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Independência?

João Duque (www.expresso.pt)
0:01 Sábado, 5 de dezembro de 2009

Independência - subst. f.; estado qualidade de ser livre, de não depender de ninguém; qualidade do que tem autonomia política ("Kernerman Portuguese Learners Dictionary").

Dezassete anos acabados de fazer. Uma semana em Londres e a sensação de poder sair quando quisesse (todos os dias) para fazer o que quisesse (visitar museus e andar pela rua encantado com aquela sociedade) e entrar em casa quando me apetecesse (sempre cedo porque não havia dinheiro para copos ou noitadas).

Chegado a Lisboa comecei as guerrilhas em casa com a mãe e o pai. "- Onde vais?" "- O que é que isso interessa?" "- Mau!... Onde vais, com quem vais, e a que horas chegas?" "- Isso não interessa!" "- Ai não? Então vais ver como elas te mordem. Olha lá, como é que vais pagar o passe para andares por aí a vadiar?"...

Silêncio. Percebi onde queriam chegar. A minha revolta acabara ali. Tal como o gato de D.ª Sância, Mago, em "Os Bichos" de Miguel Torga, amoleci, "vendi-me", e anichei no humilhante recato da casa materna.

Afinal, cresci.

Portugal endivida-se todos os dias a uma escalada de verdadeiro desvaire. Se for verdade o que prevêem os economistas que acompanham a economia portuguesa nas várias agências internacionais, o défice público deve crescer à razão de 8% do PIB ao ano nos próximos três anos.

Se a essa dívida somarmos a que vai crescer à custa do endividamento de empresas públicas, municípios e demais entidades parapúblicas, a situação é um verdadeiro descalabro. A coisa este ano vai atirar para um endividamento público que sobe à razão de 1,7 milhões de euros à hora!

O ritmo a que esperamos que cresça a nossa economia é magro e insuficiente, pelo que o crescimento da taxa de juro, que vai seguramente começar em breve, irá rebentar com os cenários mais pessimistas dos orçamentos de estado.

Por outro lado, a baixa taxa de poupança nacional leva-nos a recorrer a sistematicamente a financiamento externo, o qual se mostra cada vez mais necessário, infelizmente para fazer face a financiamento de consumo em lugar de investimento, e com prazos cada vez mais curtos.

Perante este cenário está em causa a independência nacional. Em bem chegando ao limite que bem temo chegarmos em breve, as agências de rating vão tocar as campainhas. Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu vai começar a sua política de enxugamento da liquidez excessiva no sistema, o que vai aumentar significativamente o custo do crédito para quem tiver piores notações de rating. Os investidores internacionais que nos financiam vão exigir taxas de juro cada vez mais elevadas para fazer o mesmo tipo de financiamento que hoje nos concedem e vão exigir, pela lei do mercado, que o investimento público e privado seja realmente produtivo.

Se não vai a bem vai a mal. Ou ganhamos juízo ou o custo do capital público para Portugal passa a ser de tal forma elevado que os grandes investimentos públicos ficam escancaradamente negativos e já nem os generosos pressupostos dos estudos lhes vão valer.

Independência nacional? Só até D.ª Sância nos encher a malga com as inesquecíveis sopinhas de leite. Depois...

João Duque , Professor Catedrático do ISEG

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009

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Como dar a volta????!!!!
costinha79 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 12:58 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
Acho que os diagnósticos estão feitos, são consensuais e foram devidamente escalpelizados por diversos economistas e gestores reputados!!!!

O importante é que a nossa classe política ganhe juízo (como afirma o Dr. Duque) e apresente vontade de mudar o rumo dos acontecimentos!!!!!

A adopção de reformas sérias, corajosas e responsáveis em diversas áreas fundamentais como na administração pública estatal e local, no sistema fiscal, no código laboral, na justiça e na educação são urgentes para Portugal conseguir captar investimento nacional e estrangeiro produtor de bens exportáveis!!!!!

Sem crescimento económico acima de 3% não conseguimos suportar o estado social português como se apresenta actualmente!!!!!

Os investimentos megalómanos que o nosso Governo se propões executar são irrealistas e completamente desfasados das necessidades da economia portuguesa!!!

É importante que os nossos governantes abram os olhos e ganhem juízo e mudem a estratégia de investimento económico caso contrário as nuvens negras que pairam sobre a nossa economia irão adensar-se!!!!!
 
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A ser assim;quaquer dia vai morrer tudo á fome.???
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 2:38 | Sábado, 5 de dezembro de 2009
A ser assim;vai morrer tudo á fome..???Ou já tem alguma mágica,para evitar que isso aconteça..???Ou então porquê,não alerta as autoridades;ou seja:Os donos do poder;que agora são os xuxas da vida;e que mudem de política..?? Caso contrário;lá vão morrer 10 milhjões de portugueses;e portuguesas;e aí o nosso portugal vai ficar sem a nossa racinha;que é tão boa...Felizmente;os próprios portugueses se sacanearam uns aos outros..Nem foi preciso os castelhanos nos meverem outra invasão;digo outra;pois foram tantas invasões no passado;que agora vai ficar mesmo ao seu desjo..o povo português;se lascou.. finish.. ACABOU-SE A NOSSA RAÇA..?? SÓ VÃO FICAR AÍ OS XUXAS;SÓZINHOS.. E DEPOIS;COMO É QUE VAI SER..???E QUEM LHES VAI CAVAR AS COUVES;E OS TOMATES;PARA COMEREM..?? E O BOM VINHO LÁ DO MEU DOURO..?? SERÁ QUE OS GALEGOS VOLTARÃO..?? A TRABALHAR LÁ NAS MINHAS QUINTAS DO DOURO...?? AÍ JÁ NEM SEI..BOM até breve.. cumpts..kantiflas..
 
