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Interesse nacional ou o saque de Portugal

22:00 Segunda feira, 5 de março de 2007

"Os portugueses não gostam de Portugal. Os portugueses gostam deles, não gostam do país que têm. Destroem-no de tal maneira que não podem gostar de Portugal. E eu não gosto das pessoas que não gostam do país que têm" António Barreto, 'Público', 25.02.07

Fiz as contas e cheguei à triste conclusão de que há pelo menos 25 anos que me dedico a escrever textos tentando denunciar os sucessivos atentados à paisagem e ao património natural deste país. E daqui extraio duas outras conclusões: uma, a de que estou a envelhecer mais depressa do que esperava; e outra, ainda mais deprimente, a de que esta é uma causa que só tem passado – não tem presente e, menos ainda futuro. Se há causa perdida em Portugal é a que ainda tenta pôr um travão e um mínimo de bom-senso (já nem falo de amor ao país, como António Barreto...) a esta continuada devastação da terra portuguesa. Sei que já não adianta dizer nada, mas vou insistir, mais uma vez.

Toda essa bela gente que tem a faculdade de decidir do que é público costuma encher a boca com um palavrão politicamente correcto e bem-soante: crescimento sustentado. Isso é o que eles anunciam – nos programas de Governo, nos preâmbulos das leis e nos discursos de circunstância. O que fazem é exacta e conscientemente o contrário.

Crescimento sustentado, como o seu nome indica, significa, no caso, que não pode haver construção ou actividades permitidas que não tenham capacidade de sustentação local nos recursos naturais ou fornecidos pelo homem. E isso faz-se com estudos e, a seguir, com planos. Nós temos planos, de facto: muitos, às vezes demasiados, quase sempre em revisão. Só que os nossos planos são intencionalmente pouco claros, são elaborados com intenções ocultas e com batota (é a própria entidade que quer promover os empreendimentos que faz o estudo de impacte ambiental, por exemplo) e, sobretudo, uma vez feitos, logo aparecem leis a abrir excepções. Um mau Plano de Ordenamento Territorial é melhor do que plano algum; mas um plano que consente excepções às regras, a definir casuisticamente, é um queijo suíço cujo resultado final é vedar aos pequenos e pobres e consentir aos grandes e ricos, com influências políticas para vencer ou dinheiro para corromper, se necessário.

Com o Governo presidido pelo eng.º José Sócrates (que, nunca é demais recordá-lo, já foi ministro do Ambiente, embora agora assobie para o ar, fingindo não ver o que se passa), foi inventada a 'solução final' para acabar de vez com qualquer resquício de planeamento territorial e adoptar livremente o fartar vilanagem, que tantas fortunas instantâneas, tantos comendadores de mérito e tantos generosos contribuintes dos partidos tem dado ao país. São os chamados 'Projectos PIN' (PIN significa ironicamente Projecto de Interesse Nacional). E o que é um 'Projecto PIN', em matéria imobiliária? É aquele através do qual alguém que pretende construir em zona vedada à construção apresenta um projecto megalómano, invariavelmente definido como 'amigo do ambiente' e cheio de 'zonas verdes' que são campos de golfe, prometendo ainda criar uns milhares de postos de trabalho (sem distinguir, obviamente, aqueles que se referem à construção e os que sobrarão no final, e sem dizer igualmente que os ditos postos de trabalho não serão preenchidos por portugueses, que preferem a segurança do subsídio de desemprego, mas sim por brasileiros, angolanos, romenos, marroquinos ou ucranianos). Munido deste 'ambicioso' plano e destas excelentes intenções, o 'empresário' bate à porta do dr. Basílio Horta, presidente da API, que o recebe entusiasticamente, classifica o seu projecto de PIN e o remete para o dr. Manuel Pinho, ministro da Economia, que logo aprova a classificação de PIN, sem sequer se incomodar a ouvir a opinião do eng.º Nunes Correia – um fulano que dá pela alcunha de ministro do Ambiente e que anda muito ocupado a tentar evitar que o mar chegue a um restaurante nas dunas da Costa de Caparica, enquanto que, e graças à sua colaborante distracção, milhares de metros de construção se preparam para chegar às dunas de muitas outras praias.

