Uma das formas mais visíveis de combate à crise financeira tem sido através do esforço orçamental, com efeitos muito significativos no défice e na dívida pública.
Este apoio tem-se traduzido no reforço do capital dos bancos e em estímulos a empresas, determinados por critérios, na maioria das vezes, fundamentalmente políticos.
Admite-se que este caminho tenha sido o menor dos males no contexto da crise que se verificou, mas isso não significa que não se tenha de estar atento à forma como se irá abandonar esta estratégia de intervenção.
Quando e como o irá fazer é um dos grandes desafios que enfrentará o próximo Governo.
Estarão em confronto, por um lado, as consequências negativas da intervenção orçamental que já se vislumbram, tais como a necessidade de aumentar os impostos quando for real a dificuldade de financiar aqueles encargos pelo recurso à dívida.
E, por outro lado, o espectro do agravamento da crise se esses apoios não se mantiverem, o que inibirá o Governo de os suspender.
Se os apoios não serviram para a reestruturação das empresas e do sistema financeiro, então esta dependência orçamental que foi criada, em vez de impulsionar a recuperação económica, só a dificultará.
Texto publicado na edição do Expresso de 17 de Outubro de 2009