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Intrigas palacianas

Fernando Madrinha (www.expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 1 de janeiro de 2010

O Governo queixa-se de "intrigas mesquinhas", o Presidente fala de "intrigas montadas". Isto porque houve notícias, supostamente inspiradas por fontes de Belém, dando conta do também suposto desagrado de Cavaco com o facto de Sócrates ter faltado à cerimónia de posse dos novos membros do Conselho de Estado e à reunião semanal com o Presidente. No meio da intrigalhada - os dois gabinetes coincidem no reconhecimento oficial de que ela existiu, ainda que possam divergir quanto à sua origem -, o PS manda um deputado acusar Cavaco Silva de "se intrometer na agenda dos partidos" só porque, perguntado sobre o casamento gay, ele disse estar atento a outros assuntos.

Esta guerrilha fútil e estéril foi praticamente assumida pelas partes, ou não haveria fontes anónimas a alimentá-la. Nem o primeiro-ministro faria questão de elogiar publicamente o deputado que desferiu o mais directo e violento ataque a Cavaco.

Não é crível que a falta de Sócrates à reunião das quintas e à posse dos novos membros do Conselho de Estado tenha ficado a dever-se à inexistência de uma auto-estrada entre Portalegre e Beja. O primeiro-ministro conhece o país, está habituado a gerir agendas bem mais complicadas e nenhum dos actos em questão, nem as jornadas parlamentares do PS que, aparentemente motivaram o atraso definitivo, eram acontecimentos imprevistos ou de última hora. Que a sua ausência tenha tido uma leitura política, ou fosse vista como simples deselegância, é perfeitamente natural. O que já é menos natural é que Belém, se foi o caso, se tenha dado ao trabalho de fazer publicamente essa leitura, deitando achas para a fogueira.

O mesmo para a história do casamento gay. A urgência que o Governo imprimiu a esta sua promessa não deixa de ser discutível num quadro de emergência económica e social. Cavaco quis marcar distâncias. Tem todo o direito de o fazer, sem que, por isso, seja acusado de se intrometer na agenda socialista. Mas a fórmula que escolheu, insinuando que, ao contrário de si próprio, o Executivo não dá atenção ao que é importante, foi provavelmente mais acintosa do que qualquer outra a que poderia ter recorrido se estivesse, claro está, empenhado em não aumentar o nível da crispação política. Como o bom senso recomenda e a situação do país reclama.

Infelizmente, nada disto é inédito. Pode dizer-se que voltámos atrás 15 anos - talvez um ou dois níveis abaixo -, quando Cavaco estava no lugar de Sócrates e Mário Soares era o inquilino de Belém. Esta nova experiência de coabitação prometeu bastante, mas há muito que deu o que tinha a dar. E mostra, uma vez mais, que as virtudes do semipresidencialismo só se manifestam quando o Presidente e o primeiro-ministro são da mesma cor política. Ou quando a paz institucional convém, não exactamente ao país, mas às estratégias de ambos os protagonistas.

Contra Passos... e Marcelo


Se Manuela Ferreira Leite se recandidatasse à liderança do PSD nas próximas 'directas' - ou se houvesse um candidato 'oficial' da actual direcção numa posição mais forte do que a de Passos Coelho -, teria apoiado tão prontamente o Congresso proposto por Santana Lopes? É pouco provável. Fê-lo porque não quer deixar como sucessor alguém que não considera à altura, que sempre a contestou e a quem, por isso mesmo, até vedou a entrada no Parlamento.

O próximo Congresso do PSD, a existir, será, antes de mais, um Congresso contra Passos. É o receio de ele vir a ganhar as 'directas' - pelas quais Santana tanto se bateu e de que agora parece arrependido - que justifica o apoio de Manuela à iniciativa de um ex-líder que, segundo a própria deixou insinuado em tempos, não terá merecido o seu voto quando se candidatou a primeiro-ministro.

O próprio Santana tem outras motivações que não o ódio cego - aliás, nunca foi homem de ódios, políticos ou outros. Candidato perpétuo a todos os cargos para que o partido o chame, como já tem admitido, talvez alimente a esperança de ser chamado uma vez mais. Será uma esperança remota, tendo em conta as excessivas entradas e saídas de palco dos últimos anos. Mas a verdade é esta: recém-chegado de uma derrota eleitoral, ainda que honrosa, e quando parecia não ter qualquer papel a desempenhar nas guerras próximas do PSD, está de novo no centro dos acontecimentos. E a 'encostar às cordas' o putativo candidato Marcelo Rebelo de Sousa. Quem tanto queria um debate sobre o país e o partido, como Marcelo, pode agora faltar a um Congresso convocado para esse fim?

Frio, como compete


Após 11 dias de conversa global acerca do sobreaquecimento do planeta - a qual deu em quase nada e foi mais um golpe na doce expectativa de que Obama tivesse vindo para salvar o mundo - o Natal chega frio como compete. E até chuvoso, o que é um luxo neste nosso país cada vez mais seco e murcho, onde o défice de chuva, tal como o outro, se agrava ano após ano. Quem já perdeu as raízes da terra, não dá pela falta. Protesta porque a chuva incomoda, mal se dando conta de que, sem ela, bem podem os políticos acenar com a prosperidade ao virar da esquina. Já quanto à murchidão do espírito, de que também padecemos por estes dias cinzentos e falhos de esperança, temos que ser uns para os outros, como se costuma dizer e nesta quadra mais se aplica. Talvez o sol brilhe amanhã, dia de Natal, e nos aqueça um pouco a alma. Boas-Festas!