Dos cerca de vinte projectos PIN já aprovados assim, mais de metade referem-se a empreendimentos turísticos e todos eles, sem excepção, vão ser instalados em zonas onde, de acordo com os tais planos, a construção está vedada: Reserva Agrícola, Reserva Ecológica, Rede Natura 2000. Imaginem só o negócio fabuloso: terrenos que são comprados por tuta e meia, porque não podem ser urbanizados, e que, depois, graças à milagrosa chancela PIN, são urbanizados e comercializados a preços justificados por "slogans" do tipo "venha viver numa Reserva Natural!". Um só negócio destes, e um tipo não precisa de fazer mais nada a vida toda – e ainda acaba condecorado por servir o 'interesse nacional!' Não sei se já repararam, mas desde que os PIN estão em vigor, nunca mais se ouviu um protesto nem um lamento dos autarcas do Algarve, do litoral alentejano ou das margens de Alqueva, e dos empreendedores imobiliários turísticos.

Resta – além da destruição irreversível da paisagem natural, que é de todos ou devia ser, a tal questão chata do 'crescimento sustentável'. Ninguém sabe se haverá água, energia, estradas, estacionamento, capacidade nas praias, poluição nos solos, capacidade de resposta de serviços públicos e camarários, depois de tudo o que vai sendo aprovado alegremente estar construído. Peguemos nos golfes, por exemplo, que sempre acompanham obrigatoriamente qualquer projecto turístico aprovado. Mais uma vez esclareço que não tenho nada contra os golfes – pelo contrário, acho um desporto saudável, útil e interessante e reconheço sem esforço que pode ser uma mais-valia para o país. Simplesmente, um campo de golfe só é verde à vista. Para o manter assim verde, é utilizada uma quantidade imensa de químicos e pesticidas – o que faz com que, em qualquer país civilizado, não sejam autorizados em zona de reserva agrícola e, menos ainda, de reserva ecológica, onde iriam contaminar os veios de água. Mas um campo de golfe de 18 buracos é também um grande gastador de água: gasta diariamente o mesmo que uma população de 8.000 pessoas. Ora, só no Algarve, há trinta campos em funcionamento e mais quarenta já aprovados, o que implica um consumo equivalente a mais de meio milhão de pessoas. Como se sabe, porém, o Algarve vice ciclicamente com problemas de abastecimento de água, levando os autarcas a reclamar a construção sucessiva de mais barragens – o que também não é inócuo e tem consequências, por exemplo, ao nível do desaparecimento da areia das praias (a Natureza é chata, não é?). Para obviar a isto e poder continuar a aprovar mais golfes em todo o lado, juraram, há anos, que todos os campos seriam regados apenas com águas residuais, reutilizadas. Juraram, mas não cumpriram, porque sai mais barato e é mais prático não cumprir. Apenas um dos trinta golfes do Algarve, o dos Salgados, é regado assim: os outros vão à rede pública e esperam pelas barragens.

Apenas uma conclusão final: o que este Governo está a fazer com a sua política de turismo e ordenamento do território não é apenas a aposta definitiva num turismo de massas, em prejuízo de um turismo de qualidade – em cuja promoção gastamos anualmente rios de dinheiros públicos. Está também a criar problemas sérios para o futuro, muito para lá do futuro que tem que ver com as próximas eleições. Não haverá para aí ninguém que também queira organizar uma conferência sobre esta verdade inconveniente?