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Sr. Professor Doutor, estou doente. Eu sei,...
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:56 | Sábado, 5 de dezembro de 2009
...mas a cura? Para nós, o importante é a cura.

Falamos de miséria, de fome e de vergonha. Claro, para qualquer funcionário do Estado, isto é conversa de alarmista demente. Claro, o vosso está garantido e, até à morte. Estará?

Quando acabarem de liquidar a economia real, onde só ficarão as empresas que não se possam deslocalizar. E as que ficam são as grandes, "encostadas" ao Estado.

Mas quando não puderem sugar a a economia real, porque é difícil tirar sangue a um cadáver, como farão? Comem-se uns aos outros?

Os desempregados das cidades sem emprego e com as casas penhoradas terão que regressar às suas origens.

Mesmo com espírito empreendedor, poderão iniciar uma actividade empresarial?

Tente plantar umas batatas, com o objectivo de consumir e vender o excedente e verá a quantidade de Ministérios que lhe caiem em cima. Sem contar com a Autarquia.

Existem até anedotas no que respeita a estes assuntos. Evito de as contar, porque não acho piada. Deprimem-me.

Resta-me, para não falar sozinho e poder ser dado como maluco, escrever, mas à cautela, escudado no anonimato.

Mesmo assim, arrisco-me, pois quem protesta contra a situação, é como carniça fedorenta para os abutres que sempre de atalaia me saltarão em cima.

Quando puder, Senhor Professor Doutor João Duque, dê-nos uma pista. Mas sem as habituais ocas e grandiloquêntes palavras. Coisas simples como: plantar bróculos sem ser chateado.

Ficamos à espera

cumprimentos
 
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    Re: Sr. Professor Doutor, estou doente. Eu sei,...    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:21 | Sábado, 19 de dezembro de 2009
Dar os nomes aos bois
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 16:12 | Sábado, 5 de dezembro de 2009
É por isso que é importante não esquecer os nomes dos responsáveis que levaram este país a parecer-se com uma qualquer república bananeira terceiro- mundista.

Eu sei quem são e não me esquecerei jamais dos seus nomes.

Hipotecaram o futuro das gerações mais jovens deste país, que se verão obrigadas a emigrar, o que, para alguns, até nem será uma novidade, é já tradição de família.

Para outros, no entanto, que nunca viveram essa "honrosa tradição", nem a pretendem viver, restará apenas a revolta, como já vem acontecendo.

Compreendo-os e até lhes dou todo o meu apoio.
 
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    Re: Dar os nomes aos bois    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:22 | Sábado, 19 de dezembro de 2009
Uma Verdade inconviniente!
Nuno.Miguel (seguir utilizador), 1 ponto , 11:38 | Terça feira, 8 de dezembro de 2009
Assistimos nesta ultima década a uma degradação do nosso modelo económico principalmente após a entrada no Euro. Perdemos competitividade perante um mundo globalizado e não conseguimos competir com as economias emergentes como a China e a Índia. Ao fazer uma análise do nosso país sinceramente vejo em decadência e sem grandes soluções e o mais angustiante é ver os nossos governantes fazerem de conta que não sabem o que se está a acontecer. É muito grave o que diversos governos fizeram, perdendo tempo precioso e para além disso endividando o país em projectos de duvidosa rentabilidade. A factura é muito pesada, o Estado aproxima-se perigosamente de um nível de endividamento insustentável e chegará o dia que os nossos financiadores digam simplesmente não! Não há mais dinheiro! paguem o que devem! E quando isto acontecer será uma tragédia.... O país e o portugueses têm que encarar este cenário e fazer as devidas "reformas" para que não cheguemos a este ponto de ruptura. Infelizmente a classe política parece não querer encarar esta realidade e principalmente este Primeiro Ministro que propaga a velocidade da luz que o Investimento Público é a solução dos nossos problemas. Não sou nenhum profeta da desgraça mas antevejo um cenário muito difícil nos próximos quatro anos, o desemprego vai disparar para os 15%, o PIB vai continuar meio morto...... e o Endividamento irá atingir o limite. Só espero que a União Europeia venha cá e ponha este país na ordem....
 
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SÓ TEM UMA SAÍDA..os cinheses;já fizeram uma ofert
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:27 | Sábado, 19 de dezembro de 2009
Só tem uma saída.Os chinas;até já fizeram uma proposta muito boa..SENAÕ VEJAMOS.Se mostraram interessados em construir um grande porto;na caparica..Então aí;é a vez de portugal virar colónia dos chineses..Porque não..???No passado;já fomos donos de meio mundo;e hoje podemos passar a ser colónia dos chineses..É PARA SABER SE É BOM SER COLONIZADO XENTE.. NÃO AHAM BOM XENTE..??? ME DIGAM ESSA MINHA IDEIA.. XENTE..OK.?? ATÉ LÁ.. CUMPTS..KANTIFLAS.
 
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