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Homens planeiam família

Há mais portugueses a pedirem conselhos sobre a sua vida sexual. Entre 2006 e 2007, as consultas nos centros de saúde aumentaram, sobretudo, na população masculina.

Vera Lúcia Arreigoso
14:00 Terça feira, 15 de julho de 2008

Caiu um mito? Afinal, os homens também fazem planeamento familiar. Os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS) mais recentes - relativos a 2006 e 2007 - revelam que há homens inscritos nas consultas de aconselhamento sexual nos centros de saúde. E mais: que este número aumentou. A população feminina continua a ser a grande adepta desta assistência do médico de família e também surgiram mais mulheres na lista, mas este acréscimo foi menos significativo.

A procura de preservativos gratuitos pode ser uma das explicações para o crescente interesse masculino pelas consultas de planeamento familiar, contudo, a DGS não tem, pelos menos para já, nenhuma prova científica que sustente esta, ou outra, teoria. O facto é que as 679 consultas em 2006 aumentaram para 918 no ano passado e que 753 dessas inscrições foram primeiras consultas. Nas mulheres, registaram-se 818.133 consultas em 2006 e 866.528 em 2007, correspondendo a 578.203 estreias no planeamento familiar durante o último ano.

Feitas as contas, houve um aumento ligeiro mas a oferta parece continuar aquém das necessidades. No documento da DGS sobre os primeiros seis meses da Lei do Aborto (em vigor, desde 15 de Julho de 2007), é dado destaque ao "facto de a maioria das mulheres - que interrompeu voluntariamente a gravidez no último ano - não ter recorrido a nenhuma consulta de métodos contraceptivos".

E é acrescentado: "Este aspecto deve ser alvo de reflexão". Por isso, os activistas a favor e contra o aborto estão muito atentos. Ana Drago, do BE, votou 'sim' e deixa um recado: "Andamos sempre a dizer que é fundamental ter educação sexual, mas as pessoas não têm acesso aos cuidados porque há poucos médicos de família". Do lado contra, José Paulo Carvalho, do CDS, prefere salientar que "há médicos a chamarem a atenção para o facto de existirem mulheres que recorrem ao aborto como método contraceptivo de emergência".

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