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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
TAREJA (seguir utilizador), 1 ponto , 14:57 | Terça feira, 6 de março de 2007
Como se comenta uma verdade cheia de "verdades inconvenientes"? Não se comenta - le-se e sente-se vergonha de haver tanta gente má e estúpida que talvez não tenha filhos a quem deixar uma terra para amar e cuidar.

tareja
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
possivel (seguir utilizador), 1 ponto , 16:22 | Terça feira, 6 de março de 2007

  Caro Senhor.Tudo o que disse é verdade. Acrescento mais, sempre fomos péssimos em planeamento e ordenamento do território, pagamos "as favas" dos erros cometidos ao longo do tempo, foi assim no passado e continua a ser assim no presente. Não há meio de aprendermos a lição, isto vem a propósito de o ministro Mário Lino querer apressar a construção do novo aeroporto da Ota. È bom não esquecer que o sr. ministro foi militante PC na mesma linha de pensamento daqueles autárcas que ignoraram no passado a construção clandestina junto ao litoral e na grande Lisboa como são os exemplos da Fonta da Telha, Amadora, Loures, etc, etc...Veja-se hoje a proliferação dos chamados "foruns comerciais", num raio de 20 Km a partir de Almada contam-se pelos dedos a quantidade de grandes superficies com as mesmas lojas, mesmas marcas e com o mesmos clientes... sem poder de compra. Muitas lojas estão a fechar em alguns centros comerciais, foram substituidas pelos "foruns" sequência natural de uma falsa evolução e de um pseudo desenvolvimento. São estes autarcas e politicos, que estão na mesma linha de pensamento de Pitacas Antunes autor de um programa televisivo no tempo do PREC que conseguiu lançar o ódio entre consumidores e pequenos comerciantes, criando os chamados comites de defesa dos consumidores quase agrediam e faziam justiça "in loco". Hoje os Pitacas são outros... os Belmiros, Amorims, Soares Santos e outros que descaracterizam a paisagem, criam desequilibros urbanisticos e desertificam os antigos espaços comerciais nos centros das cidades e curiosamente localizam-se nos concelhos onde o PC tem um grande dominio autarquico. As ruas que outrora eram ocupadas pelo comércio tradicional, estão hoje ocupadas por bares e discotecas que só funcionam á noite prejudicando a maioria dos seus moradores na sua maioria idosos, não é por acaso que actualmente os centros históricos e os centros das grandes cidades estão ao abandono, é dificil passear a uma determinada hora em certos cidades ou vilas. São estes e outros erros que hoje se cometem com a conivência de todos, como também não compreendo o surgimento de novas urbanizações em locais do interior onde a população diminuiu!...Esta pressa que temos mostrar trabalho recorrendo ao betão!... Senhor ministro antes de dicidir pense bem... a OTA e o TGV têm uma importância relativa no país...aposte na capacidade e inteligência dos portugueses, na investigação, no ensino, na cultura e na defesa do ambiente!...Já me esquecia, a seguir aos "foruns"...surgem as chamadas plataformas logisticas, vejam num país pequeno quantas se vão construir!...Tudo tem a ver com Planeamento e ordenamento...meu caro!...
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
carinha.laroca (seguir utilizador), 1 ponto , 17:41 | Terça feira, 6 de março de 2007
Carinha.Laroca

Nem sempre concordo com o Miguel Sousa Tavares, mas desta vez concordo incondicionalmente e tenho pena que continuemos com estas politicas de (des)ordenamento porque gosto francamente das paisagens deste país - antes de serem abusadas.
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
hmcv1 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:52 | Quarta feira, 7 de março de 2007
OBRIGADO MOURINHO POR ESTE FINAL DE NOITE FELIZ
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
A.Lobbista (seguir utilizador), 1 ponto , 16:45 | Quarta feira, 7 de março de 2007

Pode-se perguntar?...

o.PIN-ião ecológica ou Business Talk? (all-inclusive?)
 
