Steve Jobs parece confiante no potencial do iPad, que classificou na sua apresentação como um "dispositivo mágico e revolucionário". No entanto o sucesso do iPad pode não acontecer de forma tão espontânea como o do iPod ou do iPhone. As opiniões sobre o aparelho não mostraram concordância, muito pelo contrário, há quem lhe teça duras críticas.
Entre as grandes 'desilusões' do iPad estão a inexistência de software Flash (necessário para visualizar uma grande maioria dos vídeos de Internet) da Adobe, assim como a incapacidade de multi-task (executar múltiplas aplicações ao mesmo tempo) e a falta de uma entrada USB.
Sucesso depende dos conteúdos
Muitos especialistas dizem que o sucesso do iPad se vai conquistar nos conteúdos, o que requere que a Apple assegure acordos com editoras para o seu novo sistema iBooks, de forma a poder competir efectivamente com leitores de e-books como o Kindle da Amazon ou o Sony Reader.
Steve Jobs não está preocupado com o software Flash, e diz que muitas vezes os problemas técnicos dos portáteis Mac estão relacionados com esse mesmo software. Numa conferência com empregados da Apple após a apresentação do iPad, Steve Jobs disse que a Adobe, apesar ser uma empresa com um enorme potencial, é "preguiçosa". As esperanças de Jobs estão no formato HTML5, que está a ser desenvolvido por um consórcio de empresas do qual a Apple faz parte.
O formato HTML5 permitiria universalizar a Internet e dispensar programas como o Flash, mas a chegada deste formato dificilmente virá a tempo do lançamento do iPad e substituir todos os modelos vigentes de Internet por HTML5 certamente levará tempo.
A4: O chip da Apple
Mas outra propriedade no iPad está a dar que falar, por se tratar de uma aposta pouco comum entre os gigantes de Silicon Valley. Trata-se da inclusão no iPad do chip A4, desenvolvido pela própria Apple, que representa um esforço de integração vertical que as empresas de novas tecnologias há muito abandonaram como modelo.
O chip A4 é o primeiro processador completamente construído pela Apple. Normalmente os fabricantes de dispositivos compram os chips a outras empresas (como a Intel) e concentram-se na produção. A Apple por outro lado quer ter mais controlo sobre os seus produtos. E isto não se resume à inovação do A4, é visível também na utilização de um sistema operativo fechado em Mac e iPhone.
A crença geral é de que este processador tenha sido desenvolvido por uma empresa que a Apple comprou em 2008, a P. A. Semi, especializada em semi-condutores. Existem no entanto relatos de que a P. A. Semi não terá sido responsável, visto que um grande número de membros do staff abandonou a empresa quando desde que esta foi comprada pela Apple.
Quanto às capacidades do chip em si têm sido levantadas algumas críticas, principalmente por especialistas, de que o chip não introduz nada de novo ou que não leva tão longe quanto possível o potencial do mesmo.
Concorrência em várias áreas
A Apple prepara-se para lutar uma luta em várias frentes com o iPad. Por um lado terá a concorrência dos leitores de e-book tradicionais, que já se começam a preparar para lançar versões actualizadas (a Amazon por exemplo comprou um fabricante de ecrãs tácteis com vista a construir o que tem sido chamado de 'Super Kindle'). Terá de coexistir com os tablets já no mercado (ao que se juntam novas apostas como a da Google) para além de que terá de apostar na popularização deste dispositivo, que representa um novo segmento intermédio entre um smartphone e um computador portátil.
O controlo sobre os seus produtos e a produção verticalizada poderão vir a compensar se o iPad se afirmar como um sucesso. Por outro lado se tal não acontecer a factura desta aposta pagar-se-á cara, se bem que especialistas dizem que um 'flop' do iPad não traria problemas criticos à posição global da empresa.