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| A decisão do juiz Óscar Magi deixou a Google estupefacta |
| Luca Bruno/AP |
Um vídeo no YouTube de uma criança deficiente a ser espancada pelos colegas e as página de tributo a duas crianças mortas invadidas por comentários obscenos e imagens pornográficas no Facebook. Aconteceu em Itália e na Austrália.
Se o primeiro caso resultou na condenação por um tribunal de Milão, a 24 de Fevereiro, de três executivos da Google a uma pena suspensa de seis meses de prisão, o segundo suscitou a ira dos pais das crianças que em carta dirigida ao fundador da popular rede social, Mark Zuckerberg, lamentaram que uma iniciativa que poderia atenuar a sua dor lhe tenha provocado tamanho sofrimento.
Mais não será preciso para relançar o debate em torno da liberdade de expressão na Internet. Até que ponto estes sites deverão (ou poderão) controlar os vídeos, fotografias e comentários publicados por milhões de utilizadores?
Em Maio de 2009, segundo o blogue oficial do YouTube
, eram submetidas neste site 20 horas de vídeo por minuto. O Facebook, por seu lado, garante que já terá ultrapassado os 400 milhões de utilizadores
registados.
Internet ferida de morte
Para o jornalista Jeff Jarvis, autor do influente blogue BuzzMachine
, o que o tribunal italiano pretende é que os sites validem antecipadamente tudo o que publicam. O resultado prático, argumenta, é que "nenhum site permitirá a publicação porque o risco é muito grande". "Isso mata a Internet", remata.
Também o vice-presidente da Google, Matt Sucherman, num artigo publicado no blogue oficial
da empresa norte-americana defendeu que a sentença do tribunal de Milão "ataca o princípio da liberdade sobre o qual a Internet foi construída".
A ideia de que a Internet deve ser policiada não é nova mas está a ganhar terreno nos Estados Unidos e na Europa.
No velho continente, a necessidade de proteger os direitos de autor combatendo a pirataria, já motivou iniciativas legislativas em França e no Reino Unido que na prática atribuem aos os fornecedores de acesso à Net o ingrato papel de polícia (ou censor) da rede. Uma tendência que está a deixar alguns observadores muito preocupados como John Morris, do Centro para a Democracia e Tecnologia em Washington.
Responsabilidade partilhada
Em resposta à carta que os pais das crianças australianas enviaram para o fundador do Facebook, a porta-voz da popular rede social, Debbie Frost, respondeu nos seguintes termos: "O Facebook é intensamente auto-regulado e os utilizadores podem e devem reportar conteúdos que considerem questionáveis ou ofensivos".
Uma resposta que pouco terá servido de consolo aos pais e que coloca os sites que vivem do conteúdo submetido pelos seus utilizadores na mira da opinião pública. À medida que o tempo passa e os episódios de abusos de liberdade de expressão acontecem, sites como o YouTube (propriedade da Google) e o Facebook estão a perder a imagem de paladinos da liberdade.
"Vivemos numa sociedade onde se espera que as empresas assumam as suas responsabilidades", afirma Karen North da Universidade do Sul da Califórnia. Acontece que, acrescenta a especialista em comunidades online, "os internautas são convidados a publicar conteúdos, mas também a partilhar as responsabilidades".
"Na Internet todos somos responsáveis por monitorizar os conteúdos que nos surgem no ecrã, para que os valores da sociedade se mantenham intactos", defendeu Karen North.