Primeira escolha: A Mesa dos Cinco em Copenhaga. Uma mesa acidental - a acreditar nas versões que surgiram.
Ou era para ser uma mesa a dois (o G2: EUA-China) e entraram mais três "penetras"; ou era uma mesa a quatro ("secreta", disseram os americanos) e o Tio Sam fez-se de "penetra". Seja como for, um acidente da história, que emergiu, com surpresa, e marcará a geopolítica dos próximos anos. Os humilhados: a UE e o Japão. O que saiu de fininho: a Rússia. Os marginalizados: os anti-globalistas.
Segunda escolha: A guerra "justa". O discurso de Obama ao receber o Prémio Nobel da Paz. Um discurso que recebeu muitos encómios. Mas que pode ser interpretado como um equívoco. Equívoco na recuperação de um conceito historicamente datado (o de guerra "justa"). Perigoso pela sua reversibilidade, ou seja o carácter de boomerang que encerra em si. Extremamente incompleto quanto às condições que legitimam a guerra como continuação da política por meios violentos por parte de democracias.
Terceira escolha: A revolução popular em curso no Irão - não são apenas vídeos no youtube
de filmagens de telemóvel. Um desfecho imprevisível com implicações em todo o xadrez do Próximo e Médio Oriente e mesmo no alinhamento entre as grandes potências.
Quarta escolha: A luta política entre as duas linhas
no Partido Comunista da China, entre os social-financistas e os "populistas", unidos no projecto de grande potência global e de autocracia partidária, mas divididos nas alianças sociais e na dinâmica do modelo económico.
Quinta, e última, escolha: o desenvolvimento da Grande Recessão, em V finalmente, em W lamentavelmente. Demasiadas bombas económico-financeiras de destruição massiva espalhadas pelo mundo garantem a incerteza nos prognósticos.