Dois meses após o terramoto que devastou o Haiti, mais de um milhão de pessoas estão desalojadas e o país continua a depender de ajuda internacional, mostrando grandes expectativas para a reunião de doadores, em Nova Iorque, no próximo dia 31.
"A estrutura física do país, praticamente destruída pelo terramoto, ainda não foi recuperada, mas o Governo haitiano trabalha com empenho, principalmente na preparação dos planos a apresentar na reunião de doadores", disse à Lusa o embaixador do Brasil em Port-au-Prince, Igor Kipman.
População à beira do desespero
Na próxima semana, haverá uma reunião de nível técnico na República Dominicana, de preparação para a conferência de Nova Iorque.
Segundo Kipman, os planos para a reconstrução do país estão a ser elaborados por uma equipa de haitianos, com intenso apoio da comunidade internacional.
O embaixador brasileiro disse ainda à Lusa que as prioridades atuais no Haiti são a remoção e a reciclagem de escombros e o saneamento básico nos acampamentos dos desalojados.
De acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, mais de 520 mil haitianos receberam abrigos de emergência, apenas 40 por cento da população necessitada.
A população haitiana está "à beira do desespero", disse à Lusa o antropólogo fundador da organização não governamental brasileira Viva Rio que atua no Haiti.
300 mil feridos
Sem emprego, milhares de pessoas que não têm para onde ir permanecem nas ruas e a situação ainda é dramática.
"Uma população enorme continua a viver nas ruas, as pessoas que não perderam tudo têm medo de voltar para as suas casas", descreveu Rubem Cesar Fernandes, recém-chegado de Port-au-Prince ao Brasil.
Num país arrasado com o sismo de 12 de janeiro, o número de feridos supera a marca dos 300 mil e ainda há mais de um milhão de haitianos desalojados.
"Estamos a viver ainda as consequências imediatas do terramoto. A população haitiana está à beira do desespero, com necessidade de proteção e abrigo.Isso gera uma lama de miséria e faz com que haja riscos de epidemias", analisa o antropólogo.
Rubem Fernandes alerta para a preocupação do período de chuvas que já chegou e os acampamentos não estão preparados para as fortes tempestades que atingem as Caraíbas nesta época do ano.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
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Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
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