O Instituto Superior de Ciências Educativas (ISCE) vai pedir hoje explicações ao secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, depois de este ter apontado esta escola e ainda o Instituto Piaget, ambos privados, como possíveis casos de estabelecimentos de ensino superior que facilitam na atribuição de notas nos cursos de formação de professores.
"Não deixa de ser estranho que duas instituições privadas - o Instituto Piaget e o Instituto Superior de Ciências Educativas - tenham colocado nas escolas tantos professores do 1.º ciclo e educadores de infância nos últimos dez anos quanto o conjunto de todas as escolas superiores de educação públicas", declarou Jorge Pedreira ao Expresso, na passada sexta-feira.
A constatação foi apresentada pelo governante para justificar a necessidade de haver uma prova de ingresso nacional para os candidatos a professor, já que não existem ainda "garantias da qualidade" das formações de ensino superior. E o facto de a nota do final de curso ser determinante no concurso de colocação de docentes pode gerar distorções, explicou.
De acordo com os números compilados pelo Ministério da Educação (ME) e enviados aos órgãos de comunicação social, a Escola Superior de Educação Jean Piaget "colocou" três mil educadores e professores do 1.º ciclo nas escolas públicas nos últimos 10 anos e o ISCE outros 1234. O total equivale ao número de docentes em exercício formados em 14 institutos politécnicos públicos ao longo do mesmo período.
O secretário de Estado garante que estes valores "não correspondem à distribuição da população estudantil" nem "à percepção generalizada da qualidade relativa das instituições de formação". "As escolas públicas são procuradas pelos melhores alunos", reforçou.
Felismina Santos Morais, presidente da direcção do ISCE, refuta a insinuação e vai agora pedir explicações ao ministério: "Vamos perguntar ao secretário de Estado em que dados se baseou para proferir estas afirmações. Sentimos uma grande injustiça por se estar assim a colocar em causa uma instituição com 25 anos, que tem um passado, um presente e um futuro."
O Expresso tentou ainda obter um comentário junto do Instituto Piaget mas não foi possível até ao momento.