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Foodie, ou como se diz em inglês...

Comer melhor não significa comer mais caro. Significa tempo e paciência.

Clara Ferreira Alves (www.expresso.pt)
0:01 Quinta feira, 24 de dezembro de 2009

Tornei-me uma foodie. Uma foodie é alguém que gosta muito de comida, de ver, de preparar, de comer. Gostar é quase amar, é assim como um fogo que arde sem se ver. Ou seja, foodie não apenas como paixão platónica e funcional, desconstruída e abstractizante, e sim como lírico e camoniano amor. Se, depois do abstractizante e do desconstruído, os leitores ainda estão comigo, podem continuar, prometo que não volta a acontecer.

Foodie. Ou, como diriam os ingleses vistos na perspectiva do saudoso Laurodérmio (ressuscitado no DVD da série do "Herman Enciclopédia", de longe a melhor coisa que se fez em Portugal em humor, a mais inteligente, a mais revolucionária, a mais obscenamente livre), "da fóóóodai". Ou, como diriam os verdadeiros ingleses, "da fuuuedie". Um foodie, ou uma foodie, não pode ser confundido com o guloso ou a sua forma mais extrema e prevaricadora, o glutão. O foodie não é gordo, não é gorduroso e não é fácil de aturar, porque é exigente. Não é vegetariano, nem biológico, nem macrobiótico, nem orgânico. Não é verde, nem vermelho, nem ecologista, nem transgénico. É alguém que compra alimentos frescos, que aprecia mercados como La Boqueria, de Barcelona, e que foge de hipermercados e ultracongelados. É alguém que não gosta muito de muitos restaurantes, a não ser, como na anedota, pelo convívio. Quando digo restaurantes não estou a falar de estrelas Michelin nem de listas elitistas, estou a falar de restaurantes normais, sendo certo que prefiro uma tasca de ruela e vinho da casa e um restaurantezinho familiar escondido no meio do sobrado e da cal do Alentejo às espumas e rendas carbónicas de Ferran Adrià. Embora um Château d'Yquem seja um Château d'Yquem. O foodie tem geografia sentimental. E hábitos. Um foodie prefere passar fome a comer depressa e em pé.

Muitos restaurantes nem sempre estão à altura da gastronomia portuguesa, com reconhecidas excepções. Não sabem temperar uma salada, não sabem usar especiarias, não sabem usar o frigorífico, não sabem prescindir do pão eléctrico e vácuo, não sabem a diferença entre cru e curado, não sabem comprar peixe nem carne, não se interessam pelos pormenores. E os pormenores são a substância. Cavam-se abismos entre frango de aviário, galinha do campo e pintada, entre vazia, lombo e bochecha, entre captura e aquicultura, entre sol e estufa, entre azeite virgem e óleo, entre manteiga e margarina, entre sal e flor de sal, entre orégão seco e orégão ressequido, entre pimenta em grão e moída, entre café brasileiro e colombiano, entre tripa e morcela, entre linguiça e farinheira, entre chocolate preto e manteiga de cacau, etc., etc.

Comer melhor não significa comer mais caro. Significa tempo e paciência. A comida orgânica teve anos de má reputação. Tudo era murcho, amarelado e decadente. A maçã era pequenina e bichada, a uva era aguada, a carne era incolor, insípida e inodora, os ovos eram brancos e brancos em vez de amarelos e brancos. Hoje, a comida orgânica, sem aditivos nem conservantes, sem químicos nem pesticidas, é de grande qualidade. Pode ser cultivada numa escala de jardim. Dois palmos de terra bastam para as ervas. Manjericão (o tomate sem o manjericão fica viúvo), estragão, salsa, hortelã, rosmaninho, funcho, segurelha... e cuidado com os caracóis.

Em Londres, existem várias lojas do empório Whole Foods, uma cadeia que nasceu na Califórnia e que pertence a uma filosofia foodie que descende da senhora Alice Waters, fundadora do restaurante californiano Chez Panisse. Waters dedica-se agora a fazer com que as escolas americanas comecem a adoptar menus saudáveis em vez de fast food e doces de fábrica. Os foodies, bem entendido, são adeptos da slow food, da comida com vagar e sem linhas de montagem.

Nos mercados Whole Foods encontra-se tudo e tudo é bom e fresco. Os fornecedores, da carne à fruta, do peixe aos secos e molhados, contam a história das suas quintas e da sua relação com o que fazem. Há revistas, receitas, cursos de cozinha, provas de vinhos, encontros de foodies, palestras e viagens. Como um clube, exactamente. Com site na Internet.

Uma educação sobre o que comemos sem o proselitismo desagradável. Na minha infância, quase toda a comida era assim. Whole. Uma gema de ovo batida com cerveja preta, canela e açúcar amarelo dava um lanche. Os pêssegos sabiam a néctar e no Outono confeccionavam-se compotas com a fruta mole. Quem provou um doce de figo e paus de canela ou de abóbora amarela, sabe do que falo. Morno. Espalmado em fatias de pão de trigo. Huummm. Ver o filme "Julia e Julie", de Nora Ephron, sobre Julia Child, é o presente de Natal do foodie. Delicioso. Delicious. Ou, como diriam os ingleses, "delaichoses".