Gosta-se de golfe, (porque o novo patrão é golfista) mas é-se ao mesmo tempo, contra os campos de golfe?
Fala-se dos atentados de construção no alentejo, mas nada se diz, sobre a colonialisação pelos espanhois do mesmo alentejo porque se tem um par- time a terça feira numa empresa espanhola?
Fala-se da Madeira, (no presente texto não) mas nada se diz do porto, (embora no saque a lisboa só uma balança pode nos dizer a diferença) porque se tem afecto pela aquela cidade?
Não se fica a saber ou a perceber, o porque das Barragens na serra algarvia, tem haver com a falta de areia nas praias do algarve?
"(A natureza é chata não é?)." - mas temta-se gostar da natureza?
Fala-se em encologia mas nada se diz sobre o comboio, e as energias alternativas?
E no futuro haver num posto de abastecimento varios tipos de combustiveis, numa progressiva caminhada como se deu no passado da merceria da esquina, para o actual hipermercado? E o que tipo de combustiveis ecologicos os portugueses já podem começar a produzir, porque o conhecimento e tecnologia já existe, não é necessario mais fantasia?

Mais "25 anos" a falar e a escrever textos?... "...que esta é uma causa que só tem passado-não tem presente e , menos ainda futuro."?

Desculpe de têr comentado ou intorregado?- ou as duas coisas, mas é que ao passar leu-se que estava escrito o seguinte pedido, "Deixe o seu comentário"

 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
bilada (seguir utilizador), 1 ponto , 12:20 | Quinta feira, 8 de março de 2007
Isto prova que talvez nunca mais na vida alguém terá sossego e paz, os povos entregam o poder no/ou nos políticos que achamos mais capazes, coisa que nenhum deles tem, é capacidade para gerir seja o que for, depois é isto durante os 4 anos de governação, não tarda os que saíram e deixaram o País na miséria, voltem de novo ao palco, e assim vai a vida deste País, bom para alguns, isso a gente vê todos os dias, mal para a maioria, também já sabemos, leis feitas...sempre por baixo, para aqueles que ganham abaixo dos mil euros, dai para cima de norte a sul, o espectáculo é todos em tribunal, por isto e por aquilo, mas ninguém vai preso, apenas teatro e noticias...assim de facto não vejo que possa alguma coisa melhorar, não é retirar aos Portugueses para ajudar e fazer caridade com todos os povos a pedido do comité europeu, que isto alguma vez vai funcionar, podemos sim é trazer os Países mais miseráveis do sul para a parte Europeia, e nisso nós podemos dar uma ajuda, somos bons ai...pena , eu queria ver este País, um País moderno, limpo, pessoas educadas, não pedintes, nem miséria mas vai ser mais isso que o povo Português mais vai ter...
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
Anónimo (seguir utilizador), 1 ponto , 2:59 | Sexta feira, 9 de março de 2007
Caro Miguel,

Estamos aqui. Eu e o meu grupo com muita vontade de organizar a conferência que sugere.
Podemos contar consigo?

Creio que seria importante reflectir sobre Programa de Desenvolvimento Turístico Alentejano...no Alentejo.

Parque Alqueva
H. Defesa S. Brás
Cerro Alto
H. Pinheirinho
H. Comporta
Castelo Alto
H. Cavandela
Q. Arrábida
Tróia Resort

Contacto: http://criarvalor.blog.co...

Aguardamos com expectativa o seu entusiasmo.
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
Anónimo (seguir utilizador), 1 ponto , 18:49 | Sexta feira, 9 de março de 2007
Num país em que os nossos canais nem sequer são feitos cá...
Adivinhem onde são feitos os nossos canais Fox... Em Espanha. Em Espanha! Deve ser mais barato, deve... E o nosso Canal de História, e o Hollywood, e o Odisseia... Em Espanha!
E a nossa filial da VeriSign, hã? Não existe! Ou compramos os nossos certificados (termo técnico do que se "faz" para aparecer o "https" e o "cadeado") no site brasileiro ou no site de outro país da UE.
Bem, temos sempre a Multicert e a Saphety/SONAE, mas não produzem os seus certificados, revendem-nos! Já viram como nós precisamos do estrangeiro? "Só Visto!...", diria o outro da RTP.
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
Anónimo (seguir utilizador), 1 ponto , 18:53 | Sexta feira, 9 de março de 2007
Lá que precisamos de um Salazar, precisamos. Nós e as colónias que foram deixadas ao bolor, à pobreza e à má gerencia (se Portugal já é suficientemente mal gerido, nem queiram saber o assunto das antigas colónias. Nem sequer fazem controlo de natalidade!).
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
JotaM (seguir utilizador), 1 ponto , 17:26 | Terça feira, 20 de março de 2007
Uma pequena achega. Mas desde quando é que nós, portugueses, nos contentámos com ridicularias. Quando em tempos nos dedicámos à navegação não nos deixámos ficar pelas costas de Marrocos. Fomos até à India e ao extremo Oriente. Quando decidimos, mal ou bem, fazer alguma coisa, entramos à grande. O aeroporto da OTA e o TGV são outros dos muitos exemplos. Não pactuamos com misérias e meias-soluções. A sustentabilidade não é posta em equação porque, se fosse, deitaria por terra a maioria desses projectos megalómanos.

