O comissário europeu para os Assuntos Económicos fez recomendações aos diferentes países-membros relativamente aos prazos para retomar a via da consolidação das contas públicas, em que a data limite para alcançar aquele objectivo é 2013.
No caso de Portugal, em que se prevê que o défice esteja nos 8% do PIB e que o crescimento económico seja muito débil, não se imagina como conseguir um esforço de redução do défice na ordem dos 1,25% por ano, quando a carga fiscal atingiu o limite do tolerável. Aquele valor, para ser conseguido, implicará um esforço de tal forma exigente que é irrealista.
Apesar disto, e ao contrário de outros países, o ministro das Finanças não só aceitou dar um sinal de redução do défice até Junho de 2010, como realizar a consolidação apenas nos dois últimos anos, o que significa reduzir o défice em 1,7% em 2012 e 2013.
Esta intenção parece fantasia, mas pode ser uma realidade. Para reduzir o défice até Junho, basta utilizar a técnica do anterior Governo e estimar para 2009 um valor superior ao real porque, a seguir, qualquer um o faz baixar.
Quanto ao que se passará nos dois últimos anos da legislatura, o dr. Teixeira dos Santos também não disse quem seria o ministro das Finanças nessa altura...
Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009