12/02/2012 atualizado às 18:55
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Cyber-bullying: Google e Facebook debaixo de fogo

Episódios de violência sobre crianças no YouTube (propriedade da Google) e no Facebook voltaram a colocar a questão da liberdade de expressão na Internet na ordem do dia.

Carlos Abreu (www.expresso.pt)com Reuters
19:40 Quarta feira, 10 de março de 2010
A decisão do juiz Óscar Magi deixou a Google estupefacta
A decisão do juiz Óscar Magi deixou a Google estupefacta
Luca Bruno/AP

Um vídeo no YouTube de uma criança deficiente a ser espancada pelos colegas e as página de tributo a duas crianças mortas invadidas por comentários obscenos e imagens pornográficas no Facebook. Aconteceu em Itália e na Austrália.

Se o primeiro caso resultou na condenação por um tribunal de Milão, a 24 de Fevereiro, de três executivos da Google a uma pena suspensa de seis meses de prisão, o segundo suscitou a ira dos pais das crianças que em carta dirigida ao fundador da popular rede social, Mark Zuckerberg, lamentaram que uma iniciativa que poderia atenuar a sua dor lhe tenha provocado tamanho sofrimento.

Mais não será preciso para relançar o debate em torno da liberdade de expressão na Internet. Até que ponto estes sites deverão (ou poderão) controlar os vídeos, fotografias e comentários publicados por milhões de utilizadores?

Em Maio de 2009, segundo o blogue oficial do YouTube , eram submetidas neste site 20 horas de vídeo por minuto. O Facebook, por seu lado, garante que já terá ultrapassado os 400 milhões de utilizadores registados.

Internet ferida de morte


Para o jornalista Jeff Jarvis, autor do influente blogue BuzzMachine , o que o tribunal italiano pretende é que os sites validem antecipadamente tudo o que publicam. O resultado prático, argumenta, é que "nenhum site permitirá a publicação porque o risco é muito grande". "Isso mata a Internet", remata.

Também o vice-presidente da Google, Matt Sucherman, num artigo publicado no blogue oficial da empresa norte-americana defendeu que a sentença do tribunal de Milão "ataca o princípio da liberdade sobre o qual a Internet foi construída".

A ideia de que a Internet deve ser policiada não é nova mas está a ganhar terreno nos Estados Unidos e na Europa.

No velho continente, a necessidade de proteger os direitos de autor combatendo a pirataria, já motivou iniciativas legislativas em França e no Reino Unido que na prática atribuem aos os fornecedores de acesso à Net o ingrato papel de polícia (ou censor) da rede. Uma tendência que está a deixar alguns observadores muito preocupados como John Morris, do Centro para a Democracia e Tecnologia em Washington.

Responsabilidade partilhada


Em resposta à carta que os pais das crianças australianas enviaram para o fundador do Facebook, a porta-voz da popular rede social, Debbie Frost, respondeu nos seguintes termos: "O Facebook é intensamente auto-regulado e os utilizadores podem e devem reportar conteúdos que considerem questionáveis ou ofensivos".

Uma resposta que pouco terá servido de consolo aos pais e que coloca os sites que vivem do conteúdo submetido pelos seus utilizadores na mira da opinião pública. À medida que o tempo passa e os episódios de abusos de liberdade de expressão acontecem, sites como o YouTube (propriedade da Google) e o Facebook estão a perder a imagem de paladinos da liberdade.

"Vivemos numa sociedade onde se espera que as empresas assumam as suas responsabilidades", afirma Karen North da Universidade do Sul da Califórnia. Acontece que, acrescenta a especialista em comunidades online, "os internautas são convidados a publicar conteúdos, mas também a partilhar as responsabilidades".

"Na Internet todos somos responsáveis por monitorizar os conteúdos que nos surgem no ecrã, para que os valores da sociedade se mantenham intactos", defendeu Karen North.

Palavras-chave  Ciência
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A bomba atómica também é má...
odagrom (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 21:08 | Quarta feira, 10 de março de 2010
O Google e o Facebook são como a energia nuclear: podem ter boas e más aplicações, depende de quem e como os usa. No que me diz respeito tanto um como o outro são-me extremamente úteis. Compete aos governos criarem legislação que permita minimizar as utilizações negativas.
 
