
No último encontro da COTEC no Porto, foi lançada por um dos participantes uma ideia que gerou bastante controvérsia. Penso que a intenção era mesmo essa. A ideia que, devo dizer, foi defendida com muita inteligência, convicção e argumentos muito bem estruturados era que - se a memória não me atraiçoa - "os incumbentes não inovam".
No entanto e depois de ter reflectido sobre ela, concluí com alguma dificuldade - porque isto de discutirmos connosco nem sempre é fácil - que não fazia sentido.
Vejamos. Porque é que um incumbente - uma empresa com uma quota de mercado significativa ou até dominante - é incapaz de inovar?
O mercado global está cheio de provas do contrário disso. A Apple com o Ipod, a IBM com o IT Outsourcing, a Nestlé com o Nespresso, a Vodafone com o Life, a Toyota com o híbrido, a Gillete com as lâminas múltiplas, a Coca Cola com o Zero, a Nike com o Air, a Sogrape com o Mateus Rose, a Lufthansa com o Hon circle, e como é óbvio podíamos estar o dia inteiro nisto.
O que é que estas empresas, que não são propriamente "start up", têm em comum? É que nas suas organizações, existem ou coexistem sistemáticas de inovação que permitem crescer com competitividade e criação de valor no mercado global. São empresas que encaram a inovação nas suas várias vertentes, no marketing, nos produtos, nos processos e até na forma como se organizam.
No mercado português, existem também inúmeros casos que o provam. Além dos mais conhecidos exemplos da Galp com a Pluma, da TMN com o Mimo, do BES com o 360 Graus, da Brisa com a Via Verde, da Optimus com os Pioneiros, do BCP com a Nova Rede, existem muitos outros desconhecidos mas não menos importantes e significativos.
Portanto, a inovação não tem que ver nem com a dimensão nem com a antiguidade das empresas, antes com a vontade estratégica de crescer ou liderar com competitividade no mercado, que como sabemos é aberto e global.
João Picoito
, Professor catedrático convidado, Universidade de Aveiro