Entre os portugueses que descarregam música na Internet, a grande maioria - 75,6% - fá-lo ilegalmente, 22,4% fazem simultaneamente downloads ilegais e pagos, apenas 2% só descarrega música legalmente. Os dados foram recolhidos num inquérito da empresa de estudos de mercado, Netsonda, que abrangeu 375 portugueses com mais de 16 anos.
O inquérito confirma o rotundo fracasso da venda de downloads de música. Um dado reforçado pelo facto de que (apesar da muito acentuada quebra de vendas registada sucessivamente ao longo dos últimos anos) 84,5% dos inquiridos continuar a comprar cds e que o principal motivo invocado é o gostar de ter o objecto físico, enquanto que o principal factor para pagar por downloads de música é não conseguir encontrá-la gratuitamente na net.
"É muito difícil o iTunes conseguir singrar se num site ao lado um mesmo álbum for disponibilizado gratuitamente. O crescimento do digital legal está bloqueado pelo ilegal" afirmou Eduardo Simões, director da Associação Fonográfica Portuguesa, a propósito da divulgação na semana passada dos números das vendas de música em 2008, em formato áudio e digital, que indicaram uma quebra de 11,5% em comparação com o ano anterior. As vendas irrisórias de downloads não conseguem compensar minimamente a quebra dos cds.
No inquérito da NetSonda, a música surge no topo dos downloads, mas as séries e filmes têm já bastante significado. Entre os 77,1% dos portugueses inquiridos que indicou fazer downloads, 67,7% descarrega música, 40,3% séries e filmes, 24% jogos.
Os dados foram recolhidos por e-mail entre os dias 3 e 6 deste mês, junto do painel da Netsonda. Entre os 375 participantes, 122 tem entre 16 e 24 anos, 108 entre 25 e 34, 70 entre os 35 e 44, 42 entre 45 e 54, 23 entre 55 e 64 e 10 com mais de 65 anos. No total da amostra contam-se 203 mulheres e 172 homens.