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    Re: A bomba atómica também é má...    Ver comentário
vosley (seguir utilizador), 1 ponto , 21:34 | Quarta feira, 10 de março de 2010
Inevitável
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 21:54 | Quarta feira, 10 de março de 2010
Eu acho e inevitável que se crie um quadro jurídico, com relevância e adaptado à potência das tecnologias disponíveis, que transforme a internet num espaço menos in-civilizado, menos apto à proliferação de actos profundamente anti-sociais. Tudo isso, evidentemente, em consonância com as Liberdades e Garantias, entre as quais a liberdade de expressão-na-responsabilidade. As leis têm de se ajustar aos meios que regulam. Mas assim como é impensável que se publiquem ofensas graves e gratuitas, se façam campanhas violentas ou de terror contra pessoas e bens em qualquer meio que não a internet, assim também me parece ser um mero meter a cabeça debaixo da areia não o querer fazer no espaço virtual. E não me digam que a Google e os outros gigantes não têm a tecnologia para o fazer! É mais do que evidente que têm! Nesse sentido, e mesmo sem conhecer directamente a decisão, sou a favor daquela que foi tomada, por exemplo, por um Tribunal Italiano em relação não só às crianças espancadas mas também à NOJENTA (para não dizer mais) campanha de um BANDO DE ENERGÚMENOS que, a coberto do anonimato que a rede lhes permite, colocaram um vídeo proclamando que as crianças sofrendo do Síndrome de Down deviam ser ABATIDAS! Uma sociedade que, perante uma coisa destas, não reaje; uma empresa que diante de uma BARBÁRIE desta dimensão fique a gritar pela pobre liberdade de Expressão e não faz nada, é apenas uma coisa: COBARDE e DESUMANA! Felizmente, no caso mencionado, a GOOGLE fez o que devia!
 
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    Re: Inevitável    Ver comentário
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 10:09 | Quinta feira, 11 de março de 2010
    Re: Inevitável    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:03 | Quinta feira, 11 de março de 2010
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fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 20:19 | Quinta feira, 11 de março de 2010
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Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 23:05 | Quinta feira, 11 de março de 2010
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fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 3:11 | Sábado, 13 de março de 2010
    Re: Inevitável    Ver comentário
benebira (seguir utilizador), 1 ponto , 16:50 | Terça feira, 16 de março de 2010
A histeria nunca foi boa conselheira
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 0:11 | Quinta feira, 11 de março de 2010
Isto sim é um ataque á liberdade de informação!
Isto sim é preocupante, uma vez que faz com que a censura se torne obrigatória e a responsabilidade que deve ser individual, passe a ser partilhada por um qualquer alguém.
A Net é algo de magnífico que deve ser o que é, quando se quer impor limites a algo que tem na sua essência o fim desses limites no acesso á informação é um princípio que a nada de bom pode levar.
Quem faz deve ser responsabilizado e está mais que na hora de por fim a pseudo responsabilidades de terceiros para aligeirar culpas próprias.
Quem põem na Net provas de crimes, deve ser julgado por esses crimes. Não deve ser o sitio onde as provas são encontradas que deve transformar os mesmos em cúmplices.

PS. Até poderia sacrificar a liberdade da net se isso acabasse com o bullying, mas o bullying é um nome novo para algo muito mais velho que a net
 
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tem de ser
Novaideia (seguir utilizador), 1 ponto , 21:47 | Quarta feira, 10 de março de 2010
A Google tem de por um ponto final neste assunto. Tem de criar regras para os países onde quer colocar o seu negócio. Na china vídeos de matar cães pode ser normal, na índia matar uma vaca é crime. São estas situações que a Google tem de entender de forma a se moldar aos continentes ou países. Em Portugal não se pode colocar vídeos que maldizem o primeiro-ministro zézinho. Senão a Google vai de viola daqui pra fora.
 
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LOL
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 10:06 | Quinta feira, 11 de março de 2010
Tambem existe um código da estrada que a ser cumprido eliminaria os acidentes... mas tambem tornaria a circulação muito lenta senão impraticavel...
Limitar a Internet só fará que apareça outra net, feita de computadores pessoais (de que esta já foi em parte feita). O acesso seria feito por wi-fi, que cada vez está mais presente nas casas de cada um de nós.
Liricos, a unica coisa que podem limitar é o acesso á Internet... e isso tambem se resolve...
A "cloud" é imparavel... nem ninguem a pode controlar... é como uma multidão... não há policia de choque que pare...
Mesmo na China, nem os tanques conseguiram impedir a abertura politica (apesar de terem feito não mossa mas molho...) e algo mudou na China desde então (pouco mas mudou).
 
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Quem anda à chuva molha-se...
Tempestuosa (seguir utilizador), 1 ponto , 14:42 | Sexta feira, 12 de março de 2010
A época do desejo de liberdade de expressão já passou há muito tempo.O que agora as pessoas desejam é liberdade de inexpressão,mas com tanta tecnologia e métodos de partilha,chego a pensar que parece obrigatório ter de expressar alguma coisa.
Porém não entendo tanta lamúria em torno de algo tão óbvio.A internet não é algo físico e acaba por se constituir por pessoas de todo o mundo,com qualquer nível de instrução e de sanidade mental.Não é possível policiar um planeta inteiro!
A minha sugestão seria que parassem de investir em sites de redes sociais e partilha de vídeos ( porque isso já cansa ) e criar,por exemplo,sites de sensibilização para situações como o bullying,entre outras.
Parece-me que óbvio que não vale a pena ficar à espera que sejam os usuários dos sites a denunciar este tipo de casos,afinal cada pessoa terá a sua visão cultural de ofensa.Google e Facebook: O 25 de Abril já passou,o que precisamos agora é de partilhar problemas e soluções e deixar de lado videos e fotografias do fim de semana nas Caraíbas .
 
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