Texto publicado na edição do Expresso de 24 de Dezembro de 2009

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Intrigas
ANO1933 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 12:31 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
O Governo, através de segundas linhas, nada mais tem feito que provocar Cavaco Silva.
Esse "provocador", que se esconde atrás da cortina tem um rosto:
Chama-se José Sócrates !
Será que se no lugar de Cavaco Silva, estivesse Jorge Sampaio, se atreveria a tanto ?
Duvido !
O mesmo Jorge Sampaio não demitiu Santana Lopes por razões de muito menor importância ?
Portanto, ele sabe com quem lida !
Mas o tiro pode sair-lhe pela culatra !
Ele não é inteligente, mas é esperto !
 
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Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:46 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
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ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:46 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
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caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:23 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
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caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:20 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
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ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:41 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
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costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:26 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
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ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 20:28 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
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costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:25 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
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ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 1:04 | Terça feira, 5 de janeiro de 2010
Intrigas palacianas
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:09 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
Estalou o verniz e a crispação começou. Já nem dá para saber quem atirou a primeira pedra, mas já não há duvidas que os ódios, as raivas e as frustações, andam por aí e não foram perdoadas. As tréguas acabaram por mais que tentem convencer o pagode como devia acontecer para bem das Instituições Democráticas. Faz lembrar o casamento, que no início são beijinhos e abraços. As chatices chegam com os trabalhos do primeiro filho. Temos duas crianças que estão para nascer e já se conhece a gravidez. O Presidente pela agenda do ano que se avizinha já deu para entender que procura um segundo mandato. Sócrates depois de ter uma maioria absoluta, compreendeu que as reformas conseguidas com sangue suor e lágrimas serão uma miragem. A Oposição vai rasgar o que puder, satisfazendo assim as vinganças destes quatro anos. Os dinossauros e as múmias já perceberam que se Pedro Passos Coelho chegar ao poder, não tem outra alternativa a não ser deitar borda fora a corja, única maneira de desempestar o partido. Vão cerrar fileiras para impedir o acesso, mesmo que para tal morram de asfixia. De uma maneira ou de outra é uma morte anunciada. Depois do escandalo do Climategate, nunca mais nada será como dantes. Muitos já se estão a interrogar o que é que o clima tem a ver com o ambiente. Começa-se a duvidar que o ambiente possa influenciar o clima. Sabe-se que já houve períodos mais quentes sem CO2, como na Idade Média. O Mundo parece estar actualmente a arrefecer e não a aquecer.
 
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Era uma vez no Principado de Portugal
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 14:16 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
No principado de Portugal, há pouco tempo, ainda agora, governavam dois príncipes, um instalado no Palácio de Belém e outro no de S. Bento. Para um país tão pequenino existirem dois candidatos ao trono e a concorrerem entre si para ver qual deles governava melhor, foi uma tragédia. O mais velho, herdeiro natural dos príncipes abdicantes, tinha a mania das perseguições, vivia aterrorizado só de pensar que o mais novo, em S. Bento, tinha as suas tropas e os serviços secretos apontados a Belém, espionando todos os seus movimentos e escutando todas as suas conversas. Viviam, vivem, assim um clima de conflito permanente, com boatos daqui e contra boatos de acolá, para ver qual deles granjeia os favores dos seus súbditos com o objectivo do assalto final ao poder e a condenação às galés do bastardo. Isto porque ambos se consideram legítmos e vão-se abastardando um ao outro. Sucedem-se as provocações e as deslegâncias por parte destes herdeiros, pouco dignos e sem moral para se sentarem no trono do Principado de Portugal. A plebe é que pagou, continua e continuará a pagar todos estes desmandos, eternamente à espera que D. Sebastião regresse de Alcácer Quibir, num dia solarengo já que numa noite de nevoeiro não aparece com toda a certeza. Entrementes as diversas facções partidárias organizam-se para o apoio a este ou àquele, dando uma sinais evidentes que não alcança este fim por falta de liderança, "comem-se" uns aos outros até ficar só o busto de Sá Carneiro já com ferrugem.
 
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A verdade ao de cimo
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:14 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
José Sócrates tem feito de tudo para que Cavaco Silva o ponha a andar para isso se fazer de vitima, mas até ver a sua chantagem não tem funcionado.
O PS tem demonstrado que tem homens espertos à altura, coisa que o PSD está a léguas de distânçia por isso tem continuado o seu reinado de ditadura (eu quero posso e mando).
Atrevo-me a comparar esta democracia com a do estado novo que peca por poucas diferênças.
 
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Fernando Madrinha
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:27 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
Para si um bom ano, que seja satisfeito por tudo aquilo que desejar.
Cumprimentos.
 
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    Re: Fernando Madrinha    Ver comentário
fmadrinha (seguir utilizador), 1 ponto , 22:55 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
Vitimização irresponsável!!!
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:32 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
Aquilo que o actual Primeiro-Ministro tem feito ao Presidente da República é simplesmente patético, irresponsável e totalmente desprovido de ética e sentido de Estado!!!

É uma vergonha!!!!

Santa, a paciência do nosso Presidente!!!! Dos poucos que restam com Sentido de Estado, com seriedade, ética e responsabilidade!!!!

O Dr. Sampaio enquanto Presidente demitiu o Dr. Santana Lopes por muito menos!!!

O Eng. Sócrates na impossibilidade de impor a sua governação faz de tudo e mais alguma coisa para provocar eleições!!!

Mas se o Orçamento de 2010 seguir em frente não lhe resta outra alternativa se não seguir por mais 1 ano!!!
 
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