Saúde
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
oeuropeu (seguir utilizador), 1 ponto , 4:01 | Quinta feira, 22 de março de 2007
Caro JotaM

Em parte é verdade. Chegar aos descobrimentos demorou 75 anos, não deve ter sido um projecto barato, mesmo para a época. O problema é que os objectivos eram outros. Com o aeroporto da Ota, lucram de imadiato alguns construtores. Depois vendem-se uns terrenos apetitosos do aeroporto de Lisboa. Nem eu nem outro dos habituais utentes do aeroporto vão lucrar muito com a ida para a Ota. Há opiniões técnicas muito críticas sobre a localização do aeroporto. Mas há outros prejuízos: o aeroporto Sá Carneiro deverá ficar mais às moscas... O TGV não lhe trará benefícios porque pára no Porto e não na galiza, de onde poderia vir algum proveito. Como grande projecto nacional, daria por melhor empregue o dinheiro a fomentar energias alternativas a sério, porque aí sim, haveriam benefícios palpáveis no futuro. Ou a reabrir as maternidades, as urgências, etc....ou a combater a alta corrupção, o que só por si já seria um bem duradouro. Há uns bancos a financiar a Ota, privados? Com os milhões de lucro pomposamente anunciados todos os anos, e com benefícios fiscais que hão-de acabar daqui a muitos anos, é uma factura que pagam com todo o gosto...
Mas enfim, vai ver que a Ota será um sucesso, há-de ser pequena para a multidão de turistas que seguem direitinhos para o Allgarve... E não se esqueça dos chineses, que finalmente sabem que os salários em Portugal são inspirados nesse grande e emergente país. E os chineses são muitos milhões. Olhe, o melhor é começar já a pensar na Ota 2, e em alargar a frota da Tap trocando os actuais aviões pelo novo Airbus de 800 lugares. Veja bem: a crescer 1,8% ao ano ultrapassaremos em breve a Espanha, Reino Unido, Irlanda, Alemanha.... Teremos tanta indústria de ponta em 2013: engenheiros de atendimento ao turista, doutoradas em animação noturna, diurna, polos tecnológicos por tudo o que é canto. Apenas um senão: a electricidade, água, gás, supermercado, vai continuar tudo a subir, e depois da Ota o IVA deverá passar para 35%. Mas sempre fiéis ao nosso líder, Kim... perdão, Sócrates.
Alegre-se!!! Há diamantes na sede da PT! Há petróleo no Algarve! A malta é que não precisa dele para já...
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
PJSalda (seguir utilizador), 1 ponto , 17:35 | Quarta feira, 4 de abril de 2007
Caro Miguel:

Pelo que leio do seu texto vejo que não é um golfista praticante. Eu sou.
Se fizer uma introspecção verá que não resta muito a Portugal se não aproveitar o seu clima. A indústria morreu, a agricultura também. Nos serviços, os espanhóis estão a entrar em força! Que nos resta ? Não vejo outra opção se não o turismo! De massas ? Não creio. Tivemos as más experiências do passado no Algarve. Por que não criar um "cluster" de golfe nacional - lembra-se do senhor Porter? - se é isso que temos para oferecer em qualidade ? Aliás, informo-o que o Algarve foi recentemente premiado como o melhor destino do mundo para a prática de golfe por uma Associação Internacional.

