, com o apoio do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein.

FR.

Lusa/fim

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