Inovação é um conceito agradável; todos somos a favor de mais inovação. Mas o que quer dizer? Aprendi alguma coisa durante a última semana, de três fontes distintas.
Primeiro, inovação social. Fui anfitrião duma festa para os participantes duma escola de Verão para o empreendedorismo social
; participantes que vieram dos quatro cantos do mundo, da Nova Zelândia à Califórnia, passando pela Coreia. Era um dos grupos de pessoas mais interessantes que tenho encontrado, com ideias fascinantes e com o mesmo fim - identificação e compreensão de necessidades sociais não identificadas e desenvolvimento de iniciativas e instituições para as resolver - o objectivo da Young Foudation
, que era com a Fundação Gulbenkian
a grande promotora deste encontro. Na prática, isto pode ir desde criar uma escola para pessoas que querem aprender e para aqueles que querem ensinar
até a um exemplo Português; ouvi dum concelho no norte do país que em vez de terem pessoas idosas em lares, pagam a famílias para as acolher nas suas casas; melhor para os idosos, mais barato para o Estado. Vários participantes portugueses falarem da sua experiência, por exemplo, o concelho de Cascais, que vai ter uma escola de social innovation
.
Segundo, perto de Leiria onde estive com uma empresa Portuguesa, a AlgaFuel
, que está a desenvolver tecnologia inovadora para alcançar um fim importante: reduzir as emissões de dióxido de carbono e outros gases que saem duma fábrica de cimento. O conceito - utilizar microalgas que, pela fotossíntese, absorvem o CO2 produzindo oxigénio - é simples (até eu percebi) e bem conhecido. Mas a prática é complexa, porque a natureza é assim; e o que se faz num laboratório não é facilmente transponível para uma fábrica de cimento. A necessidade de grandes aumentos de escala torna as coisas mais difíceis.
Terceiro, nos prémios da Fundação Gulbenkian
. Um dos prémios foi ganho pelo Chapitô
, que conhecia como um bom sítio para comer, e por causa da escola de circo; mas nunca me tinha apercebido do leque de iniciativas, e do espírito das pessoas, que ajudam tanta gente a ter uma vida melhor. Este é um exemplo claríssimo da inovação social posta em prática.
Ligando estas iniciativas e espírito de coragem; os participantes atrevem-se a fazer coisas que têm riscos, que nem sempre funcionam bem; é necessária determinação para continuar a aprender, e a não desistir ao primeiro obstáculo - e uma visão da acção humana que vai muito além do dinheiro ou da autopromoção. E o que mais me fascinou foi ver a partilha de práticas comuns de negócio - com os olhos postos nos resultados, o rigor da análise, misturado com um desejo de alcançar fins sociais do qual todos beneficiam.