Por outro lado, vejo que é uma pessoa preocupada com o ambiente (aliás, agora é moda!). Por vezes, quando jogo uma partida de 18 buracos num dos excelentes campos de golfe nacionais sou inundado de pensamentos de calma e prazer. Devia experimentar ...

Convido-o a largar um desses fins-de-semana que dedica a poluir (não só com emissões de CO2) as estradas campestres com um qualquer todo-o-terreno e alguns dos seus amigos cosmopolitas que regularmente descem ao "campo". Aguardo pela sua contribuição para a redução das emissões poluentes! Da próxima vez que agendar uma saída de todo-o-terreno, falte e venha jogar golfe. O ambiente agradece ...

PS: Gostei muito do "Equador". Excelente trabalho!
 
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re: Interesse nacional ou o saque de Portugal
userEX110508 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:01 | Segunda feira, 23 de abril de 2007
Caro Miguel Sousa Tavares, estou de acordo com todo o seu contraditório relativamente aos assuntos referidos que nos torna um pais pequeno onde o tráfego de influências e de interesse e a promiscuidade de alguns conceitos de amizade nos estão levando a um beco sem saída.Triste democracia a nossa, creio que só para alguns que pertencem a esse pequeno grupo que auto-sugestionam a eles próprios de políticos , que se encontram em pequenos bandos chamados partidos políticos, com pouca abertura à sociedade , fazendo para isso os movimentos quando das campanhas eleitorais, mas nunca abrindo muito essa militância para não provocar alguma turbulência relativamente aos interesses instalados, que passam o tempo se protegendo mesmo por vezes sem se gramarem muito uns aos outros , incluindo os de outros partidos, pois nessa área de areias movediças nunca se sabe as voltas que isso dá, quando um inimigo por vezes se pode transformar num amigo, e tendo em conta com favores com favores se pagam, daí surgiu toda essa nossa elite política, nomeadamente o Ferreira Torres, Isaltino; Valentim, Felgueiras, todos eles creios que já arguidos, utilizando todos os mecanismos legais e ilegais para perservarem a sua espécie no poder.Casos únicos numa democracia que se deseja evoluída, mas que pequenos exemplos como os acima referidos proliferam por todos os orgãos de soberania do país, serviços públicos, autarquias , não havendo tribunal de contas , ou ministério público que dê conta do recado.Lamento esses que trabalham em fábricas da globalização com salários que até dá pra convidar os chineses a se instalarem por cá, pois o nosso custo dessa mão de obra é quase idêntico, que não existe greve que lhes resolva o problema nem manisfestação que os ajude, sonhei com o 25 de Abril, era eu adolescente com algo melhor para todos os cidadãos deste país, mas as desilusões ao logo dos anos têm sido muitas, não existe ego que suporte tudo isso, todos o movimentos de cidadania, todos esses exemplos , mas que na altura de opção, de definição de carácter colocam esses conceitos como sendo de nivel social, prevalecendo sempre os seus direitos adquiridos individuais, mesmo que já sejam muitos.
      Mais, quanto à OTA, tenho uma questão que considero pertinente , que creio que poucos se referem a ela, que é o facto da escassez do petróleo,variantes de preço e às projecções que o dão como acabado daqui a 30 anos, me corrijam se estou enganado, mais sendo uma questão fulcral num mercado como o da aviação que se altera com grande volatilidade em relação a essa variável.Mas também aí creio que esse é também um factor pouco relevante relativamente a todos os estudos efectuados.

POR UM PORTUGAL MELHOR,...( não estou em campanha eleitoral nem sou político...)Caro Miguel conto com toda a sua intervenção e avaliação jornalistica pertinente, sem medo, não isenta por vezes de algum erro, mas quem não os tem???nessa luta de convicções, valores, carácter, que tem demonstrado no exercicio da sua profissão ao longo de todo estes anos.Mais , sou do Benfica.
 
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