Bissau, 12 Ago (Lusa) - A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) comemora hoje o seu 18º aniversário e denuncia a "situação precária" do respeito dos direitos fundamentais, que "vai de mal a pior" na Guiné-Bissau, sobretudo por parte das forças de segurança.
Em conferência de imprensa, o vice-presidente da LGDH, Bubacart Turé, afirmou que a situação dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau "vai de mal a pior", apontando os assassínios de "quatro destacadas personalidades publicas".
"Comemoramos este aniversário com um sentimento de alegria e tristeza. De alegria porque completamos mais um aniversário e tristeza porque assistimos a situações preocupantes em termos dos Direitos Humanos", declarou Bubacar Turé.
"Só no ultimo trimestre o país viveu um dos piores momentos da sua história, ou seja, o assassínio do Chefe das Forças Armadas e do Presidente da República, bem como os recentes assassínios de dois deputados da Nação, Hélder Proença e Baciro Dabó", acrescentou o responsável da Liga.
Para Bubacar Turé, o mais grave é o facto de os "autores morais e materiais destes actos cruéis e desumanos continuarem a deambular impunemente num claro desafio aos valores da justiça, da dignidade humana e da paz".
A Liga considera que os assassínios do Chefe das Forças Armadas, num atentado à bomba no dia 01 de Março, e horas depois do Presidente 'Nino' Vieira, torturado e abatido a tiro, "inauguraram um período de retrocesso ao nível das conquistas dos Direitos Humanos" na Guiné-Bissau.
A organização destaca ainda o facto de existirem sinais que apontam para a deterioração do respeito dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau, nomeadamente o recente assassínio num local publico do director-geral do Trabalho Vital Incopté.
Apesar de algumas melhorias no relacionamento institucional com o Governo e as chefias militares, situações "muito graves que aconteceram ultimamente" demonstram atentados contra os direitos dos cidadãos.
"Nos últimos tempos assistimos a situações muito graves, como aquelas em que a Polícia Militar obriga os cidadãos a se despirem no meio da rua, sob alegação de utilização de peças de roupa cujos tecidos são parecidos com uniformes militares. São situações que atentam contra a integridade das pessoas", denunciou Bubacar Turé.
O vice-presidente da Liga exortou o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas interino, Zamora Induta, a tomar medidas para pôr cobro à situação.
A esperança da organização de defesa dos Direitos Humanos reside, contudo, no novo ciclo político que se abre ao país com a eleição de Malam Bacai Sanhá para o cargo de Presidente da República num processo que a Liga diz ter sido limpo e justo.
"A eleição do novo Presidente da República dá-nos esperanças de melhorias no respeito dos Direitos Humanos", afirmou Bubacar Turé, para quem a Liga "é um parente pobre", entre as organizações não-governamentais guineenses e os seus activistas "correm riscos de vida diariamente pela incompreensão" que o seu trabalho suscita em certos círculos do poder.
A Liga Guineense dos Direitos Humanos, fundada a 12 de Agosto de 1991 por Fernando Gomes, actual ministro da Função Publica, é a primeira organização não-governamental criada na Guiné-Bissau após a abertura política do país ao multipartidarismo.
MB.
Lusa/Fim