Texto publicado na edição do Expresso de 19 de Dezembro de 2009

 

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Comer melhor não significa comer mais caro...
THUNDERS (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 12:37 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
Diz a Foodie....ahahahaahahhahaahha.
Muito engraçada esta Foodielhona,é claro que o linguado ou o cherne ou o pregado são mais baratos que o carapau ou chixarro,o queijo da Serra o de Azeitão ou o de serpa são mais baratos que o Casteloes ou o Terranostra pingo doce,ou que a posta mirandesa o javali o veado ou o cabrito são mais baratos que o frango o peru ou as costoletas de porco,ou que as mousses de chocolate de tres chocolates e os doces conventuais são mais baratos que as ALSA ALSA ou o flan em pó....a não ser que alguem ache que eu ande com os gostos estragados e a comer mal...barato é que não é garanto-vos.

PS,por curiosidade ontem fui almoçar a um restaurante famoso pela sua gastronomia alentejana,onde já degustei o veado e o javali à moda alentejano...um espétaculo!!
Na ementa de ontem deparei-me com um prato sui generis com que nunca me tinha deparado..."NALGUINHAS ESTUFADAS",mandei vir....cedo me arrependi.Foi caso para dizer:e vim eu de tão longe para comer (n)as nalguinhas....ehehehehehhehhehehhehehheh
 
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    Re: Comer melhor não significa comer mais caro...    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:48 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
Como tenho que esperar pelo natal
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 15:18 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
Hoje não estou com paciência para o vácuo cerebral que por este jornal abunda.
Tanta gente preocupada com as relações homossexuais e os respectivos casamentos, quando na maioria dos casos o problema é notoriamente um caso de bestialidade tão perto o seu QI está de um símio!

Estamos perante algo que eu já há muito pratico e de repente ganhou nome, e como tudo aquilo que de repente ganha nome e notoriedade logo aparecem os novos-ricos (ou novos-convertidos) a fazerem-se de entendidos sobre algo que ainda o mês passado era para eles um total mistério (recentemente não existe fiel farrapo que não seja um especialista em vinho e sobre o mesmos não tenha um livro).
Vamos então aos foodie… Whole Foods é algo que faz todo o sentido nos EUA ou na Grã-Bretanha e um total absurdo em países como Portugal, França, Itália, Rússia, Japão, China e mais alguns com os quais de momento posso estar a cometer uma injustiça de geometria variável (não inclui no rol deles Espanha propositadamente uma vez que eles têm os produtos com qualidade mas são incapazes de os saber conjugar em 80% das vezes).
E a razão é fácil de explicar tanto os britânicos com o os americanos não têm cozinha!
Cozinha no sentido mais nobre da comida e estão a importar esse conhecimento de países que a têm, fazendo aquilo que sabem fazer bem para dizer que a ideia é deles… Marketing!!! ...
 
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    Re: Como tenho que esperar pelo natal -parte 2    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 15:20 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
A loirinha;também gosta de foodie...??/hó..hó.....
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:53 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
Mas também não me admira...ela também gostar de foodie...???É NORMAL..e quem não gosta de foodie..??E tem que ser várias vezes ao dia..Logo que a gente se levanta;lá estamos no pequeno almoço do foodie..A seguir duas ou três horas;lá estamos no foodie.. E ASSIM VAI A VIDA TODA NO FOODIE...Até que um dia tudo deixa de ser consumido essa foodie..Até mais..UMA BOAS FESTAS NATALINAS;E COM MUITA FOODIE.. ATÉ MAIS..CUMPTS..KANTIFLAS..
 
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O quê?
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 15:47 | Sexta feira, 25 de dezembro de 2009
Não sabia que esta senhora se interessava por comida. Do que eu gosto mesmo é quando ela e mais os compinchas se dedicam, à falta de ideias e argumentos, a mandar grosserias a toda a gente de que não gostam, naquele programa que é a jóia da coroa da Sic.
 
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Ó Monteiro, Ai que o Herman Tem de lhe Dar o Bote!
Josef Silverstein (seguir utilizador), 1 ponto , 5:18 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
(10 Days Later...)

Bien sûr... alors, e como qq foodie que se preze e se apraz em degustar um vinho porreiro, seja ele Alvarinho, Moscatel, Chardonnay ou Pinot Blanc, dir-se-ia que madame Clara também terá dado um indício (prenúncio?) para aquilo que pretenderá procurar no réveillon que se avizinha...

Y, bueno, assim sendo, o Herman que se ponha a pau porque CFA está aí para as curvas e les autres affaires, seja em Barcelona ou Sobral de Monte Agraço... enfim, digamos que isto da conexão à Net tem que se lhe diga, tem! (Hélas!)

Y para o réveillon 2009/2010, sugerir-se-ia, em particular, um ritmo original de Caribe, estilo Reggaeton, seja em offshore (e.g, a bordo de um cruise ship ou cruising yacht) ou onshore (e.g., Republica Dominicana ou Madeira), tal como se demonstra no seguinte link, gentilmente cedido por YouTube [sujeito a confirmação de idade mínima (M/18)]: [http://] www.youtube.com/watch?v=NEpMTG55rC0

P.S.: Y essa cena catalã (ou blaugrana?) em La Boqueria tem vindo a ganhar fama, tem! ;-) (he he he)

Boas Festas,

JS
 
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CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 14:04 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
Bem, confesso que de vez em quando, devido às minhas limitações, não percebo nada daquilo que é escrito por quem sabe e é viajado. Todavia, sem querer saber se é asneira, confesso que também gosto de uma foodiezinha de vez em quando, prática saudável para os apreciadores de "boa comida", é pena ser cara, ou melhor sai cara e o esforço é muito grande, mas que sabe bem, sabe.
 
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